Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Giancarlo Tomelin

63ª Sessão Ordinária - 24/07/2008

O SR. DEPUTADO GIANCARLO TOMELIN - Inicialmente, quero cumprimentar a presidente em exercício, deputada Ana Paula Lima, que exerce o seu mandato de deputada estadual e representa a nossa Blumenau também; quero cumprimentar o nosso blumenauense desembargador Jorge Borba, que na semana passada passou a ocupar uma das cadeiras do Tribunal de Justiça; quero cumprimentar o deputado Valmir Comin, da região de Criciúma, que é colega do deputado Clésio Salvaro, que é também de Criciúma, cadeira que passo a ocupar durante esse tempo; quero cumprimentar o nosso líder maior, o nosso tucano de proa, o vice-governador Leonel Pavan; todos os deputados aqui presentes; funcionários da Casa e todos que estão aqui presentes.

Minhas senhoras e meus senhores, eu vou dividir a minha fala em três momentos. E o primeiro momento que me vem à cabeça é o momento da família, de onde surgi, de onde vim, como cada um que aqui está, que tem uma história, eu tenho também a minha e vou falar para vocês um pouquinho dela.

Nasci em Blumenau e pelo lado materno, já meio que no seio da política, o meu avô foi o primeiro prefeito eleito de Gaspar e hoje está aqui representado pela minha avó, de 92 anos, juntamente com a minha mãe, com o meu irmão, com a minha prima, com a minha família!

(Palmas)

E ali, deputado Marcos Vieira, pelo lado materno, eu aprendi até a cantar o hino do PSD!

Então, foi ali em Gaspar que eu aprendi um pouco sobre política. Pelo lado paterno, também tenho um braço na política, o meu avô, que foi membro desta Casa durante duas oportunidades, faz muito tempo, em 1954 e em 1959.

E o Honorato Tomelin teve uma passagem na política pautada na retidão, na ética, nos valores morais da família, e certamente o exemplo dele haverei de honrar e dar prosseguimento.

Na semana retrasada quando Dalírio Beber me ligou junto com o deputado Clésio Salvaro, o Dalírio se emocionou ao dizer, conselheiro Wilson Wan-Dall, que certamente o Honorato estaria chorando, neste momento, ao ver seu neto, meu melhor amigo que era, assumir uma cadeira durante esse período na Assembléia Legislativa.

Mas minha atividade política vem do movimento estudantil, onde liderei o diretório acadêmico de Administração e Gerência da Esag; sou formado em Direito pela Universidade Federal onde participei, deputado Ismael dos Santos, do CAXIF, e por destino participei do movimento estudantil no momento em que havia movimento estudantil, que foi o Movimento Fora Collor, quando a juventude, os caras pintadas afloraram neste Brasil. E com muito orgulho fiz parte e coloquei um grão de arroz naquele movimento.

Depois disso, formado, participei da ADVB, deputado Joares Ponticelli, uma entidade que tinha um cunho muito da capital e que sob nossa gestão e de um grupo se expandiu por Santa Catarina - tivemos dez vice-presidências regionais, o que me fez verdadeiramente, Leonel Pavan, conhecer o estado de Santa Catarina. Certamente não conheço todos os municípios, mas conheço a peculiaridade de todas as regiões. Conheço o jeito de ser do catarinense do Oeste, deputado Reno Caramori; do Meio-Oeste; do vale do Itajaí; da região carbonífera e do norte do estado; conheço o jeito de ser, suas angústias as suas aspirações, e quero colocar esse tenro mandato à disposição desses catarinenses, para ser fonte de trabalho, fonte de justiça, fonte de ética e fonte de uma nova forma de ver e fazer política.

Acabei estudando em São Paulo na Fundação Getúlio Vargas e na Baker University Center, nos Estados Unidos. Na Fundação Getúlio Vargas tive aulas com grandes mestres, com Eduardo Suplicy; com o professor Roberto Venoza; com o professor Jader de Oliveira. E ali, na Fundação Getúlio Vargas em São Paulo e em minha formação, escolhi a Social Democracia; escolhi um partido político; escolhi o PSDB. E costumo dizer ao nosso líder maior, Leonel Pavan, que sou tucano apostólico, romano praticante, acredito na Social Democracia.

Estou no PSDB por convicção, estou no PSDB porque esse, deputado Paulo Bauer, é o partido que alinhou o país para o desenvolvimento, deu os fundamentos macro econômicos, fez com que a nossa gente pudesse novamente sonhar com o futuro, com a estabilização da economia. Enfim, escolhi o PSDB.

Naquela noite, na casa do presidente do PSDB de Blumenau, Dalírio Beber, no início de 2001, eu anunciei que iria me filiar ao PSDB e fui recebido com muita alegria pelo partido em Blumenau.

