72ª Sessão Ordinária - 26/09/2001
O SR. DEPUTADO ADELOR VIEIRA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, vejo que o Deputado Nelson Goetten não está presente. Gostaria que estivesse para dizer que houve um equívoco na última sessão, quando disse que me passaria estatísticas da segurança pública em Santa Catarina.
Na verdade, Deputado Ivan Ranzolin, passou-me material da Zero Hora, que diz respeito ao Governo do Rio Grande do Sul. Então, está equivocado o Deputado Nelson Goetten mas, quem sabe, em outra oportunidade, poderemos conversar sobre isto.
Mas volto à questão da segurança pública, até porque o Deputado Nelson Goetten, naquela oportunidade, dizia que a segurança pública vai bem em Santa Catarina e no Norte do Estado. Trago umas poucas matérias da imprensa de Joinville. No dia 21/09 tem uma matéria do colunista Antônio Neves, que diz: "Segurança Pública" e fala sobre a reunião que o Prefeito em exercício iria realizar no dia seguinte.
Diz que as Delegacias de Polícia estão desmanteladas pela falta de maior número de policiais e que não podem, sequer, fazer investigações contra a violenta escalada do crime em Joinville. Convidou a ACIJ, o CDL, enfim, todos os segmentos da sociedade Joinvillense.
Ainda no Jornal A Notícia do dia 20 temos matéria estampada: "PM não reabre posto instalado na praça." Na praça pública em Joinville, na Praça Nereu Ramos, há mais de 50 dias, um posto da Polícia Militar está fechado e a alegação é de que este posto estava fechado para reforma. Só que deveria voltar a funcionar nos próximos dias e, até hoje, a reforma não aconteceu e o posto continua fechado.
Presidente, até saiu uma charge, outro dia, exatamente do posto policial, dizendo: "Posto policial no centro da cidade continua fechado." E o chargista diz: "Foi fechado para reforma, mas já faz um tempão." E o outro diz assim: "Sei não, em linguagem militar reforma é aposentadoria." Então, se traduz que aquele posto policial será mesmo aposentado.
Como se isso não bastasse, ainda nesta mesma semana, o jornal traz o seguinte: "Falta de estrutura favorece criminosos." E mais: "Representantes dos policiais"... Não é o Deputado Adelor Vieira, não estamos inventando e nem fazendo demagogia, como alguém pretende insinuar porque, graças a Deus, não nos prestamos para fazer este tipo de coisa. Estamos cumprindo, Sr. Presidente e Srs. Deputados, com o dever que nos cabe, porque a população, o eleitor, nos enviou para cá para sermos seu representante, trazermos os problemas e buscarmos as soluções.
Então diz assim: "Representante de policiais diz que a categoria está desmotivada. Joinville dispõe apenas de apenas 100 Policiais Civis trabalhando, o resultado vem se traduzindo no significativo número de crimes sem solução. Os investigadores trabalham desmotivados, com grandes dificuldades, salários defasados, falta de recursos."
As afirmações não são minhas, conforme disse o Deputado, na última semana, que eu estava agindo de forma demagoga ou politiqueira. A informação é dos policiais, Deputado Jaime Duarte. E diz um policial, lotado do 6º DP, que é Presidente da Associação dos Policiais Civis: "A situação é muito grave". Ele é professor e diz que depende muito de contratação de novos policiais para poder ser resolvido o problema.
Trago ainda, Sr. Presidente e Srs. Deputados, uma outra matéria, também desta mesma semana, do dia 22.09.01, que diz: "população reage contra violência." Então, é a população que está clamando.
Participamos de uma importante reunião, com a presença dos Deputados Francisco de Assis, Jaime Duarte e outros que enviaram representantes, como este Deputado que naquela oportunidade não pode comparecer pois estava em Canoinhas em outro compromisso, mas diz assim a matéria: "Joinvillenses amedrontados se reuniram ontem com o Prefeito em exercício, Marco Tebaldi, para apontar culpados e soluções para reverter o quadro da violência urbana em Joinville; falta de investimentos, número reduzido de policiais e aumento da pobreza, foram os itens mais enfatizados."
