Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

79ª Sessão Ordinária - 16/10/2008

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente, companheiros e companheiras, hoje, no Dia da Ciência e da Tecnologia, que significa inovação, sabemos que mundialmente o esforço de muitos países é com relação às partículas que compõem o átomo, que é aquele famoso de 27 quilômetros de diâmetro, no qual poderemos determinar todos os estudos das partículas e subpartículas, inclusive identificando a origem do universo.

Pois bem! Esse grande aparato tecnológico da ciência e da tecnologia, que é a inovação, custou US$ 2 bilhões, e é o que há de mais moderno na ciência e na tecnologia. Só a Europa está aplicando na questão financeira bancária US$ 2,3 trilhões para sustentar esse sistema financeiro mundial! Vejam a diferença: o que poderia ser aplicado para a cura das doenças, para realmente beneficiar o ser humano em todasas inovações do avanço tecnológico, US$ 2,3 trilhões estão sendo colocados no sistema bancário para socializar o prejuízo, fora o que os Estados Unidos estão aplicando em outros países! Se pelo menos 10% disso fosse aplicado na ciência e na tecnologia, este mundo estaria com uma qualidade de vida melhor e o ser humano realmente com esperança de um futuro bem melhor. Mas não podemos perder a esperança porque a nossa luta sempre tem que continuar.

Gostaria de aprofundar um pouco mais a questão da crise mundial que está se colocando, porque o que está em crise é um sistema que até pouco tempo vinha sendo considerado como referência através da globalização. Esse era o termo. E realmente o mundo, através das comunicações, está globalizado. Através da sua vivência no sistema financeiro globalizado, o agricultor está plantando aqui o seu milho, o seu feijão, o seu arroz, mas está de olho lá na bolsa de Chicago, que é de commodities, para saber como está o preço do seu produto no dia-a-dia para investimento, como está o preço da laranja que ele plantou, dos seus pés de café, enfim, do gado que ele está criando. Realmente, globalizou essa questão.

Mas, eu gostaria de chamar a atenção, porque o conhecimento acumulado serve de referência para que nós no futuro não possamos cometer erros. Dentro do capitalismo sempre existiu uma dicotomia: o sistema financeiro e o sistema desenvolvimentista. O capital financeiro sempre tentou dominar o sistema capitalista, que nós chamamos de industrial. E nós temos um exemplo aqui em Santa Catarina: a pessoa que começou produzindo banha lá no fundo do quintal evoluiu e se transformou no dono da Sadia. Uma pequena fundição lá no fundo do quintal foi trabalhando e se transformou numa Tupy. E isso é o que chamamos de desenvolvimento brasileiro, que começou realmente de baixo, diferente do europeu e de outros sistemas nos quais as famílias nobres sempre dominaram a questão de todo tipo de desenvolvimento, que o sistema financeiro financia as estradas, a indústria e vários setores.

Então, sempre foi muito bem colocado que muitos ganham com o suor dos outros, que são justamente os juros que fazem com que certos setores ganhem o dinheiro com o suor dos outros. O bom capital, que gera emprego e desenvolvimento, nós sempre vamos defender até como forma de nos inserirmos na questão mundial.

Portanto, essa dicotomia sempre existiu, em certos momentos se equilibrando, mas agora fica evidente e claro que o mundo, por dominar a tecnologia e o sistema financeiro, já que a robótica ainda está em fase de expansão no setor industrial, já mostra a modernidade gerando desemprego. Só para se ter uma idéia, esse sistema financeiro dominou o mundo chamado globalizado e nós sempre dizíamos que éramos contra a globalização, porque é o sistema financeiro que está dominando, não é o gerador do desenvolvimento e nem do emprego. Só para vocês terem uma idéia, vou dar um exemplo de um fato recente aqui em nível nacional: a Sadia que é uma empresa catarinense, perdeu R$ 700 milhões.

Por isso, chamo a atenção para uma reflexão da nossa realidade, da dona-de-casa, do estudante, do cidadão catarinense no dia-a-dia, no investimento existente no Brasil, do sistema de bolsa de valores. Sabem o que significa o prejuízo que teve essa empresa, que era exemplo de referência para o nosso estado? E simplesmente isso se evaporou. É o que está acontecendo com toda uma política de superávit, economizando em cima do direito do servidor público, em cima do tipo do desenvolvimento, que poderá evaporar todas essas reservas para tentar manter uma moeda chamada real em relação ao dólar, como aconteceu ontem quando o governo tentou comprar US$ 1,5 mil e o preço do dólar não baixou.

Isso significa que, se continuarmos neste círculo vicioso, poderemos queimar todas essas reservas construídas durante anos sobre o superávit, prejudicando o nosso servidor público, o nosso desenvolvimento. Mais do que isso, o Banco Central tomou as medidas, sim, agora tem que ampliar essa discussão. O que ele fez como medida recente? Pegou o compulsório dos bancos, quer dizer, uma parte dos seus recursos o Banco Central devolvia para os bancos; o Banco Central devolvia para os bancos aquele compulsório recolhido diariamente para que os bancos pudessem dar financiamento para manter os empregos e o desenvolvimento. E os bancos não estão dando, estão segurando isso, pois alguns dizem que é problema de cadastro. Aliás, uma das causas desse sistema romper são realmente esses cadastros que, em outros países desenvolvidos, financiou casas próprias e toda uma série de desenvolvimentos sem a verdadeira garantia das financiadoras. O banco foi segurar as financiadoras e o governo está segurando os bancos agora com essa quantia imensa. E é aquilo que eu digo: se pelo menos 10% fosse aplicado na saúde, na educação mundial, na pesquisa e na tecnologia, como esse mundo poderia ser bem melhor!

Nós vamos pagar com todo um esforço de crise mundial, talvez durante cinco, dez, 15 anos, ou seja, uma geração. O mundo todo vai pagar, principalmente os países em desenvolvimento. O Brasil vai sofrer muito. Por isso, digo que cada prefeito que foi eleito, cada governo de estado deve, o mais urgente possível, se adaptar e ter consciência de que isso pode atingi-lo e que precisa resistir da melhor maneira possível.

Então, é isso que o nosso partido propõe, ou seja, medidas que realmente possam fazer com que tenhamos o enfrentamento da crise, que é a oportunidade, quem sabe, de ajustar um novo modelo mundial, valorizando o trabalho e o produto daqueles que realmente mantêm toda a sociedade.

Outro exemplo, só para vocês terem uma idéia, é quando falamos que na medida em que o dólar aumenta o petróleo começa a diminuir, as ações da Petrobras e da Vale do Rio Doce estão-se desvalorizando, quando sempre se valorizaram. O petróleo está baixando de preço mundialmente, porque o dólar está-se valorizando. Então, quer dizer, o sistema financeiro novamente vai impor toda a sua forma política. Talvez no desespero tenhamos uma nova corrida armamentista para enfrentar a crise mundial. Aí, sim, não interessam mais os elementos estratégicos e podemos estar correndo um grande risco de intervenções, como a política até recentemente em nível mundial tem-se manifestado.

Não falo das intervenções feitas para ajudar os países em desenvolvimento. Nós estamos vendo agora, na Índia, o presidente Lula, juntamente com a China, com países que realmente possam se desenvolver, procurando medidas para que possa haver um equilíbrio e possamos não sofrer tanto, principalmente com relação aos nossos produtos e a nossa tecnologia.

Agora, temos que estar conscientes. Sabemos que as soluções começam pelo poder local e esperamos que, em Santa Catarina, os novos prefeitos e o governo estadual, bem como o governo federal, possam amenizar essa questão, mas é a realidade.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)