29ª Sessão Ordinária - 03/05/2001
O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Sr. Presidente e Srs. Deputados, um dos temas que me traz hoje a esta tribuna trata-se de uma indignação da nossa parte da ida do Sr. Governador do Estado à cidade de Forquilhinha.
Não podia deixar passar em branco a indelicadeza e a falta de educação do Sr. Governador na ida àquele Município.
Para informar, no Município de Forquilhinha o PPB, Partido do Governador, está coligado com o PMDB, em que o PPB é o Prefeito e o PMDB ofereceu o seu vice.
Normalmente, não... Evitei, naquele mesmo dia de comparecer a um outro ato que o Governador estava, mas neste evento das festividades de aniversário do Município de Forquilhinha, em homenagem à doutora Zilda Arns, nós não podíamos deixar de estar e acabamos estando no mesmo palanque das autoridades, juntamente com o Sr. Governador.
Infelizmente, o Sr. Governador cometeu uma indelicadeza ao fazer críticas ao ex-Governo, que tenho dito, não tenho obrigação de defender, não fiz parte daquele Governo, mas que foi o Governo do meu Partido. Na oportunidade estava entregando um carro ótimo para a cidade e nós agradecemos. É importante que a Polícia Militar receba um carro novo. Mas, na oportunidade dizia ele que aquele carro estava pago mas que o Governo anterior não tinha pago nem um carro que tinha dado, mas que tinha deixado muitas dívidas... E o Governador se prevalece de uma situação de estar ali no palanque, onde só ele ia falar, pois não tive oportunidade ou ninguém do outro Partido - que compõem aquela administração, que é o PMDB -, de dar uma resposta ao Governador.
E não era momento! Eu acho que o local de debates é na rádio, em locais como na Assembléia, onde fazemos as críticas ao Governador, onde fiscalizamos as ações, onde denunciamos e onde, também, os Deputados do Governo fazem sempre com muita competência a defesa do Governo.
Mas aquele era um momento de festividade e o Governador, infelizmente, não desceu do palanque, parece que a eleição de 1998 ainda não acabou. Ele para justificar a incompetência deste Governo fica rebuscando o passado e dizendo que não faz por isso, não faz por aquilo. É só o não faz. É o Governo do não faz. E não faz porque tem dívida, porque o Governo anterior deixou isso, deixou aquilo.
Eu acho que é hora, Deputado Manoel Mota, deste Governo sair de cima do palanque, porque a estrada Forquilhinha/Meleiro está um absurdo, está uma vergonha, já parece uma estrada de chão novamente onde temos que tapar buracos com saibro, porque não há uma outra recuperação.
E esta rodovia é muito importante, pois é usada para fazer o escoamento do arroz e de toda a economia dos Municípios de Forguilhinha, Meleiro, Turvo, Morro Grande, Jacinto Machado, Ermo, Timbé do Sul, inclusive faz a ligação com Araranguá. Há um abandono e o Governo não sai do palanque, age como se estivesse na Oposição. Só que vamos lembrar e chamar a atenção do Governo que a eleição de 98 quem venceu foi ele! Foi o próprio Governador! E ele já é Governador há dois anos, quatro meses e três dias.
Eu acho que tem que lembrar o Governador para descer do palanque, pois acabaram-se as eleições do ano de 1998. Já estamos quase as vésperas de uma eleição para Governador e ele não saiu do palanque ainda!
Mas isso é uma estratégia, isso é um processo dialético de comportamento do Sr. Governador, que quer só mostrar o passado, só mostrar aquilo que lhe é conveniente, mas ele não mostra que o Governo passado foi um Governo municipalista, que teve seus defeitos e teve seus erros mas atendeu todos os Municípios da região Sul do Estado de Santa Catarina. Não tem um só Município que ele não fez uma obra, principalmente nos Municípios menores, que receberam a participação efetiva de apoio do Governo.
No entanto, agora, não se vê nada, absolutamente nada! Quando o Governo leva um veículo da polícia, que é a sua obrigação - garantir a segurança - chega lá ainda querendo fazer críticas, dizendo que o outro Governo fez mais que ele, mas que não tinha pago nada!
Mas quanto foi pago? Vamos lembrar ao Governador quanto que o saudoso Governador Pedro Ivo Campos pagou e botou nos trilhos este Estado, que o Governo de Esperidião Amin deixou falido, quebrado e destruído! Não podemos ter memória curta e voltarmos em 1987, quando o saudoso Pedro Ivo Campos recebeu este Estado destruído, acabado, falido e quebrado. E agora, este Governo quer remoer coisas de passado recente, que não é verdade. Ele busca pedacinhos de verdade para colocar como um mar de dificuldade, como se tudo tivesse ocorrido no Governo anterior do Governador Paulo Afonso. Não foi!
Vamos buscar a origem desta dívida do Estado, vamos buscar... Ontem dizia aqui o Deputado Nelson Goetten, que é defensor deste Governo batalhador, o seguinte: que é um absurdo esse número grande de funcionários no Besc e na Casan. Eu quero perguntar: quem colocou esses funcionários, muitos deles, em véspera de eleição, quem inchou a folha de pagamento do Besc?
Agora, são seres humanos, estão trabalhando hoje, e não podem agora ser bode expiatório da visão política deste Governo, que no passado causou a falência deste banco e dessas empresas que estão em má situação hoje.
Recebi do Diário Catarinense a informação de que o Sr. Francisco Küster disse que as minhas declarações sobre a Celesc, sobre a situação de quebra da Celesc, era um tiro no pé. Quero dizer, àquele que sempre procurei respeitar pela sua história, o ex-Deputado Francisco Küster, infelizmente participa de um Governo que tem a sina e a competência de quebrar as empresas do Estado - quebrou o Besc e a Celesc, pois quando Pedro Ivo recebeu estavam quebradas. E o ex-Governador teve a competência de saneá-la e colocá-la como uma das maiores empresas do País e de Santa Catarina.
Agora, este Governo, só depois de dois anos e quatro meses, é que vem dizer que foi o Governo passado que deixou a Celesc em situação difícil. Mentira! Ora, porque não disseram no primeiro dia? Agora que deixaram quebrar a Celesc, por incompetência ou por outros interesses, têm que recuperar, têm que investir, têm que ter a capacidade de arrumar o que estragaram.
Se estragaram a Celesc, se comprometeram a sua situação, têm o dever, para com o povo catarinense, de colocá-la nos trilhos, no lugar, porque a Celesc, em 1987, foi recebida pelo Governador Pedro Ivo Campos quebrada, e ele teve competência para colocá-la no lugar, para colocá-la em ordem.
E agora este Governo só sabe dizer que a culpa não é sua, a culpa é dos outros, mas não tem competência para administrar bem as empresa ou tem muita competência para quebrá-las.
Olha, quebrar uma empresa como a Celesc, concessionária, economia cartorial, a única que fornece energia, e todos, em Santa Catarina, que nos ouvem, são obrigados a comprar energia dela - fonte de poupança do Estado, do povo catarinense.
E esta empresa, em situação difícil como eles dizem, está a gastar fortunas e fortunas, patrocinando e financiando propaganda do Governo e de órgãos deste Governo.
Por isso não poderia deixar de vir, hoje, colocar estas questões fundamentais, porque este Governo precisa ser fiscalizado, e estamos de olho, fiscalizando e contrapondo essas ações só de palanque deste Governo.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)