Se abrirmos a matéria diz assim: "Violência urbana provoca reação." Estou fazendo questão de ler, porque foi dito que é coisa da minha cabeça. Mas, além de ler, todos estes fatos foram comprovados, Deputado Reno Caramori, por este Deputado e por outros da nossa região, in loco. E diz: "A violência urbana provoca reação." "Sociedade Joinvillense se reúne para apontar falhas e buscar soluções para o problema que vem crescendo." E adiante alguém diz: "Não estamos equipados e os policiais não recebem um salário à altura de seu trabalho e o número também é reduzido para atender a cidade."
Então, Sr. Presidente e Srs. Deputados, esta é a situação por que passa a sociedade Joinvillense, por extensão, a catarinense.
Leio ainda, de uma outra edição, da mesma semana, que diz assim: "Os Deputados Adelor Vieira e Nilson Gonçalves visitaram, quinta-feira passada, os distritos policiais para levantamento dos problemas. Segundo relato dos Parlamentares, há dez anos haviam onze delegados de polícia..." E já citei isto aqui. Na verdade, há um pequeno erro, haviam 25 e hoje só há 11. Só 11! Tínhamos menos de 300 mil habitantes e hoje estamos quase com 500 mil.
Então, há um descaso ou não há para com Joinville? Investimentos estão sendo feitos, é verdade! Amanhã o Governador deve inaugurar uma sala no presídio. Tem ido algumas viaturas, alguns equipamentos! Mas temos que fazer justiça ao Governo Federal que tem enviado estes recursos. Esses recursos vêm do Governo Federal e ninguém disse aqui!
Mas, equipamento sem elemento humano não dá! Não se pode fazer segurança pública com robô! Robô se utiliza nas indústrias, na indústria automobilística, Deputado Jaime Duarte, mas entendo... Estou querendo crer que o Governador quer, quem sabe, fazer uma licitação para comprar robô para colocar em Joinville, em Criciúma, Lages, em Chapecó, porque não vai contratar de jeito nenhum!
No A Notícia do dia 25 diz: "quatro pessoas são mortas na região." Região de Joinville! "Assassinatos agitam polícia na região norte." Outra matéria! "Assaltante solitário ataca supermercado." Quem agüenta isso, meu Deus? Todos os dias são três, quatro matérias, Deputado Manoel Mota. Não dá mais para agüentar! Não há mais clima para isto! Então veja aqui: "Ladrão armado leva malote com R$29 mil proveniente de vendas feitas na sexta-feira. Um homem armado e não identificado, trajando roupas pretas, boné, fez um assalto audacioso levando um malote de R$29 mil do Supermercado Angeloni." Assim...
A bandidagem está solta, agindo 24 horas por dia, e se não tomarmos uma medida... E assim poderia ler, tem mais coisa aqui: taxista, agora. Taxista... E isso aqui é tudo do dia 26. O de hoje também poderia ler, porque tem mais quatro ou cinco matérias assim: "Taxistas estão amedrontados." "Insegurança aumentou no Domingo com assalto de motorista que foi trancado no porta-malas." E o Governador diz que é normal! O Secretário de Segurança diz que é normal! O Deputado Nelson Goetten diz que é normal e que no Rio Grande do Sul está mais!
Não quero saber do Rio Grande do Sul, quero saber de Santa Catarina! Não recebi um voto no Rio Grande do Sul! Os votos que me elegeram tiveram por base o território catarinense e, na sua grande maioria, Joinville! Para estes devo satisfação!
Vem me trazer estatística do Rio Grande do Sul e dizer que, porque lá está ruim aqui pode ficar como está...?! Pára com isso!! Vamos parar de iludir a nossa população e vamos abrir concurso, antes que seja tarde demais.
Não podemos continuar mais com essa balela dizendo que o outro Governo.... que o Governo anterior não pagou, pagou, deixou de pagar. Quero saber o que este Governo está fazendo!
Vejam só a última matéria. "Casal refém de ladrões." Essa é uma matéria recente. "Assaltantes invadem casa e mantiveram as pessoas sob mira das armas para retirar dinheiro do banco." Quase idêntico ao que aconteceu com o apresentador Sílvio Santos. A mãe foi levar a criança no colégio, voltou, ao chegar em casa é surpreendida, rendida com arma de fogo. O bandido prende todos os familiares. Onde é que nós estamos?! Que saudades tenho do tempo em que morava na rua Pedro Lessa e dormíamos com a porta apenas encostada e as janelas abertas!
Sei que os tempos mudaram, que precisa maior segurança e, por isso que estamos pedindo: Sr. Governador, por favor...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)