Naquele mesmo dia peguei um avião e fui a Brasília visitar o então senador Leonel Pavan e comuniquei a ele: Pavan, quero fazer parte do PSDB. Humildemente quero contribuir com a Social Democracia no Brasil, em Santa Catarina, em Blumenau, porque acredito nela. Acredito piamente que a Social Democracia é a solução para o entendimento e o desenvolvimento das nações. Por que o é? Porque ela não é nem a defesa uníssona da classe empresarial tão-somente, e nem a defesa somente do trabalhador e o estímulo ao conflito de classes, ela é, sim, o encontro e a forma eqüipolar entre o posicionamento, o desenvolvimento e a classe trabalhadora dando as mãos pelo desenvolvimento. É por isso que escolhi o PSDB.

A social democracia, governador Leonel Pavan, é aquilo que Aristóteles diz no livro A Política: "A virtude da vida está no meio". E a social democracia e esse meio, esse encontro, esse desabrochar entre a produção e os empreendedores.

Mas não poderia deixar de ressaltar aqui outros temas. Nós, políticos, passamos por uma fase, as pesquisas estão aí para testemunhar, e contra fatos não há argumentos, que precisamos mudar a face da política.

O Geraldo Alckmin que está em Bogotá, hoje, conhecendo o modelo de transporte e de segurança daquela capital, disse que se nós não "botarmos uma nova postura política no país, nos estados e nos municípios, a política vai se transformar em um clube de má fama". E isso não pode acontecer, porque quando a população perde o interesse pela classe política - que é a promotora, a estimuladora do desenvolvimento, a organizadora da sociedade - perde a confiança, a fé e o amor pelo seu país, pelo seu estado e pelo seu município. Por isso, modestamente quero tentar contribuir para colocar um grãozinho de areia nessa nova praia.

Dizia hoje pela manhã no gabinete do meu amigo deputado Clésio Salvaro, que estamos passando por uma mudança que talvez nós todos e a sociedade não tenhamos dimensão da mudança que estamos atravessando.

Quero agradecer profundamente ao deputado Clésio Salvaro que se licenciou para cumprir uma função partidária no município de Criciúma. Agradeço também aos suplentes que estavam na minha frente e que era deles o direito de estar aqui e cito o sr. Maurício Peixer, de Joinville; o sr. Manoel Bertoncini, de Tubarão e o sr. Marcos Wanrowsky, de Blumenau, mas, por uma missão também partidária, estão candidatos nas suas cidades e não puderam assumir esta cadeira no Legislativo.

Mas ao lembrar deles, senador Leonel Pavan, quero lembrar de todos os outros suplentes que vêm depois de mim, porque poucos são os candidatos que atingem apenas a legenda para serem donos dos seus próprios mandatos. O mandato é do partido, assim diz o TSE, assim é verdade, e é assim que temos que entender. Por isso, tenho certeza de que todos os suplentes que estão na minha frente estarão nesta Casa representando também o PSDB.

Encerro, dizendo que a população está cansada de ouvir promessas. E ontem conversando com a Kelly ela dizia: "são os monólogos simultâneos; a sociedade quer diálogo, quer ouvir, quer falar, quer se manifestar." E o exemplo que me vem à cabeça é o da esfinge, guardiã de Kéfren, no Egito. A esfinge tem quatro formas: a asa de um pássaro, a cabeça de gente, o corpo de leão e o perfil de touro. Poeta Ismael, a cabeça representa o saber; o perfil de touro representa o querer; as garras de leão representam o ousar e as asas dobradas representam o calar. Conjugando essas quatro palavras, nós precisamos saber querer, saber ousar e saber calar; querer saber; querer ousar e querer calar; ousar querer; ousar saber e ousar calar; calar saber; calar querer e calar ousar.

E encerro com dois poetas, o primeiro deles que me vem à memória é Maiakovski, que em plena revolução russa, deputado Ivan Naatz, disse o seguinte:

"Mas o que há de novo?

Nada há de novo no rugir das tempestades.

Nós não estamos felizes, é verdade,

mas por que razão haveríamos de estar tristes? O mar da história é agitado,

e devemos romper as dificuldades da vida assim como a quilha rompe as ondas do mar."

Encerro com outro poeta, Alzemir de Abreu. Sr. deputado Marcos Vieira, nosso líder, disse assim Alzemir de Abreu:

"Sigo caminhante e não sigo sozinho,

porque acredito no meu caminho.

Creio na flor à beira da estrada

exposta à poeira à beira do nada.

Creio no clarão que a noite engoliu.

Creio na aurora vindoura do sol que partiu. Hoje é hoje, amanhã é outro dia."

Muito obrigado.

(Palmas)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)