18ª Sessão Ordinária - 02/04/2002
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente, companheiros Deputados, venho à tribuna no horário do meu Partido para me dirigir ao Deputado Manoel Mota, a quem tenho grande respeito e dizer que talvez ele não tenha compreendido o meu discurso, porque eu, em nenhum momento, falava da pessoa de Luiz Henrique. Fiz uma citação onde Luiz Henrique de que ficou - e aí peço ao Deputado que me permita dizer da tribuna - a imagem para nós em Santa Catarina daquele momento em que Luiz Henrique de um lado e Jader Barbalho do outro levantavam as duas mãos daquele que mais enlameou, daquele que mais envergonhou Santa Catarina, chamado Paulo Afonso Vieira, Governador desse Estado. Esta imagem ficou!
Não denegri Luiz Henrique, só disse que a imagem que fica para a sociedade catarinense é a imagem de uma pessoa desesperada pela ameaça a um amigo. Não se toma esse tipo de atitude, convida-se o amigo para participar. Falava de Luiz Henrique que não tinha convicção em relação à importância de José Serra como candidato à Presidência da República, porque ele mesmo dizia na sua matéria que só apoiava José Serra, se o PSDB apoiasse Luiz Henrique da Silveira, senão ele iria apoiar Ciro Gomes.
Isso por certo me faz entender (e penso que tenho o direito de nesta tribuna poder me manifestar), que não há o vínculo de segurança em relação ao que pensa Luiz Henrique a respeito de José Serra. Também penso que tenho o direito de dizer e lembrar à sociedade catarinense o que ouvi uma centena de vezes. Eu disse isto, não falei mal da instituição chamada PMDB, porque aprendi a respeitar as instituições, mas tenho o direito de falar de quem o representa, de quem ajudou a encabeçar, por muitas vezes, documentos pedindo para que o PMDB nacional abandonasse o Governo Fernando Henrique Cardoso. Estou mentindo? Não é verdade? Ou a sociedade esqueceu ou estão tratando a sociedade como esquecida!
Esta situação nós vivemos nessa Casa! O próprio Líder do PMDB, Deputado que admiro, que respeito, João Henrique Blasi, que com certeza não vai me chamar de mentiroso, por muitas vezes pedia e repetia a necessidade do PMDB abandonar este Governo chamado Fernando Henrique Cardoso. Penso que esse direito eu tenho de dizer na tribuna.
Agora voltamos à tribuna com o discurso do Besc. Dizer que esse Governo não tem obras?! Primeiro quero falar do Besc, porque estou cansado de ouvir estas bobagens ditas principalmente por alguém que eu entendo que tem conhecimento, por alguém que entendo ter responsabilidade, por alguém que entendo ter compromisso com a verdade. Sobre intervenção de Besc precisamos intimar esses Deputados que vem à tribuna falar sobre isto. Se houve intervenção no Besc é porque houve crime! Se houve crime tem que haver punição! Se não houve punição parem de falar bobagem.
Se houve crime que tragam as provas para mostrar para a sociedade! Mostrem por qual crime foi condenado Esperidião Amin na questão Besc! Vamos parar de mentir, de fazer discurso enganoso! Só uma vez o Besc foi quebrado e pelos governantes que ajudaram Paulo Afonso a saquear Santa Catarina, pegando emprestado R$800 milhões sem aval. Eram seus amigos! Houve uma CPI aqui! Por que é que não condenaram Esperidião Amin?
Que barbaridade! Como é que se pode mentir tanto? Como é que se pode enganar tanto? Como é que vai se repetir um discurso desses? Para manter esse discurso é preciso trazer provas, tem que trazer documentos! O que é que houve com a competência do PMDB que não exigiu na Justiça que fosse condenado quem quebrou o Besc naquela época da intervenção política, quando o PMDB mandava não só em Santa Catarina, época em que quebraram também a nação brasileira e depois repetiram em Santa Catarina?
Este PMDB que não deixou saudade! Ou esquecemos que já na época de Casildo Maldaner servidores do Estado de Santa Catarina não festejaram Natal e Ano Novo com os seus salários!
