119ª Sessão Ordinária - 03/11/1999
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, pela parte da manhã tive conhecimento da punição da região Sul do Estado de Santa Catarina, que encontrando um desconforto recorreram à minha pessoa.
Não tínhamos dúvida nenhuma, quando se iniciou esta situação em nível nacional sobre as privatizações das empresas, Deputado Moacir Sopelsa, que estavam entregando as empresas públicas brasileiras, compradas com o dinheiro do povo brasileiro, com o dinheiro do BNDES.
E aí não precisa recorrer a ninguém nem fazer muita força para saber que a Telesc, hoje Telesul, já começou a mostrar o que significa a privatização das empresas do Brasil e daqui, de Santa Catarina, tanto é que fui comunicado de que uma das agências da Telesc em Criciúma, em Pinheirinho, e outra em Sombrio estavam sendo fechadas. Mas nas microrregiões não manteriam as agências para poder dar o atendimento ao patrimônio que foi investido com o dinheiro do povo, evidentemente, com o dinheiro dos catarinenses? Não tinham dado essa tranqüilidade, essa segurança?
Mas quando chegamos de Recife, a primeira coisa que ficamos sabendo é que todos os funcionários da Telesc daquela regional de Araranguá já estão com aviso - todos! Será fechado o escritório regional da Telesc; aquela estrutura que dava todo o conforto para resolver as questões de telefonia da região, de repente, não existe mais.
Será que vamos deixar acontecer o desmando que estamos vendo neste País? E agora avançou na nossa região! Deputado Moacir Sopelsa, vamos ficar dependendo do Paraná, porque a Telesc de Santa Catarina vai ser fechada! Vamos depender do Paraná! E os funcionários, desesperados, aqueles que já não cederam à vontade da empresa para irem para o Paraná, estão, todos, ameaçados de ir para a rua.
Então, quando nós aqui, a nossa Bancada do PMDB, levantamos a bandeira contra a privatização, contra a federalização do Besc, provamos mais uma vez que estávamos no caminho certo. Por quê? Porque hoje a Telesc, como já foi privatizada primeiro, está aí mostrando-nos o resultado. Não vai ficar, não, nem um servidor.
Aqueles que ganhavam razoavelmente já estão na rua ou irão para a rua! Já estão contratando trabalhadores por R$300 reais para trabalhar na área, quer dizer, para esta empresa que fez esta grande compra poder, evidentemente, lucrar mais, porque comprou, usou o dinheiro do povo, vai pagar a conta com o dinheiro do povo e vai ficar com o patrimônio.
É um negócio fantástico! É um negócio que só acontece no Brasil, e acontece de graça! Só estamos vendo o País perder. E o mesmo vai acontecer com o nosso Besc, entregamos e federalizamos o Besc, vamos pagar a conta de dois bilhões e duzentos milhões. No ano que vem, porque estamos no fim do ano, mas em 2000 será privatizado e vão entregar o Besc para as empresas por uma meia dúzia de centavos. E vamos assistir serem pisoteados os cinco mil e quinhentos servidores do Besc também.
Esta é a situação que vivemos no País. Em outros momentos do nosso Governo, quando houve alguma forma de dar a entender que isso aí poderia acontecer, a Bancada do PMDB foi firme sempre: não mandem projetos nessa direção porque somos contra, somos contra a federalização e a privatização! E por que somos contra? Porque fomos eleitos para preservar o patrimônio do povo de Santa Catarina, como os Deputados Federais são eleitos para defender o patrimônio do povo brasileiro. E não é isso que está acontecendo.
Estamos vendo escapar, pelo meio dos dedos, todo o nosso patrimônio. E agora, aqueles servidores da Telesc que se dedicaram ao longo de 20 anos ou mais da sua vida ao trabalho da Telesc, esses grandes servidores que prestavam grandes serviços, como é que ficam? Como irão ficar nesta situação que estamos vivendo, quando colocam para a rua como bem entendem? Ou seja: aqui vocês não mandam mais nada, acabou, quem manda somos nós.
São essas questões que nos deixam indignado, que nos fazem vir à tribuna, que nos fazem encaminhar, e já está sendo encaminhado, um requerimento para eles saberem que não vai ser de graça que eles vão pisotear em cima do servidor da Telesc em Santa Catarina. Não vai sair de graça, não! Nós iremos lutar para defender aqueles que foram fundamentais ao longo do tempo na grande estrutura que a Telesc tinha em Santa Catarina.
O Sr Deputado Moacir Sopelsa - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Pois não!
O Sr. Deputado Moacir Sopelsa - Sr. Deputado, V.Exa. levanta um assunto muito importante.
Deputado Manoel Mota, no Oeste de Santa Catarina não é muito diferente. Irão fechar todas as agências da Telesc em Santa Catarina, todas! Ficará apenas um posto avançado em Florianópolis, e dependendo do Estado do Paraná.
Muitas vezes, antigas lideranças políticas brigavam para que se distribuísse o atendimento nos Municípios, no interior do Estado. E hoje, infelizmente, vemos a Telesc fechar suas agências em todo o Estado de Santa Catarina.
No Município de Concórdia, Deputado Manoel Mota, a Telesc arrecada perto de um milhão e quatrocentos mil reais por mês e tem uma despesa de vinte e cinco mil reais, mas vai fechar o seu posto.
Isto é o começo, e V.Exa. coloca bem: amanhã ou depois vamos ver o Besc, depois, vamos ver a Celesc, depois, vamos ver a Casan...
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Depois, não tem mais nada.
O Sr. Deputado Moacir Sopelsa - Depois, não vamos ter mais nada, daí vamos ter o slogan: lá, tinha! Lá, tinha Besc, tinha Casan, tinha Telesc; lá, tinha, não vai ter mais.
Feliz, Deputado Manoel Mota, da nossa Bancada em Santa Catarina ter essa posição. E lamentavelmente tenho que dizer que o meu Partido, em Brasília, não tem a posição que temos em Santa Catarina. Muitos dos nossos Deputados votam a favor, e isso me deixa triste e dá-me vontade de desembarcar deste governo do Fernando Henrique Cardoso, que está vendendo o País e não está encontrando soluções para dar empregos, para diminuir a dívida, para o nosso agricultor, para a população mais pobre e que tem mais dificuldades.
V.Exa. está de parabéns, pois não podemos ficar quietos. Outrossim, no próximo sábado vamos dizer aos nossos maiores líderes o que está acontecendo com a privatização das empresas do Governo.
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Agradeço o aparte de V.Exa. e incorporo-o ao meu pronunciamento. Neste instante não iremos travar uma luta, vai ser uma guerra. Não vai ser de graça que irão triturar, pisotear os servidores públicos da Telesc aqui em Santa Catarina.
Com muita tristeza estamos vendo, sim, o nosso Partido dando apoio a um Governo que está vendendo o patrimônio do povo brasileiro, entregando-o para os grandes grupos, para os grandes banqueiros e para as grandes empreiteiras. E o nosso Partido, sim, não todo, mas parte dele, está dando apoio.
Então, é preciso registrar que o PMDB precisa criar vergonha na cara e desembarcar...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISOR DO ORADOR)