76ª Sessão Ordinária - 29/10/2002
O SR. DEPUTADO JOÃO HENRIQUE BLASI - Sr. Presidente e Srs. Deputados, quero me deter, e nem poderia ser de outra forma, no episódio cívico verificado no último Domingo, quando milhões de brasileiros acorreram às urnas para manifestar, de forma livre e soberana a sua vontade quanto ao futuro do nosso País pelos próximos quatro anos.
Detendo-me preliminarmente no cenário nacional, não posso deixar de consignar a ruptura histórica com a tradição que nós tivemos a ventura de protagonizar e vivenciar no último domingo. Pela primeira vez chega ao comando do País alguém que não provém das classes privilegiadas, das elites tradicionais.
É digno de registro que isto se fez de forma absolutamente democrática, dentro das regras do jogo: uma ruptura sem traumas, a exemplo do que aconteceu há alguns anos atrás na Espanha, com a vitória de Felipe Gonzalez.
Cabe agora ao Presidente eleito da República a tarefa de encaminhar a transição de Governo para o atingimento de dois grandes objetivos, o primeiro manter a estabilidade monetária, que, indubitavelmente, foi uma das grandes, senão a grande conquista do atual Governo, e o segundo aprofundar grandemente as políticas sociais, aumentar a inclusão social e conseqüentemente reduzir o nível de desigualdade social que lamentavelmente grassa por este País afora, de Norte a Sul e de Leste a Oeste.
O Presidente eleito soube encarnar a forte demanda social pela mudança como ninguém, e por isso granjeou um resultado eleitoral digno de encômios, como tendo sido o Presidente da República que até hoje, em todos os países democráticos, alcançou o maior contingente de votos.
Quem como nós teve a oportunidade de presenciar, de ver e de ouvir as suas primeiras declarações, pôde constatar o preparo, a maturidade e algo que me chama a atenção, que chega até a impressionar, um misto de sabedoria com humildade, que é profundamente interessante, diria até fundamental, para quem vai dirigir os destinos de um País tão grande como o nosso.
No âmbito estadual, Srs. Deputados, Santa Catarina não foi exceção. Os ventos da mudança também se fizeram aqui presentes, e nós tivemos a constatação, o corporificação, a concretização daquele que é um dos elementos essenciais da democracia, isto é, a alternância do poder.
Mantendo a tradição histórica da nossa Unidade Federativa, tivemos uma vez mais um pleito extremamente disputado, como já acontecera na década de 50 entre Jorge Lacerda e Francisco Galotti e como se repetiu no início dos anos 80 entre Esperidião Amin e Jaison Barreto. E agora, na primeira eleição do terceiro milênio, nós tivemos também um pleito extremamente disputado entre Luiz Henrique da Silveira e Esperidião Amin.
Algumas lições com certeza temos a extrair desse embate eleitoral. Uma delas é a de que ninguém, absolutamente ninguém, é imbatível, de que ninguém pode tudo sozinho e contrariamente, em parceria, pode-se muito coisas conseguir.
A parceria foi a palavra de ordem que motivou e uniu duas agremiações partidárias no segundo turno deste pleito, onde PT e PMDB se uniram com maturidade, com transparência, com seriedade e com alto nível de engajamento.
Por isso quero, nesta oportunidade, render os meus elogios às figuras de proa do PT em Santa Catarina e não poderia, sob pena de rematada ingratidão, deixar de fazer menção aos nomes do Presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, do candidato a Governador José Fritsch, do Presidente Estadual Milton Mendes de Oliveira, da Senadora eleita Ideli Salvatti e do coordenador da campanha em Santa Catarina Eurides Mescolotto.
Desde os primeiros contatos que travamos com o PT, através de comissão do PMDB, da qual participei, tratamos da questão em alto nível, buscando a reciprocidade de apoio, ou seja, emprestando o apoio do PMDB à candidatura de Lula e recebendo, em contrapartida, o apoio do PT à eleição de Luiz Henrique, sem que fosse condicionada essa ou aquela posição futura, esta ou aquela benesse, apenas um compromisso recíproco de apoio para que pudéssemos obter, tanto no âmbito estadual quanto no nacional, o resultado de vitória afinal alcançado.
Por isso cabe esse registro quanto a Partidos e de pessoas que têm gênese comum, que têm muito mais consensos do que dissensos acumulados e que souberam priorizar aquilo que no momento lhes era mais importante para promover a mudança em Santa Catarina e proscrever a dominação daqueles que, historicamente, comandaram o Estado de Santa Catarina.
Sr. Presidente, eu preciso também nesta oportunidade fazer um registro de reconhecimento a essa grande figura pública chamada Luiz Henrique da Silveira por sua determinação, por sua simplicidade e por seu devotamento à causa abraçada.
E algumas pequenas grandes atitudes são emblemáticas para que possamos mensurar o seu caráter a sua personalidade, como, por exemplo, o fato de, como missão nitidamente partidária haver, renunciado a mandato de quase três anos à frente do maior Município de Santa Catarina, para, quando ainda as pesquisas lhe davam modestos patamares de reconhecimento empunhar a bandeira peemedebista e sair pelo Estado afora como candidato de um projeto para toda Santa Catarina.E nessas tantas viagens feitas por toda Santa Catarina, em todos os seus quadrantes, muitas vezes sozinho, apenas com seu fiel escudeiro, o motorista Joãozinho, na verdade um fac totum, dormindo pelas estradas do Estado, Luiz Henrique soube ser e soube encarnar a figura de um bravo, de alguém determinado e predeterminado para a vitória alfim alcançada.
Imagino que muito do que ele fez aprendeu com o seu inspirador, o nosso inolvidável e saudoso Ulysses Guimarães, que dizia ser a rua sempre melhor do que a hospedaria. A campanha de Luiz Henrique se fortificou através do seu engajamento e da mobilização pelas ruas de todo o Estado de Santa Catarina.
Esse reconhecimento veio no último domingo, com uma diferença apertada, é verdade, mas extremamente consagradora, como consagradora foi a votação havida em Joinville.
Imaginem conseguir algo em torno de 130 mil votos de diferença em um único Município. Essa é a mais legítima, a mais lídima, a mais consagradora demonstração do reconhecimento da população por um trabalho feito com seriedade e com competência.
Por isso, Deputado Moacir Sopelsa, pelo conhecimento de Luiz Henrique, temos a certeza absoluta de que ao longo e ao final dos quatro ano de mandato que vai cumprir como Governador ele haverá de ter nos Municípios de Santa Catarina o reconhecimento que teve na cidade que honrosamente conduziu por três mandatos e que é, sabemos nós, a maior cidade de Santa Catarina.
É esse homem público, que foi Deputado Estadual por uma oportunidade, Deputado Federal por cinco vezes, Ministro de Estado, Presidente Nacional do maior Partido deste País, Líder nacional desse mesmo Partido na Câmara e que nessas inúmeras funções nunca, em tempo algum, ouviu-se uma palavra desairosa à sua conduta, que está preparado para governar Santa Catarina e que haverá de operar aqui no nosso Estado, como vai acontecer no contexto nacional, as mudanças que se fazem imperativas para que possamos ter, ao longo do próximo quadriênio, dias melhores para Santa Catarina e para o Brasil.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)