Penso que esse direito ninguém me tira, o de vir falar que na época do ex-Governador Paulo Afonso servidores de Santa Catarina não festejavam Natal e Ano Novo com o resultado dos seus salários. Penso que isso tenho direito de vir falar!
Quando também falam que não há obras para mostrar, Deputado Manoel Mota, quero dizer a V.Exa. que em saúde, se V.Exa. não sabe fazer contas: 28 estabelecimentos nós tínhamos durante a história de Santa Catarina atendendo em alta complexidade. Três anos e meio depois do Governo Esperidião Amin são 95 estabelecimentos de saúde atendendo na alta complexidade. Em saúde básica, em média complexidade, nós tínhamos em Santa Catarina 43 estabelecimentos. Estamos com 145 estabelecimentos atendendo a média complexidade.
Só no estímulo e no apoio que nós, juntamente com o Governo Federal, fizemos na implantação da saúde básica, tanto no programa PSF, quanto no agente comunitário, temos 13 mil funcionários há mais trabalhando em saúde. Em educação nós temos um parque de obras como nunca se viu em Santa Catarina. Agora, com uma diferença obras com tanta qualidade, que o Sr. Deputado Manoel Mota não viu nenhuma. Eu posso lhe dizer que tenho 842 obras em andamento na Educação. Mas se o Sr. Deputado Manoel Mota não viu também, quero dizer que tem 44 mil filhos de catarinenses, filhos de agricultores, de operários, recebendo incentivos da bolsa de estudos.
Então, queria que ele mostrasse na época do Governo do PMDB quem é que recebia bolsas de estudos em Santa Catarina. Se o Sr. Deputado Manoel Mota não sabe nós temos cinco mil filhos de pessoas carentes no Programa Primeira Chance. Eu queria que ele mostrasse quantos teve naquela época. Mas também queria que ele mostrasse quantos convênios eram mantidos nesse Estado, seja do transporte escolar, seja nos hospitais regionais que não recebiam o dinheiro do repasse dos convênios assinados. Eram 85 milhões de reais se o Sr. Deputado não sabe. Mas tenho a lista ampla na saúde de 85 milhões de reais investido em equipamentos nos nossos hospitais para melhorar a estrutura da saúde.
Se o Sr. Deputado Manoel Mota não sabe só no Banco da Terra temos 8 mil novos proprietários de terras em Santa Catarina, filhos de arrendeiros, filhos de agricultores. Se o Deputado não sabe estamos, hoje, chegando a 6.300 famílias integradas no Programa da Renda Mínima, que é um dos mais importantes em Santa Catarina. Se o Deputado não sabe nós estamos entregando 22 obras, isso graças a saneamento do Estado de Santa Catarina. Foi saneando as finanças de Santa Catarina que nos permitiu, então, poder começar a contratar novas obras.
Pagamos só no Banco Mundial 68 milhões de dólares. Talvez o Sr. Deputado Manoel Mota possa fazer essa conta e nos dizer da onde é que vem o dinheiro, senão da economia.
Nós temos hoje, então, 22 obras. E nenhuma é para Santa Catarina? O Secretário Leodegar Tiscoski, Presidente do nosso Partido, com muita honra, tem feito um trabalho exemplar na frente daquela Secretaria. Mas quero lembrar o Sr. Deputado Manoel Mota que nem para limpar as beiras das estradas servia o Governo que passou. Nem manutenção das nossas estradas nós tínhamos.
Nós queremos lembrar do episódio que envergonhou Santa Catarina, que foi a estadualização da BR-470 com a concessão que deram para um grupo de amigos para explorá-la. E nesta BR-470 implantou-se um pedágio que custava 195 reais, na época, para quem vinha com caminhão 5 eixos, de Campos Novos a Navegantes.
Mas isso tudo é pouco! Queremos só colocar para o nosso Deputado que ele tem que lembrar, quando critica alguém, do que significou criar uma Invesc em Santa Catarina e, com esta Invesc, usurpar, colocar a mão, em duzentos e vinte milhões de ações da Celesc, empresa pública. Saquearam a Celesc, criaram esta empresa e fizeram desaparecer este dinheiro. E o que é a Invesc em Santa Catarina hoje?
