83ª Sessão Ordinária - 04/11/2008
O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Quero cumprimentar o presidente Clésio Salvaro, os deputados desta Casa e registrar a presença do prefeito eleito de Chapadão de Lajeado, pelo Partido dos Trabalhadores, Zezé; do vereador Orli; do vereador Mário Miguel, do Partido dos Trabalhadores de Rio do Sul. E aqui está presente também o nosso amigo em comum, deputado Pedro Uczai, o Márcio Martins, que foi candidato à vereador na cidade de Chapecó.
Acho que é importante no dia de hoje, rapidamente, pois outros companheiros do Partido dos Trabalhadores farão isso, ressaltar a grande vitória do deputado federal Carlito Merss, na cidade de Joinville, que tranquilamente elegeu-se. Depois de dizerem e baterem na imprensa, como nunca, que o PT não dá certo, o Partido dos Trabalhadores teve um crescimento para 36 prefeituras no estado de Santa Catarina e ganhou a principal prefeitura, que é a de Joinville, com um Orçamento de R$ 1,5 bilhão por ano, mais de 10% do Orçamento do estado.
O que vemos na imprensa, hoje, deputado padre Pedro Baldisser, é que a tucanada quer expulsar o deputado Nilson Gonçalves por ter tido uma postura clara, contundente, questionando algumas condutas adotadas. Mas, deputado Nilson Gonçalves, queremos dizer a v.exa. que o Partido dos Trabalhadores está de portas abertas. Venha voando para esse partido que v.exa. será mais uma estrela. Está sendo convidado.
A democracia é um momento importante. Na democracia, é no voto que decidimos, mostramos os caminhos e temos que respeitá-lo. Em Joinville, depois da quinta tentativa, na disciplina perseverante, o deputado Carlito Merss foi reconhecido pelo seu trabalho no Parlamento e assumirá a prefeitura.
Parabéns, Carlito! Sabemos que aquele município, aquela cidade e aquele povo estarão sendo bem comandados.
Hoje também cabe ressaltar um dos momentos importantes da democracia no globo terrestre, que são as eleições americanas, onde um negro está concorrendo às eleições.
Então, quero ler aqui um discurso de uma das pérolas do mundo contemporâneo, que foi Martin Luther King, Prêmio Nobel da Paz, um negro que combateu a discriminação racial nos Estados Unidos, que foi assassinado em 1968 por sua luta histórica.
E o seu grande discurso chamado I Have a Dream, Eu Tenho um Sonho, diz o seguinte:
(Passa a ler.)
"'Cem anos atrás, um grande americano, do qual estamos sob a sua simbólica sombra, assinou a Proclamação de Emancipação. Esse importante decreto veio como um grande farol de esperança para milhões de escravos negros que tinham murchado nas chamas da injustiça... Mas 100 anos depois, o negro ainda não é livre.
De certo modo, nós viemos à capital de nossa nação para trocar um cheque. Quando os arquitetos de nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e a Declaração da Independência, eles estavam assinando uma nota promissória para a qual todo americano seria seu herdeiro. Esta nota era uma promessa que todos os homens, negros ou brancos, teriam garantidos os direitos inalienáveis de vida, liberdade e a busca da felicidade. Hoje é óbvio que aquela América não apresentou esta nota promissória. Em vez de honrar essa obrigação sagrada, a América deu para o povo negro um cheque sem fundo, que voltou marcado com 'fundos insuficientes'.
Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça é falível. Nós nos recusamos a acreditar que há capitais insuficientes de oportunidade nesta nação. Assim, nós viemos trocar este cheque, um cheque que nos dará o direito de reclamar as riquezas de liberdade e a segurança da justiça.
Não vamos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo da xícara da amargura e do ódio. Nós sempre temos que conduzir nossa luta num alto nível de dignidade e disciplina. Nós não podemos caminhar só. Nós não podemos retroceder. ...e nós não estaremos satisfeitos até que a justiça e a retidão rolem abaixo como águas de uma poderosa correnteza.
Eu digo a vocês hoje, meus amigos, que embora nós enfrentemos as dificuldades de hoje e amanhã, eu ainda tenho um sonho. É um sonho profundamente enraizado no sonho americano. Eu tenho um sonho que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado de sua crença - nós celebraremos estas verdades e elas serão claras para todos: que os homens são criados iguais.
Eu tenho um sonho que minhas quatro pequenas crianças vão um dia viver em uma nação onde elas não serão julgadas pela cor da pele, mas pelo conteúdo do seu caráter. Eu tenho um sonho hoje!
E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.'"
(Continua lendo.)
"Em abril de 1968, Martin Luther King foi assassinado em Memphis, Tennessee, por um branco que havia escapado da prisão."
Isso mostra a determinação de um homem que comandou a grande marcha pacífica de Washington, até o Lincoln Memorial, onde pronunciou esse discurso que está registrado nos anais da história.
Esse cidadão falou que há mais de 100 anos - e depois de sua morte, em 1968, 40 anos depois, essa situação ainda perdura - os negros americanos continuam ainda sem a sua liberdade. Mas assim como o mundo contemporâneo tem permitido, através da democracia, que líderes históricos tenham tomado posições, temos o exemplo de um metalúrgico no Brasil, chamado Luiz Inácio Lula da Silva, um índio na Bolívia, como Evo Morales, um pastor no Paraguai, e tantas outras lideranças.
Nos Estados Unidos hoje também, através da democracia, nós estamos experimentando, deputado Pedro Uczai, um momento histórico, em que um preto poderá alçar o poder da maior nação do poder econômico deste globo terrestre.
O sonho de Martin Luther King, com seu discurso, em 1968, está prestes a se concretizar na maior nação deste mundo. Um cidadão negro já deixa claro que é contra a política guerrilheira de Bush de invasão de países, não permitindo que eles tomem seus destinos como aconteceu no Iraque, no Afeganistão, no Iran e em tantos outros países.
Eu tenho um sonho, sim, também, de amanhã ou esta semana dizer: oba, o Obama acaba de ser eleito presidente dos Estados Unidos! E o sonho de Martin Luther King se concretiza com um negro presidente da maior nação econômica deste globo terrestre; uma nação cujo presidente irresponsável, cuja economia irresponsável e sem controle do estado, proclamado pelo discurso do neoliberalismo, impõe ao mundo inteiro uma crise econômica, quem sabe, parecida com a de 1929.
Acho que esse sonho está prestes a acontecer para milhares de negros discriminados na história americana e do mundo inteiro, porque se ao invés de políticas de guerra fizessem políticas de combate à fome, de inclusão social, tantas injustiças não teriam acontecido e a solidariedade poderia ser a palavra de ordem em toda a nação para construir uma sociedade mais justa.Espera-se esta semana, com a razão e a certeza, que o povo americano não vai errar mais e vai poder dizer: "Oba, um negro é presidente dos Estados Unidos"!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)