106ª Sessão Ordinária - 30/11/2010
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Sr. presidente, srs. deputados, telespectadores que nos acompanham pela TVAL, ouvintes da Rádio Alesc Digital e público que nos dá a honra de assistir a esta sessão ordinária do Parlamento catarinense.
Deputado Serafim Venzon, isso mostra que as secretarias do Desenvolvimento Regional falharam em algumas partes. O Orçamento não foi descentralizado e algumas ficaram engessadas e não conseguiram dar para a sua comunidade as necessidades que tanto careciam.
Falo isso porque na minha região nós temos essas secretarias em Brusque, Itajaí, Blumenau, Timbó, Ibirama, Ituporanga, Rio do Sul e Taió. Vejam quantas há, uma do ladinho da outra. Será que precisava tanto? O que era melhor: ter construído uma escola para as crianças lá em Botuverá, para que elas não ficassem tantas horas dentro de um ônibus, ou fazer 15 secretarias numa região, que é a nossa região do médio vale do Itajaí com o alto vale do Itajaí?
Por isso não deu certo! Por isso está acontecendo a evasão! As pessoas estão saindo do interior para o litoral. Por quê? Porque as condições de vida aqui são melhores do que lá onde elas moram. Está errado isso! É preciso ir até a cidade de Botuverá e ao oeste do estado para saber quais são as necessidades daquela gente e daí, sim, colocar no Orçamento para atender àquela população e não fazer do jeito que se faz.
Falo isso também, srs. deputados, porque, ontem, ficamos felizes com a inauguração, por parte do presidente Lula, de mais 30 escolas federais de educação profissional. Este presidente, que não teve a oportunidade de estudar, hoje está construindo escolas no nosso país. São 20 escolas federais de educação profissional e 25 campi de 15 universidades federais. Vejam que coisa maravilhosa!
E para o estado de Santa Catarina, srs. deputados, ontem o presidente Lula inaugurou cinco escolas. São escolas mais próximas da população, diferente do que o governo do estado faz, ou seja, longe da população. Foram inauguradas as de Gaspar, São Miguel d'Oeste, Lages, Criciúma e Canoinhas. Também foi inaugurada a nossa universidade federal na região sul, em Araranguá. Essa é a forma de governar do presidente Lula.
Permita-me, sr. presidente, ler um artigo de um grande empresário. Não fui eu nem não o Partido dos Trabalhadores que o escreveu, mas ele merece uma referência toda especial aqui.
(Passa a ler.)
"'O Cavalo Manco e o Puro Sangue
Os trabalhadores têm muito a aprender, mas não podemos negar e apontaram a seta do governo na direção de deixar de ser colônia extrativista. Isto já surtiu efeito no enfrentamento da última crise mundial' - em que o presidente Lula dizia que era uma marolinha -, 'se o país estivesse com o modelo econômico anterior teria quebrado, isso foi dito por todos os segmentos da mídia (fora do contexto partidário) antes do processo da campanha política.
Se o governo não tivesse aberto agressivamente novos mercados com economias emergentes os efeitos seria devastadores, isto é sério, e só aconteceu porque a direção foi mudada, as bases econômicas do governo FHC foram aproveitadas até um certo ponto, mas se não mudasse a estratégia, o Brasil teria quebrado como ocorreu nas outras crises.
A aposta no mercado exterior emergente e no mercado interno, via inclusão social, é reconhecida no mundo inteiro como uma grande sacada deste governo que salvou o país de um grande desastre.
O interessante é que foi apenas uma questão de autoestima; por incrível que pareça, o governo Lula adotou a estratégia nacionalista e deu certo. O que aflige o pessoal que governou nas décadas passadas é que o novo posicionamento foi ideológico, deu certo, o país se protegeu e cresceu. A fome, a miséria, as desigualdades não seriam resolvidos em oito anos, basta um pouquinho de bom senso para enxergar isso.
A priorização no resgate dos pobres via programas de renda mínima e estímulo ao microcrédito, o aumento em 'dólar' de mais de 300% no salário mínimo, entre outras medidas, foram fundamentais para reduzir as desigualdades, irrigar de forma bem pulverizada a economia com dinheiro que gera emprego e germinar o ciclo virtuoso da economia.
Com o aproveitamento e o aperfeiçoamento das bases econômicas, bastou a decisão política de acreditar que podemos deixar de sonhar de ser apenas uma colônia extrativista.
Ainda estamos longe, não temos as estradas ideais, portos, aeroportos, escolaridade, sistema de saúde, centros de pesquisa, universidades qualificadas. Mas para que possamos ter um dia todas essas coisas é preciso que tomemos a decisão política de apostar no Brasil, no trabalhador do Brasil, no empreendedor brasileiro, na distribuição de renda via salários dignos, no ciclo virtuoso do bom capitalismo, e essa decisão foi tomada neste governo.
Nessa decisão de política nacionalista, deflagrou-se um programa de investimento maciço em infraestrutura de longo prazo, que só vai repercutir em oito ou dez anos, visando viabilizar o desenvolvimento do país (reindustrialização nacional, agrobusiness, infraestrutura, geração de energia, etc.), o Programa de Aceleração do Crescimento - PAC, representando mais uma vez a aposta no Brasil, e deu certo. O iluminado Lula novamente pontuou onde os tucanos falharam.
Quando a crise do primeiro mundo chegou, o ciclo virtuoso se tornara autossustentável. O capital produtivo havia apostado no Brasil, e o país já se mostrava em uma direção acertada.
Em todas essas frentes estratégicas, o governo anterior, de FHC, apostou que as multinacionais, deputado Sargento Amauri Soares, tomariam as frentes produtivas sem interferência do estado, via privatização, e gerariam novos empregos, porque os trabalhadores venderiam sua mão-de-obra barata e os recursos naturais estariam à sua mercê para extrair e produzir fartos lucros.
Ledo engano, as multinacionais são fiéis às suas origens, seu compromisso é de envio dos fartos lucros para as matrizes. Essa decisão estratégica errada estava transformando o país em quintal extrativista do mundo, deixando os industriais locais à margem do processo, com a maioria da população condenada ao subdesenvolvimento enquanto uma minoria fazia compras nos shoppings de New York e Londres.
O mundo desenvolvido antes de ser o que é passou por decisões estratégicas de governo. As coisas não acontecem sozinhas. A direção errada do governo anterior foi acreditar que o lobo seria o melhor guardião do galinheiro e não apostar na capacidade do empreendedor e do trabalhador brasileiro.
Os trabalhadores têm muito a aprender e isso ficou evidente nos poucos anos de poder, mas os neocapitalistas de visão curta estiveram no poder a vida inteira e já mostraram muito bem o modelo de sociedade que desejam.
Prefiro levar meu cavalo manco para a fonte do que seguir de puro-sangue para o deserto'."
Essas palavras não são minhas, sr. presidente, srs. deputados e povo catarinense, são do empresário Antônio Ermírio de Moraes.
Assim, ele reconheceu que o governo do presidente Lula foi um grande governo, em que todos crescem, desde os trabalhadores até os empresários, em que há geração de emprego e renda e também salário digno. Essa é a diferença. É isso que nos faz mais feliz. Ele foi o presidente que mais fez escolas neste país, a exemplo do que aconteceu na data de ontem. O estado de Santa Catarina foi beneficiado com mais cinco escolas técnicas e a Universidade Federal de Santa Catarina atravessou a ponte, saiu da ilha, está indo para o interior do estado, oportunizando o estudo a homens, mulheres e jovens. A educação vai mudar o rumo do país.
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)