Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

63ª Sessão Ordinária - 06/07/2010

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente e srs. deputados, resistentes servidores que aqui estão, catarinenses que nos acompanham, naturalmente, deputado Silvio Dreveck, que não vou fazer nenhuma referência ao discurso puramente político feito aqui pelo deputado da base governista.

O deputado Pedro Uczai bem destacou, e quero cumprimentar s.exa. pelo voto técnico, pela manifestação técnica constitucional, que é o nosso papel, quando do julgamento das contas do governo.

S.Exa. fez um grande estudo mostrando inclusive uma relação extensa de municípios que tiveram as contas com parecer de rejeição, por motivos, por descumprimentos bem menos significativos, comparados a esse que o estado promoveu.

Quando o governo vem aqui falar em criação de empregos nesse período, deputada Angela Albino, até acredito, e não foi pequeno o número. Se comparar só o que foi criado de comissionados nas SDRs, realmente veremos que foi um grande número de comissionados que já estão certamente só esperando sair o CNPJ, o santinho, para começar a trabalhar, porque é de dois em dois anos que trabalham, quando chega eleição, para distribuir santinho dos candidatos do governo. Quanto a isso, realmente comprovamos que foi um grande número e vamos sentir certamente todo esse povo trabalhando muito, agora, nas eleições. De dois em dois anos, nos 90 dias de campanha, essa gente realmente trabalha bastante. Aí eles sobem, descem morro, varam madrugada, para entregar santinho.

Aí quando ouço o deputado do governo vir aqui dizer: "Não, realmente a gente errou, mas nós precisamos de mais um governo para consertar". Pelo amor de Deus, doze anos para errar? Errar uma vez é humano. Agora, duas vezes é burrice. Três, então, não sei qual é o conceito que se dá, porque essa enganação, e aqui temos servidores da Educação que lembram, por exemplo, que na primeira campanha o governante, que picou a mula em 30 de março deste ano, disse: "Olha, se eu for governador, vou equiparar o salário do professor do estado ao do professor de Joinville".

O professor de Joinville ganha duas vezes o que ganha o do estado. Prometeu um salário digno. E é por isso que vocês estão aqui para dizer que estão ganhando bem demais. Vocês vieram a esta Casa para agradecer ao governo por estar pagando uma dinheirama que vocês nem sabem o que fazer com ela. Mas a verdade é que nem o vale alimentação eles corrigiram nesses sete anos e meio! Após sete anos e meio vocês continuam ganhando R$ 6,00 por dia para se alimentar. Como digo sempre, dá para comprar apenas um pão com mortadela.

E aí vêm dizer que fizeram justiça, quando vimos os números que o deputado Sílvio Dreveck trouxe, quando sabemos que a receita saltou de R$ 250 milhões para R$ 1,1 bilhão? Meu Deus do céu! Cego é quem não quer enxergar que a realidade não é essa felicidade que o governo vende, senão vocês não estariam aqui. Vocês são a prova viva do que dizemos.

Deputado Reno Caramori, não cumpriram o mínimo constitucional relativo aos repasses para a Educação e para a Saúde, mas ouço alguns dizerem que temos que estabelecer também um mínimo para a Segurança - coisa que eu defendo. Para quê? Para não cumprirem também?! Se tivessem cumprido os mínimos constitucionais relativos à Educação e à Saúde elas não estariam essa lástima que estão. Temos o pior piso salarial do Brasil, temos uma Saúde falida, sucateada, e temos servidores públicos com uma remuneração indecente, decorrente de uma política de abonos, uma política bandida, maléfica e que escraviza.

Por isso, não temos outro caminho, porque senão há que se mudar o conceito também de apreciação das contas dos municípios. E nesse sentido, deputado Silvio Dreveck, quero cumprimentá-lo pelo estudo que fez, pela dedicação e por comprovar tecnicamente o que afirmou. Rebate técnico não houve e se faço um discurso com viés político é porque a base do governo também o fez. Quero ver rebaterem tecnicamente!

Por isso, a nossa bancada vai votar com v.exa. e agradece àqueles que a acompanharem.

(Palmas das galerias)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)