61ª Sessão Ordinária - 22/07/2008
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Sra. presidente deputada Ana Paula Lima, srs. parlamentares, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Digital Alesc e todos que participam nesta tarde desta sessão.
Assomo esta tribuna no horário do Partido dos Trabalhadores para, em nome da nossa bancada, colocar as nossas preocupações e a nossa tarefa de deputado que é de propor leis, de propor iniciativas junto com a sociedade civil para avançar nos direitos e na cidadania.
A tarefa da bancada do Partido dos Trabalhadores também é defender este país governado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Não apenas defender com discurso político, mas defender porque temos clareza de que é necessário distribuir renda, distribuir emprego formal, distribuir políticas públicas. Semana passada tivemos belas e extraordinárias notícias da criação de mais uma Universidade Federal para Santa Catarina, essa é a nossa tarefa, o nosso dever e a nossa responsabilidade política e ética.
Também a nossa tarefa aqui é aprofundar o processo de transparência entre o público e o privado; a nossa tarefa é de fiscalizar, de denunciar, de esclarecer a sociedade catarinense sobre as denúncias em relação aos entes da Federação, e no caso específico, o governo do estado.
Se o governo do estado imagina que o fato da secretária executiva da revista Metrópole, a Márgara, ter desistido de vir à Assembléia Legislativa, ou em outro local, nós já havíamos inclusive reservado o espaço no Senac, porque aqui não seria reservado o espaço para ouvi-la, quero dizer que nós estamos, como Oposição, muito cientes de que as informações que ela já nos deu através da imprensa, na Gazeta Regional de Joinville, na Folha de Blumenau e através do Diário Catarinense, não só confirmam o que disse Nei Silva ou Ivonei Silva, confirmando e afirmando o que está no livro A Descentralização no Banco dos Réus, mas dá mais informações, mais detalhes a partir das suas entrevistas, das suas falas ao longo das últimas semanas, cujo conteúdo é público e aberto. As informações, as confirmações, as gravações, nos dão conteúdo político suficiente para dizer que o escândalo, que o crime de abuso político e econômico estão configurados e nós estamos tipificando os vários crimes.
Sobre o documento que ela encaminha, a nossa preocupação não é ela não ter vindo, mas quem produziu, quem escreveu o documento, as palavras, a construção do texto! Quem tem interesse em ela não falar? Se é tão tranqüilo que o livro não tem importância, se é tão tranqüilo como diz o deputado Elizeu Mattos, que eles são pilantras, por que se constrói um texto e um documento? Quem está interessado? Que não gostaria de ouvi-la? Quem gostaria de reafirmar quando diz assim: "Bomba! Encontro em quarto de hotel selou a negociata." Quando ela diz que em 2005 começou, a primeira revista teve o aval do governador; quando diz que tal empresário lá de Joinville deu R$ 10 mil; outro deu R$ 5 mil e cita o nome; outro deu R$ 20 mil e tem o nome. Ela falou! Ela já deu as informações! Se deu as informações e se nós, das bancadas do PT e do PP, a ouvíssemos ali no Senac, se não o fizéssemos aqui, ela confirmaria tudo?
Ela não vindo e não confirmando, mostra que efetivamente precisa ser ouvida pelo Ministério Público, porque quem motivou a sua desistência em fazer a reunião com o PT e com o PP, está muito preocupado!
O escândalo é maior do que está na mídia! O escândalo deve ser maior, porque em cada debate do qual participamos eles confirmam! Inclusive há poucos dias, junto com os deputados Elizeu Mattos e Joares Ponticelli, participamos, do Palavras Cruzadas, da TVCOM, e o depoimento do secretário Regional, na época, confirma todas as informações. Confirma e comprova o diálogo com a Márgara Haddlich em Lages. E mais do que isso, como não indicou empresários, confirma que outros indicaram e a Márgara confirma o nome dos empresários.
Por isso é que nós, da bancada do PT, queremos sugerir, junto com o PP - e vamos fazer agora de forma pública - novamente reservar o plenarinho para que as nossas bancadas, na primeira semana de agosto possam se reunir novamente enquanto Oposição, buscando nossas assessorias para ver, depois de todos esses acontecimentos, o que deveremos fazer em agosto, por responsabilidade política e ética das nossas bancadas para tornar público, tornar transparente esse processo todo.
A ausência da Márgara não diminui, aumenta! Aumenta os interesses que estão colocados do não depoimento dela aqui junto às bancadas do PP e PT. Se ela desistiu, precisa falar ao Ministério Público sobre todas as provas que já afirmou que tem; precisa reafirmar todos os depoimentos que deu na imprensa, inclusive estão gravados nos jornais Diário Catarinense, Folha de Blumenau e Gazeta Regional de Joinville. Essas já são informações suficientes para nós, não precisa mais nenhuma! Não precisa mais nenhuma informação, porque é a comprovação de todo esse escândalo do governo do estado na relação pública e privada, nessa direção de superfaturamento ou não. E aí o Cesar Valente diz hoje: "Não precisa nem vir".
Não precisa nem vir, o Nei Silva não precisa mais nada, pode até ser extorquido e colocado dinheiro para dizer que o livro é falso. Pode até produzir documento. O efeito já está dado, o escândalo já está confirmado. As informações, os nomes, os fatos, os crimes já estão consolidados.
Por isso nós precisamos continuar vigilantes no nosso papel.
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Pois não!
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - Deputado Pedro Uczai, eu hoje fui reler a entrevista da Márgara, na Folha de Blumenau e na Gazeta de Joinville, e aí aumenta a intriga, v.exa. tem razão.
Por que será que a Márgara não veio? E como disse o jornalista: Quem será que redigiu um documento que não é próprio ou não é aquilo que a Márgara tem dito o tempo todo? Aliás, a bancada ao meio-dia já fez as suas apostas e já imagina o autor daquela correspondência.
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Por isso nós queremos saber quem não tem interesse. E nós temos muitos empresários com disposição para vir falar aqui para nós e para a bancada da Oposição. Quem sabe em agosto nós não...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)