Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Joares Ponticelli

87ª Sessão Ordinária - 07/10/2014

O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, srs. deputados, servidores da Casa, catarinenses que nos acompanham através da TV Assembleia e da nossa Rádio Alesc Digital, é com muita alegria que voltamos, deputado Sargento Amauri Soares, depois de um calendário especial e de uma longa caminhada que empreendemos para uma eleição que ainda não acabou. Ainda teremos, daqui a 19 dias, o turno final da eleição presidencial.

Hoje no almoço, deputado Ciro Roza - e tenho certeza de que vamos contar com v.exa. nessa caminhada também -, reunimos as bancadas do PP e do PSDB, juntamente com Dalírio Beber, toda a coordenação da campanha do nosso candidato Aécio Neves aqui em Santa Catarina e o coordenador-geral, que é o nosso senador Paulo Bauer, e já recebemos adesões, como o deputado Edison Andrino, que já nos procurou e informou que está aderindo também ao projeto Aécio Neves. E estamos aguardando outras manifestações. Sei que os partidos vão-se reunir ao longo desta semana e estamos, deputado Ismael dos Santos, ampliando esse comitê pró-Aécio Neves para que no próximo dia 26 possamos garantir em Santa Catarina, que já conferiu ao presidenciável Aécio Neves o melhor resultado do Brasil, também no segundo turno uma grande eleição.

Mas nesta primeira manifestação pós-eleição queremos agradecer ao nosso partido, à nossa coligação e a todos aqueles que caminharam conosco ao longo desses 90 dias numa empreitada difícil, numa coligação montada no último dia, no dia das convenções, deputado Silvio Dreveck, sem um planejamento anterior, mas mesmo assim fizemos uma bela caminhada. Eu e o senador Paulo Bauer saímos do processo eleitoral com a consciência do dever cumprido, porque, como bem disse aqui o deputado Edison Andrino, é preciso - e eu tenho muita esperança de que Aécio Neves, presidente do Brasil, possa fazê-lo - encaminhar definitivamente o projeto de reforma política-eleitoral, porque esse modelo faliu e não pode mais prosseguir.

Por isso, deputado Narcizo Parisotto, as abstenções em número que nunca vimos em Santa Catarina nas grandes cidades, especialmente pelo desencanto, pela desesperança e pelo desalento de um processo que exauriu e precisa ser reconstruído para que o eleitor possa novamente renovar as esperanças no processo.

Esperamos uma reforma que possa unificar as eleições, que elas sejam feitas de cinco em cinco anos, no meu entendimento. Nós temos um sistema que permite isso, que acabe com o instituto da reeleição. Eu, de muito tempo, tenho me posicionado contra porque entendo que este instituto também torna a eleição muito desequilibrada, desigual, injusta. Quem está no poder, deputado Narcizo Parisotto, acaba se beneficiando de toda estrutura da máquina, evidente que ela funciona, e entendo que a eleição fica muito desequilibrada desta forma.

Também pela proibição de coligações proporcionais. Eu acho que é um equivoco, acho que isso enfraquece os partidos políticos. Então, é preciso que cada partido possa colocar as suas ideias, as suas bandeiras, as suas propostas no debate, na eleição proporcional.

Mas um dos fatores que também influenciaram muito na eleição aqui em Santa Catarina, e em diversos outros estados, é a questão das pesquisas eleitorais. Não dá mais, não é possível que nós não consigamos ver avançar no Senado da República o projeto que proíbe, que disciplina, e que proíbe a divulgação de pesquisas eleitorais a semanas, ou até durante toda campanha.

As pesquisas até podem ser utilizadas, sim, deputado Sargento Amauri Soares, mas para orientação interna dos comitês, porque na divulgação, da forma como elas são feitas, elas desequilibram as eleições. E o pior é quando institutos publicam números que se percebe de longe que são maquiados, que não são verdadeiros, que são manipulados. Aqui em Santa Catarina nós tivemos isso durante todo o período eleitoral.

Eu não ouvi até agora o Instituto Mapa fazer um pedido de desculpas ou uma tentativa de se explicar, porque este instituto divulgou duas pesquisas. No dia 06 de agosto o Instituto Mapa dizia que o candidato Raimundo Colombo tinha 41,4% de intenção de votos, Paulo Bauer 15,45% e Vignatti, 7,95%. Foi divulgada a pesquisa com grandes manchetes nos jornais, porque o somatório era ajustado para mostrar que o governador iria se reeleger no primeiro turno.

No dia 25 de agosto, deputado Ciro Roza, o mesmo Instituto Mapa divulgou uma pesquisa melhorando ainda mais a situação e a intenção de voto para o governador Raimundo Colombo. Ele passara de 41,4% para 46%, diminuindo a intenção de voto do candidato Paulo Bauer, que baixara de 15,4% para 13,5%, e diminuindo ainda mais a intenção de voto ao candidato Cláudio Vignatti, que baixara de 7,9% para 7,5%.

Eu não ouvi o Instituto Mapa tentar explicar o porquê de um erro tão grande, de uma falha tão grande. Ou o Instituto dá uma declaração dizendo que errou feio, e pede desculpas, que foi incompetente na avaliação da pesquisa ou a gente vai começar a pensar que teve outras motivações, porque no resultado da urna nós tivemos números exatamente opostos a isso.

Mas não foi só o Mapa que se prestou a isso. O Ibope, aqui em Santa Catarina, de novo, a exemplo do que fez em Blumenau em 2012 e em Joinville, em 2012, também errou, e errou feio aqui em Santa Catarina. Pela margem de erro do Ibope, hoje é terça-feira, mas poderia dizer que é sexta, sábado ou domingo, talvez. Ou, então, pela margem de erro do Ibope, deputado Sargento Amauri Soares, talvez não estejamos na Assembleia Legislativa, talvez estejamos numa igreja, num baile, num cafezinho, porque a margem de erro é mais ou menos essa.

O Ibope apontou, no dia 12 de julho, que o Colombo tinha 40%; no dia 25 de agosto, aumentou para 43%; no dia 14 de setembro, aumentou para 49%, depois, para 52%; e terminou com 58%. O Paulo Bauer, 10%, 19%, caiu para 17%, caiu para 16%, e subiu para 18% e o Vignatti ficou no 7%, 8%, 9% o tempo todo.

Aliás, o Ibope chegou ao feito inédito de divulgar duas pesquisas em uma semana em Santa Catarina. Eu nunca vi nada igual aqui no estado. As manchetes eram as seguintes: "Raimundo Colombo lidera a disputa." "Vitória no primeiro turno.", "Nova pesquisa aponta vitória no primeiro turno.", "Vantagem diminui, mas Raimundo vencerá no primeiro turno". Evidentemente que essas notícias todas dessas pesquisas manipuladas, não explicadas, e que tiveram um resultado completamente adverso, influenciaram, sim, para que não tivéssemos um segundo turno em Santa Catarina por uma diferença de apenas 1%. Voltarei a esse tema, porque amanhã mesmo pretendemos protocolar um projeto de lei para proibir a publicação de pesquisas aqui em Santa Catarina.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)