9ª Sessão - 31/01/2006
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Sr. presidente, srs. deputados, público que nos acompanha através da TVAL, funcionários desta Casa.
(Passa a ler)
"Primeiramente quero registrar a minha surpresa com a postura do governador Luiz Henrique numa entrevista concedida à televisão esta semana. Estava assistindo à televisão e entre o Big Brother e a entrevista do governador Luiz Henrique, preferi assistir à entrevista e fiquei muito surpresa.
Nosso governador, sem qualquer traço de vergonha - e faço questão de lembrar que o apoiamos quando disputava o segundo turno das eleições em 2002 -, demonstra um rancor impróprio em relação àqueles que foram seus aliados. Da forma que ele respondeu as perguntas, inclusive, da participação popular, foi muito agressivo, irônico, algumas vezes, e até um pouco descontrolado para minha surpresa. E de uma forma muito injusta acusa o governo federal de não enviar os recursos para o estado de Santa Catarina.
Em primeiro lugar, quero recordar, deputado João Henrique Blasi, o memorável comício aqui em Florianópolis, na praça da Alfândega, quando o candidato Lula veio manifestar o seu apoio ao candidato Luiz Henrique. Eu estava presente no palanque, em que petistas e peemedebistas lutavam pelo mesmo objetivo: derrotar Esperidião Amin e o domínio da direita no estado de Santa Catarina.
Desta tribuna é minha obrigação referir ao governador Luiz Henrique que o candidato Lula, o mesmo que contribuiu na eleição do PMDB no estado, junto com os votos dos petistas, não deixou Santa Catarina sem recurso, não!
Essa afirmação, na entrevista do governador, não é verdadeira! Segundo dados do ministério do Planejamento, nos últimos três anos do governo FHC, Santa Catarina recebeu verbas federais na ordem de R$ 6,4 milhões. Já nos três anos do governo Lula, dados do ministério comprovaram que os repasses aumentaram 55%, somando um total de R$ 10 milhões enviados aos catarinenses.
No governo do PT, os investimentos são efetuados sem discriminação partidária, o que no caso do nosso estado seria até incoerente, já que parte do PMDB é da base governista no Congresso Nacional.
Para garantir o desenvolvimento social e o crescimento econômico do estado de Santa Catarina, o governo Lula financia não apenas a duplicação da tão sonhada BR-101, a reestruturação dos aeroportos, a modernização dos portos do estado de Santa Catarina, programas sociais que asseguram mais de R$ 7 milhões ao mês para a população mais carente através do bolsa família, mas também obras pontuais, como a SC-282, principalmente aquela parte que já está pronta e que foi mencionada pelo governador."
O estado investiu, mas o governo federal investiu R$ 12 milhões para a sua realização. Se a SC-282 não está concluída é devido a uma ação no Tribunal de Contas da União que ainda não foi realizada, mas o Batalhão de Infantaria da cidade de Lages está realizando a obra.
O Sr. Deputado Dionei Walter da Silva - V.Exa. me concede um aparte?
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Pois não!
O Sr. Deputado Dionei Walter da Silva - Deputada, quero cumprimentar v.exa e fazer um relato de duas situações.
A primeira delas ocorreu na cidade de São Francisco do Sul, onde um evento de inauguração, alguma coisa aconteceu no porto de São Francisco do Sul. O deputado Carlito Merss dirigiu-se, na oportunidade, à cerimônia e ficou pasmo com a quantidade de faixas, placas e mensagens sobre a obra como se ela fosse do governo do estado, inclusive da descentralização. E muito embora mais de 70% dos recursos sejam federais, não havia nenhuma alusão a esse fato. O deputado se retirou e foi para uma outra atividade.
O mesmo quase aconteceu no aeroporto de Jaguaruna. A senadora Ideli Salvatti ficou sabendo da inauguração porque um empresário da região ligou perguntando se viria alguém do governo federal.
