Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

8ª Sessão Extraordinária - 20/04/2010

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Muito obrigado, sr. presidente.

Inicialmente, quero pedir permissão à bancada do Partido dos Trabalhadores para subscrever a Moção n. 0029/2010, que manifesta contrariedade à indicação do empresário Lirio Parisotto para integrar o Conselho de Administração da Celesc. Além disso, quero parabenizar a bancada do PT por essa iniciativa e dizer que a nossa posição, como a de todos os deputados que já se manifestaram nos últimos 30 dias, ou mesmo desde o ano passado, com relação a esse assunto, é a da não-permissão da sua privatização.

Essa Assembléia Legislativa, no final do mês de março, no dia 30 de março mais precisamente, na véspera da realização da assembléia para alteração do estatuto, já estava atuando no sentido de não permitir a sua realização, posto que estava clara a intenção da futura privatização. Deputados não só da base do governo, como fez agora o deputado Manoel Mota, e o deputado Marcos Vieira, do PSDB, na audiência pública realizada neste Parlamento, no final do mês de março, manifestaram, de forma clara e contundente, a contrariedade à privatização da Celesc e à realização daquela assembleia.

Estava lendo na imprensa, da semana passada para cá, uma manifestação do deputado Marcos Vieira de que será o primeiro a subir no caminhão de som caso a Celesc esteja em risco, caso esteja ameaçada de ser privatizada. Quero dizer que será uma disputa grande para ver quem será o primeiro deputado a subir nesse caminhão de som porque todos aqui têm-se manifestado nesse sentido.

Ficamos feliz, evidentemente, em saber que o deputado Marcos Vieira, que é do PSDB, um partido de apoio ao ex-governador Luiz Henrique, tem essa posição, mas ela é contraditória à indicação de Lirio Parisotto para o Conselho de Administração da Celesc como representante do poder público, como representante do governo do estado, como representante do estado de Santa Catarina.

O sr. Lirio Parisotto tem o direito, porque a legislação brasileira permite, de participar desse conselho por ser o maior acionista privado. É uma questão que, do ponto de vista legal, é perfeita e não podemos contestá-la.

Não quero entrar aqui em questões morais, mas tenho certeza de que a Celesc não é galinheiro, é uma empresa pública que precisa ser fortalecida e precisa ter condições estruturais para atender cada vez melhor a população catarinense. Quanto à raposa, eu não sei, mas não vou entrar em questões morais, repito, porque a nossa posição é uma posição de classe.

Jamais concordaria, em hipótese alguma, com a presença do sr. Lirio Parisotto no Conselho de Administração da Celesc como indicado pelo poder público. O voto dele seria o nosso voto, o voto da sociedade catarinense! Isso é inadmissível para um empresário que anda dizendo aos quatro ventos que precisa privatizar, que precisa mudar a estrutura interna da Celesc justamente porque ela precisa render mais, dar mais lucro, render mais dividendos para os acionistas privados. Ele diz também que é necessário fazer isso porque os trabalhadores da Celesc produzem pouco. Ele tem afirmado isso, mas tenho contestado, porque sou irmão de um funcionário da Celesc, que tem mais de 20 anos de casa e que, com certeza, é um dos trabalhadores do estado de Santa Catarina que conheço que mais trabalham. Inclusive, quando já não tem mais nem direito de ganhar hora extra, quando já esgotaram todas as cotas possíveis, ainda sai de madrugada, no Natal, no feriado de Ano Novo, na Páscoa, para atender a população na região em que trabalha.

Então, colocar com o nosso voto, com o voto da sociedade catarinense, no Conselho de Administração um cidadão que pensa que a Celesc está ruim, inclusive porque os seus servidores trabalham pouco é inadmissível e inaceitável!

Nós queremos subscrever essa moção e pedir para o governador Leonel Pavan reavaliar esse caso e não fazer essa nomeação. Já que não vi, em momento algum, alguém assumir ser o padrinho do sr. Lirio Parisotto para essa vaga no Conselho de Administração em nome do poder público, quero aqui recorrer ao governador Leonel Pavan para que não faça essa indicação, que aceite a opinião dos deputados do seu partido, que é a opinião de 100% dos trabalhadores da Celesc, é a opinião de 100% deste Poder.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)