25ª Sessão Ordinária - 10/04/2002
A SRA. DEPUTADA IDELI SALVATTI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, o que me traz à tribuna no dia de hoje é a coluna do Cláudio Prisco Paraíso, que tem como título Incompetência ou Má-fé e termina com “lance de esperteza com requintes de leviandade”.
E eu não poderia, obviamente, deixar de me reportar a esta coluna nem à forma como ela começa, como termina nem ao seu conteúdo, porque o colunista se refere a informações que eu prestei a ele, as quais o levaram a fazer uma coluna a respeito da concentração de recursos no Município de Florianópolis, em detrimento dos demais Municípios do Estado - concentração de recursos do Governo Federal.
Eu quero dizer que acessei o site Orçamento da União, site público e notório. O colunista Cláudio Prisco Paraíso, além de receber as informações, recebeu cópia, xerox, de todos os dados que eu lhe passei.
Se cometi algum equívoco (quero denominar de equívoco) é porque não poderia imaginar, não me passou pela cabeça, Deputado Rogério Mendonça, como também não passou pela cabeça do colunista (tanto que publicou), que nos recursos destinados ao Município de Florianópolis estivessem incluídos todos os repasses dos órgãos do Governo Federal para a Capital do Estado, porque isso só aconteceu, no caso, em Florianópolis. Nos outros 292 Municípios os dados do Orçamento são exclusivamente dos recursos destinados à Prefeitura ou a convênios da Prefeitura com instituições do Município.
Se eu me equivoquei no tamanho da concentração (estou reconhecendo que me equivoquei no tamanho da concentração), Deputado Rogério Mendonça, mas não me equivoquei no mérito. E aí vou usar a mesma coluna do Prisco Paraíso para dizer que há indiscutivelmente concentração de recursos na Capital do Estado, porque segundo os dados publicados no dia de hoje: Florianópolis recebeu não mais de 4 milhões, não mais de 4 milhões, em 99; 11 milhões em 2000 e 10 milhões e meio em 2001, num total de 25 milhões e meio nesses três anos.
Só que, Deputado João Macagnan, o seu Município, Itajaí, nesses três anos, recebeu 1.845 milhão, menos de 10%. A maior cidade do Estado, Joinville, recebeu 4.400 milhões, menos de um quinto. E Blumenau, outra grande cidade do Estado, recebeu menos de 10%, 2 milhões e meio.
E se não fossem os números que foram retirados da coluna do Prisco Paraíso e dos mesmos dados que eu mandei cópia a ele, que são os dados do Orçamento da União, basta circular no Estado...
Eu moro na Capital, eu quero dizer que tenho muita satisfação de ver a minha Capital com obras, eu acho que todos que moram aqui gostam de ver as obras, o atendimento das nossas necessidades. Mas eu sou Deputada do Estado, eu circulo no Estado, eu tenho contato com toda a população de Santa catarina. E se não fosse a ostensividade da concentração que os números e as obras mostram, a voz corrente em Santa Catarina seria uma só. E talvez isso é que tenha deixado o Governo do Estado, os representantes do Governo do Estado, aqui, tão possessos e indignados, porque isso veio ao encontro à voz corrente das ruas, ou seja, há uma discriminação dos 292 Municípios de Santa Catarina. Há! Isto é inequívoco, basta passar a ponte.
Então, eu queria dizer ainda que também na coluna fui acusada de ficar muda, em silêncio, como se tivesse sido pega num ato criminoso, escondendo-me.
Quero, em primeiro lugar, desafiar os Parlamentares desta Casa, na condição de saúde que me encontro, com três hérnias de disco, a estar permanentemente aqui cumprindo com obrigações Parlamentares. E depois não vou ficar fazendo bate-boca. Já há muito tempo que deixei de responder a determinados Parlamentares nesta tribuna.
Estou vindo aqui hoje em consideração ao colunista Cláudio Prisco Paraíso. Agora, não vou bater boca com Deputado governista, que sistematicamente vem a esta tribuna derramar verborréia, num baixo nível. Aliás, Deputado Rogério Mendonça, personalidades sobre as quais todos nós temos que ter sempre aquela análise do seu comportamento, entre o que falam e o que fazem.
Se não respondi antes, volto a dizer, é porque não vou bater boca com determinados Parlamentares que do meu ponto de vista não merecem credibilidade, pela sua atuação política, pela ficha corrida, que têm que prestar contas na Justiça, pelas suspeitas que estão colocadas sobre a cabeça dessas figuras. Então, não vou responder.
Agora, tenho a obrigação de responder a uma figura como Cláudio Prisco Paraíso, de dizer que não me sinto incompetente, leviana, espertinha ou de má-fé por um equívoco que cometi, como qualquer outra pessoa que acessasse aos dados que ele também teve xerox nas mãos para poder fazer a sua análise.
Então, eu fico muito tranqüila de vir a esta tribuna fazer os esclarecimentos devidos, os reconhecimentos devidos, mas quem tem que prestar contas de crimes, suspeitos ou cometidos, não sou eu.
Eu não cometi nenhum crime. E a concentração em detrimento dos 292 Municípios é voz corrente. Talvez por isso o desespero.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)