Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

3ª Sessão Extraordinária - 20/03/2013

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, sr. deputados há pouco o deputado Gilmar Knaesel falou com propriedade sobre a questão da água potável no mundo e apresentou dados bastante interessantes compilados por sua assessoria, que nos levaram a uma grande reflexão.

Estivemos na Espanha há dois anos onde participamos de um congresso mundial sobre a falta da água que é iminente no mundo. Em algumas partes do mundo é real esse perigo. Nós aqui ainda temos a possibilidade de utilizar água em abundância, sem nenhuma preocupação.

Mas, como estava dizendo, aquele congresso contou com a presença do professor Dorival Bruni, que é o presidente do Biosfera Instituto Ambiental, além de outros importantes especialistas, que proferiram palestras sobre essa questão. Ou seja, tivemos a presença e a contribuição de autoridades com profundo conhecimento de causa.

O deputado Gilmar Knaesel fez uma análise sobre o fato de que enquanto o mundo todo está preocupado com a questão da água, procurando alternativas para que ela não falte num futuro muito próximo, no Brasil só tem consciência da possibilidade de faltar água aqueles que estão diretamente ligados à questão. No nosso caso, o presidente da Casan, Dalirio Beber, do nosso partido, que há alguns dias comentava comigo que só veio a se conscientizar dessa questão quando passou a tratar mais de perto do assunto.

Muitos dos que estão-nos acompanhando devem ter em suas casas o sistema de aquecimento a gás. Assim, quando vão para o chuveiro tomar banho, abrem a torneira e deixam a água correr por um bom tempo até que ela esquente. Nesse meio tempo, o desperdício de água é impressionante. Além disso, os sanitários no Brasil são higienizados com água potável. Nós não temos, por exemplo, um botão para uma situação mais econômica e um botão com maior quantidade de água para eliminar dejetos.

Eu, quando estava fazendo uma pequena reforma no meu apartamento, sugeri ao cidadão que estava fazendo a obra hidráulica que colocasse no sanitário o sistema de dois botões, um que usa menos água e outro com mais água. Mas ele me aconselhou a não perder tempo com isso porque considerava uma besteira, uma perda de tempo.

O que quero mostrar com isso? Que está culturamente impregnado em nós o desperdício de água. Só vamos ter consciência disso no dia em que o problema começar a bater forte na nossa porta. Nós temos, muitas vezes, falta de abastecimento d'água em função do rompimento da rede, por exemplo, mas não temos ainda a consciência de que podemos não ter água nas nossas casas por falta de local para captação ou por esgotamento da sua captação, o que não vai demorar muito para acontecer.

Achei interessante que naquele congresso em que fui há dois anos e meio já havia essa preocupação. Na verdade, existe essa preocupação nos países europeus que, inclusive, já aproveitam a água da chuva para usar em sanitários, para lavar louça, deixando a água potável somente para o consumo humano.

É preciso que os governos municipais, estaduais e federal se conscientizem e comecem a lançar campanhas institucionais visando conscientizar o cidadão sobre o uso consciente da água.

A mesma coisa ocorre com a energia elétrica. De vez em quando ficamos sabendo de apagões lá no nordeste. Vamos, e muito rapidamente, ter problemas com a falta de energia elétrica. Mas a população não se preocupa em instalar lâmpadas econômicas nas casas. Não existe preocupação nenhuma porque não temos nem a cultura de apagar as lâmpadas nos locais que não estão sendo usados.

Lembro-me de que minha mãe incutiu em minha mente, quando era pequeno e deixava a luz acessa, a necessidade de apagar as luzes. Ela dizia assim: "Meu filho, luz que se apaga, é luz que não se paga. Desliga isso!"

Por isso, só queria fazer esse adendo ao comentário que o deputado Gilmar Knaesel fez há pouco e completar a minha fala com outro assunto, que é a questão da segurança pública, mas infelizmente tenho pouco tempo.

De qualquer forma, corroboro as palavras do deputado Maurício Eskudlark em relação à segurança pública, alertando-o para o fato de que muito vai tentar fazer na comissão de Segurança Pública, mas pouco vai conseguir, porque esse é um problema globalizado, um problema muito sério, que vem desde a desestruturação da família, ao flagelo das drogas e culmina com a marginalidade, com a falta de prisões etc.

Obrigado, sr. presidente.

(SEM REVISÃO DO ORADOR)