107ª Sessão Ordinária - 01/12/2010
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente e srs. deputados, deputado Kennedy Nunes, da minha região, deputado Vieirão e demais deputados presentes, nós não podemos, de forma alguma, ignorar, em nível de Santa Catarina, o que está acontecendo no Rio de Janeiro, até porque eu acho que essa ação da Polícia Militar, da Polícia Civil, do Exército e da Marinha que está sendo desenvolvida lá, mais propriamente no complexo do Morro do Alemão, tem muito a ver conosco, e eu explico.
Nós vimos em vídeo, vimos na televisão, aqueles bandidos fugindo do Morro do Alemão, que mais pareciam baratas correndo, e acompanhamos, até agora, tudo o que está acontecendo lá. Então, eu peço a v.exas. que façam uma reflexão. Foram mais ou menos 500 bandidos que fugiram do Complexo do Alemão; foram capturados mais ou menos 30 ou 40 bandidos. Então, há uns 380, 420 ou 430 bandidos que não foram capturados, altamente perigosos, de alta periculosidade, armados, que largaram suas armas etc. A reflexão que eu quero que v.exas. façam é a seguinte: eles desapareceram, sumiram que nem ratos no esgoto, mas eles vão ressurgir em algum lugar, porque procurar emprego eles não irão, tenho certeza absoluta. Só faltava acreditar que essa turma que sumiu de lá, desses 500, está correndo, batendo de porta em porta para procurar emprego. Não estão. A profissão deles é a marginalidade.
Qual é o lugar neste país onde existe forte semelhança com o Rio de Janeiro, tanto geográfica, quanto estrategicamente, para esse tipo de bandidos que lotavam os morros do Rio de Janeiro? Qual é a cidade neste país que tem morros e uma orla parecida com Copacabana, que é uma maravilha para viver? Qual é a cidade deste país? É a nossa Florianópolis, em Santa Catarina.
Eu não tenho dúvidas de que se não houver uma preocupação e uma prevenção por parte das autoridades policiais de Santa Catarina nós teremos aqui nos morros de Florianópolis muitos desses elementos que v.exas. viram fugindo do Morro do Alemão, aquelas baratas todas correndo que poderão pousar nos morros da nossa capital, se não houver uma prevenção, se não houver uma preocupação nesse sentido.
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Pois não!
O Sr. Deputado Sargento Amauri Soares - Muito obrigado, deputado Nilson Gonçalves, pelo aparte.
Eu vou ser muito rápido, só quero parabenizar v.exa. pelo pronunciamento, pois temos mesmo que ter essa preocupação. Mas o episódio do Rio de Janeiro mostra o seguinte: quando os órgãos, os poderes do estado se unem para combater a criminalidade, eles vencem.
Então, com certeza nós não devemos esperar acontecer aqui o que está acontecendo no Rio de Janeiro, para depois atuarmos. É preciso que as instituições policiais, as instituições das Forças Armadas, o Ministério Público e o Poder Judiciário reflitam agora sobre uma forma para se combater e evitar que aconteça isso que v.exa. está falando, ou seja, um crescimento, um enraizamento dessa forma de organização da criminalidade aqui nas comunidades da Grande Florianópolis e das principais cidades do estado de Santa Catarina, como Joinville, que é muita próxima de Curitiba, também uma grande metrópole.
Parabéns pelo seu pronunciamento e muito obrigado pelo aparte.
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Muito obrigado, deputado Sargento Amauri Soares.
Eu sou um defensor, de longa data inclusive, da utilização das Forças Armadas nas divisas dos estados. Quando se vai à Argentina, de uma província para outra, é preciso passar pela barreira do Exército - muitos que estão aqui já foram para lá e sabem disso -, que na verdade é a mesma coisa que passar de um estado para outro.
Eu fiz uma moção que será encaminhada, porque não há outra forma de me manifestar que não seja essa, ao Congresso Nacional, solicitando a colocação do Exército nas divisas dos estados, pois de um estado para outro se transita droga, arma, carro roubado, transita-se de tudo, e com a instalação de unidades do Exército nas divisas ou nas principais artérias dessas divisas de estado, pelo menos iríamos inibir esse trânsito livre de contrabando de armas, de droga, de tudo. O nosso país é enorme e há um trânsito praticamente livre para se ir onde quiser e com o que quiser.
Em Joinville, nós temos instalado o querido 62º BI, que eu tenho uma afeição muito grande, mas o que faz no meio da cidade? Caminhando, jogando basquete, jogando vôlei, marchando e depois voltando para dentro do quartel. Que utilidade tem um quartel general do Exército dentro da cidade como Joinville, por exemplo? Teria muito mais utilidade na divisa do estado e nas fronteiras do país.
Com certeza, teríamos mais eficiência e muito mais utilidade desse dinheiro gasto com todo esse contingente do Exército brasileiro utilizando-o dessa forma. Nós estamos esperando para guerrear com quem? Com o Paraguai, com o Uruguai, com o Chile? Ou vamos guerrear com os Estados Unidos? A nossa guerra está aqui dentro, que é contra o tráfico de drogas, e para isso precisamos usar o Exército, para essa guerra que temos aqui dentro.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)