Mas também se ele não lembra eu quero perguntar onde é que está a Empresa de Habitação Catarinense, que eles colocaram no mercado, pagaram 95 milhões de reais por ela e fizeram desaparecer o dinheiro.
Mas, se o Deputado não lembra eu quero perguntar onde está o dinheiro dos títulos das malfadadas Letras, que envergonharam a sociedade catarinense e o Brasil? Se o Deputado não lembra é assunto que podemos debater. Essas oportunidades nós vamos ter para debater! Mas se ele não lembra, eu quero perguntar onde é que foi enfiado os 340 milhões de reais que foi saqueado do servidor de Santa Catarina? Isto vocês vão ter que prestar contas!
Este direito eu tenho, de vir na tribuna, este direito ninguém vai me tirar, ou seja, o direito de falar. Agora, nem por isso estou denegrindo a instituição chamada PMDB. Eu estou falando de pessoas. Voltar a falar em Paulo Maluf, meu chefe, é discurso de um passado, porque eu escuto gente ainda falar do Regime Militar como se ele fosse o patrono de ter derrubado o Regime Militar, que era de uma época, era a história de um passado, no qual a sociedade saiu na rua, revoltou-se e acabou com ele. Mas não é título dado a nenhum Partido. É, sim, um título, uma honra, uma vitória da sociedade brasileira.
Todo mundo sabe que não sou malufista! Mas poderia falar, então, do Jader Barbalho, Presidente do PMDB. Poderia falar isto, se fosse o caso. Não vim para falar disto, só vim para dar um testemunho, para buscar explicação de como é que alguém como Luiz Henrique, como é alguém como Jader Barbalho, como é que alguém como Paulo Afonso poderia estar abraçado com Luiz Henrique da Silveira. Ou ele vem para o palanque e vai dizer que Paulo Afonso é um homem sério, que Jader Barbalho é um homem sério, porque se assim não disser vai ficar para nós o entendimento de que ele concordava com aqueles que ajudaram a saquear o Brasil e a saquear Santa Catarina. Então, é isto que eu só estava dizendo! É um direito que eu tenho que vir à tribuna e poder falar isto.
Agora, vir aqui e dizer que não temos uma obra para mostrar é uma ofensa que só aceitamos daqueles que ajudaram a saquear Santa Catarina, porque outro não poderia dizer isto, outro não tinha moral e nem condições para dizer isto.
Agora, quem fez o que fez com Santa Catarina pode dizer as bobagens que quiser, porque a sociedade também já não acredita mais nesta gente. A sociedade já deu um não para esta gente. A sociedade não vai aceitar mais este tipo de discurso. Está na hora de mudar o discurso!
Mas eu quero dizer para minha gente de Santa Catarina que eu venho nesta tribuna não para ofender pessoas, porque eu gosto muito dos Parlamentares do PMDB nesta Casa, aqui tem pessoas muito competentes, leais, e que não sabem dizer uma palavra para ofender, E quando eu olho para essas pessoas eu me sinto até constrangido de estar na tribuna dando estas respostas.
Mas eu cumpro com o meu papel, eu cumpro com o meu dever de defender aquele que recebeu a mais difícil e espinhosa missão, que era resgatar a governabilidade deste Estado, que foi Esperidião Amin. Que era devolver um Estado em condições de ser útil e de servir à sociedade novamente. E eu tenho que ter lealdade com o meu Partido e defendê-lo nesta tribuna e, acima de tudo, tenho que ter lealdade comigo, com a minha consciência, de saber que eu tenho que defender aquilo que é certo e ter o direito, o dever de dizer e rebater quando estão mentindo, quando estão denegrindo, quando estão ofendendo quem não merece.
E hoje governamos para a maioria: Esperidião Amin governa para a sociedade catarinense e governa, acima de tudo, para devolver o otimismo, a motivação e o respeito à sociedade catarinense, e para devolver a Santa Catarina um Governo parceiro e um Governo que faz!
Então, esse é o direito que espero que o PMDB saiba entender, porque sempre vim aqui para rebater essas críticas, quando aqueles que não têm compromisso com a verdade vem aqui simplesmente usar os microfones para atingir, denegrir e ofender aqueles que, através de muita luta e muito trabalho, estão tentando fazer o melhor pela sociedade catarinense.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)