Então, acho que além de toda essa situação de ignorar ou tentar passar para a sociedade que o estado não recebe recursos, não ocorreu só na entrevista, mas também acontece nas ações concretas. Eu já estive em cidades onde as pessoas dizem que um determinado deputado levou o projeto que instalou a luz, ou seja, que deu luz para as pessoas do interior! Como se o deputado tivesse feito e não dizem que ali foram aplicados 35% de recursos a fundo perdido do governo federal e mais 20% de financiamento a longo prazo.
Quer dizer, falta ética e seriedade no trato com a coisa pública, em relação a quem está investindo muito mais do que os governos anteriores no estado de Santa Catarina, em vários aspectos. Posso citar o projeto de duplicação da BR-280, que fica pronto ano que vem, que é totalmente financiado pelo nosso governo.
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Muito obrigada, deputado.
Quero também ressaltar o programa Luz para Todos, que está sendo muito importante no estado de Santa Catarina, dando alegria, inclusive, para quem não tinha a possibilidade desse projeto.
Outro projeto que o governador citou foi o Samu, que é do ministério da Saúde. Em nenhum momento mencionou o governo federal. Nem precisava falar no presidente, mas não mencionar o governo federal, acho uma falta de ética! E a maneira como se referiu aos telespectadores foi de forma agressiva e descontrolada.
(Continua lendo)
"Também quero ressaltar que me assusta que o governador Luiz Henrique da Silveira, liderança histórica do antigo MDB, que lutou contra a ditadura, contra a opressão e contra a tirania, aqui na Assembléia Legislativa e no estado de Santa Catarina tenha se aliado com a direita que condenou em todo o seu passado político.
Testemunhamos o governador Luiz Henrique da Silveira numa aproximação com o PFL, do senador Jorge Bornhausen, que é o retrato vivo de tudo o que os anos da ditadura causaram ao nosso povo e cuja conduta é motivo de crítica de intelectuais de toda a América Latina.
Não podemos deixar que caia no esquecimento que o senador Jorge Bornhausen é também autor da infeliz definição de que as denúncias contra o PT eram uma forma para o Brasil se livrar ‘dessa raça pelos próximos 30 anos’. Esse tema mereceu um documento de desagravo no Fórum Social Mundial, realizado na Venezuela, na semana passada. No protesto redigido pelos intelectuais latinos, entre os quais o uruguaio Eduardo Galeano, a declaração de Bornhausen é apontada como ‘uma reação fascista que se tivesse ocorrido num país com justiça atuante ele seria condenado’. Os latinos entenderam que os acontecimentos orquestrados pela direita no Brasil são, na verdade, um espetáculo truculento de ataque ao governo, com repercussão em todo o hemisfério.
Diz o documento:
‘A direita do Brasil não quer apenas derrotar o governo Lula, mas também toda a esquerda. E por sermos dessa esquerda, pertencemos, sim, a uma raça muito especial. A raça dos oprimidos, dos indígenas, das mulheres, dos negros e negras e de todas as categorias de seres humanos que têm confiança na sua força moral e na capacidade para construir um mundo onde o racismo, o fascismo e todas as formas de discriminação e opressão não serão mais do que resquícios de um passado sem espaço numa outra humanidade generosa que estamos tornando realidade.’
Portanto, sr. presidente, deixo aqui o registro da nossa surpresa com a postura imprópria do governador Luiz Henrique da Silveira ao criticar o governo Lula, ao mesmo tempo em que se alia, infelizmente, com a direita brasileira, negando os ideais do MDB e agora do PMDB." Ele, que condenava o senador Jorge Bornhausen e o PFL, a quem chamava de filhotes da ditadura, agora está bebendo no mesmo copo. É lamentável essa atuação do governador Luiz Henrique da Silveira.
Srs. deputados, já vim a esta tribuna elogiar e criticar. E não podia deixar passar esta oportunidade de ver uma entrevista de um governador que eu ajudei a ser conduzido ao poder, agora fazer esse tipo de aliança, vendendo tudo, vendendo todos e fazendo qualquer coisa para se garantir no poder.
Espero que isso não aconteça e que o governador Luiz Henrique se lembre da sua juventude, quando ele ia para as ruas defender o povo e ser contra a opressão. Agora ele se alia com a direita. Foram lamentáveis a postura do governador e a entrevista que ele concedeu esta semana.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)