10ª Sessão Ordinária - 14/03/2006
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente, srs. deputados, quero aproveitar esses cinco minutos apenas para fazer alguns comentários até generalizados em relação àquilo que cada um de nós, cidadãos brasileiros, estamos acompanhando tanto em nível nacional como em nível local. Refiro-me àquilo que estamos recebendo como uma verdadeira carga de informação sobre a questão do Exército nos morros do Rio de Janeiro.
Eu tanto li como ouvi essas notícias, de certa forma como cidadão brasileiro, até diria aliviado em ver que finalmente o Exército toma uma iniciativa convincente em relação a essa bandidagem infernal que temos neste país, que já está a ponto de uma verdadeira guerra. Mas para, para isso temos o Exército para guerrear, porque a situação está mais ou menos para guerra.
Aí ficamos impressionados com as vozes que se levantam contra a participação do
Exército, ou a entrada do Exército, naquelas favelas. Há revolta de muitas pessoas porque o Exército foi nessas favelas, e as próprias favelas estão-se sentindo invadidas. E aí ficamos analisando aqui de longe a que ponto chegou o domínio do tráfico naqueles morros do Rio de Janeiro, onde praticamente todos estão envolvidos. O adolescente, imediatamente após sair da infância e entrar na adolescência já passa também a fazer parte desse processo como um emprego garantido - trabalhar para o tráfico. Grande parte dos moradores estão revoltados com a invasão do Exército, porque está atrapalhando a vida tão organizada dos morros dominados pelo crime.
Estou falando isso porque quero fazer um paralelo sobre o que está acontecendo aqui em Florianópolis. Por enquanto, a situação dos morros aqui em Florianópolis, não sou florianopolitano nem moro aqui, acho que ainda é passível de se resolver. Acho que ainda se fala em tráfico de drogas nos morros de Florianópolis, mas não na mesma profundidade, na mesma situação que se vê hoje no Rio de Janeiro. Acho que aqui em Florianópolis, se houver uma vontade realmente expressiva por parte das autoridades, é capaz de não termos uma reedição do Rio de Janeiro. Mas da maneira como as coisas estão caminhando eu não dou mais dez anos, 15 anos para Florianópolis ter o mesmo sistema organizado da bandidagem incrementada nesses morros de Florianópolis. Nós vamos ter aqui uma miniatura do Rio de Janeiro, e não vai levar muito tempo. Por quê? Porque vamos resolver, mas vamos resolver devagar.
Se tomassem uma decisão substancial, de maneira objetiva, e encarassem isso como um problema de estado realmente, de segurança, eu acho que as coisas poderiam se resolver de maneira mais satisfatória para a sociedade.
No entanto, estamos vendo aí o MST, por exemplo,
no Rio Grande do Sul, quebrando, fazendo vandalismo, e todo mundo assistindo. Vocês, por acaso, sabem se alguém está preso por causa dessa bandalheira que aprontaram lá no Rio Grande do Sul, dessas invasões escancaradas no país inteiro? Ninguém está fazendo nada!
A hora que tivermos um exército revolucionário, como existe na Colômbia, que faz frente para a própria força armada do país, quem sabe, daí, vão-se acordar! Mas por enquanto, está bom! A imprensa fala um pouco assustada, as pessoas ficam indignadas, mas fica por isso mesmo,até quando esse indivíduo, para mim um grande marginal, esse tal de Stédile, comandar um exército realmente revolucionário e aliar-se ao tráfico de drogas, porque falta só isso, só falta ele se aliar ao tráfico aqui no Brasil, para termos um poder paralelo. E aí todo mundo vai achar bacana.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)