76ª Sessão Ordinária - 11/08/1999
O SR. DEPUTADO ADELOR VIEIRA - Sr. Presidente e Srs. Deputados, os noticiários de hoje viveram momentos de grandes expectativas porque a propalada notícia de que o mundo acabaria hoje não aconteceu.
Nostradamus, mais uma vez, mentiu!
Enquanto os homens, genericamente falando, continuarem acreditando nesse tipo de falsos profetas, vão se decepcionar a cada dia que passa porque o mundo está cheio desse tipo de falsos profetas.
Mas que bom que o mundo não acabou, Deputado Pedro Uczai e demais Deputados! A Bíblia diz que os últimos tempos seriam tempos trabalhosos, seriam tempos difíceis. Os homens seriam mais amantes de si mesmo do que amantes de Deus. Os homens seriam avarentos, corruptos, enganadores e o amor esfriaria. Essa é a promessa que temos para esses dias.
Alguém está dizendo que o dia ainda não terminou. Mas o eclipse já passou! Não é possível, com todo o respeito, que alguém ainda esteja na expectativa de que o mundo vai acabar!
Com base na Escritura Sagrada, eu posso afirmar que a respeito desse dia e hora, Deputado Manoel Mota, ninguém sabe. Nem o Filho do Homem sabe o dia em que virá, e Ele vai preceder o fim.
Jesus falou sobre a grande tribulação no Capítulo 24 do Evangelho de São Mateus, quando os discípulos também perguntaram o que ia acontecer, quando seria o tempo do fim, quando seria o fim do mundo. Aí Jesus começou a fazer uma narrativa de que antes do final do mundo teríamos rumores de guerras e toda aquela relação de coisas ruins, que em parte já vivemos e que de outra parte estamos vivenciando.
Que bom que o mundo ainda não terminou. Mas estejamos preparados porque um dia esse mundo chegará ao seu final. Mas fim do mundo mesmo, como expressão nossa, como forma de nos expressar, é a situação que estamos vivendo, e quero concordar em parte com o pronunciamento do Deputado Pedro Uczai e com pronunciamentos de outros Srs. Deputados que também pensam dessa forma, ou seja, que somos os responsáveis.
Hoje, ainda, no devocional que realizamos todas as quartas-feiras, no plenarinho, no horário do almoço, convidamos um preletor e ele falava sobre o poder, o significado do poder. Nós achamos que o poder é um crédito nosso, quando este é um débito com a sociedade que nos outorga, que nos concede, com o que eu concordo.
Então, fim do mundo, na verdade, é a situação de pobreza e de empobrecimento que estamos vivendo a cada dia que passa; fim do mundo mesmo é a falta de segurança que estamos vivendo presentemente; fim do mundo, poderíamos dizer, é essa questão da saúde debilitada que estamos vivendo, é essa corrupção desenfreada que grassa os homens que detêm o poder, sejam públicos ou privados, sejam corruptos ou corruptores, porque só há corruptos quando há corruptor - e acho que deveríamos pensar um pouco em legislar também nessa questão dos corruptores -; fim do mundo é essa grande massa desempregada, principalmente a nossa população.
Nós sabemos que esta é uma questão mundial, mas que, com muita particularidade, estamos vivendo aqui, e quando se conversa sobre isso com as pessoas que detêm o poder, parece que elas não têm sensibilidade para buscar uma solução para este problema.
Por último, entendo como o fim do mundo a questão das drogas que estão acabando e destruindo com a nossa juventude, principalmente. E eu me penitencio e pergunto: o que nós estamos fazendo? Com que grau de responsabilidade estamos enfrentando esse tipo de problema? Oxalá cada um de nós possa trazer para si essa responsabilidade e ter a resposta a fim de que possamos pelo menos viver um pouco melhor na nossa sociedade.
O Sr. Deputado Pedro Uczai - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO ADELOR VIEIRA - Pois não, Deputado!
O Sr. Deputado Pedro Uczai - Deputado Adelor Vieira, V.Exa. participa de um Partido Político chamado PFL que tem dado sustentação ao Governo Federal, que tem votado nas propostas que têm gerado mais desemprego, mais miséria no campo, mais êxodo rural, mais desmonte das políticas públicas e logo logo os Deputados do PFL vão votar para terminar com o 13º salário e com as férias.
Eu quero perguntar ao nobre Colega em que lado do poder trabalha, em que dimensão a teologia na qual acredita está ligada, porque V.Exa. é do PFL, que não tem relação nenhuma com o que está escrito no Gênese. A criação do mundo mostra o lado dos escravos querendo, um dia, a libertação. O êxodo é a tentativa de luta de 40 anos para libertar-se do Império e da escravidão, e vão estar do lado dos pequenos para a libertação. Quando se lê sobre Jesus de Nazaré, vê-se que Ele está ao lado dos camponeses, muitas vezes contra a lei e contra o templo, porque o templo e a teologia servem mais para oprimir, para matar do que para libertar.
V.Exa. não entra em conflito com a teologia que acredita e com a prática política que o PFL tem feito neste País?! V.Exa. não entra em conflito com essa prática política que o seu Partido propõe e constrói neste País, nessas tantas décadas e, principalmente, nesses últimos cinco anos?!
O SR. DEPUTADO ADELOR VIEIRA - É uma boa pergunta, Deputado Pedro Uczai.
Que bom seria se nós pudéssemos ter Partidos fortes - e isso vale para todos os nossos Partidos; que bom seria se cada um de nós aqui pudesse votar de acordo com a cartilha partidária - e V.Exa. sabe disso, porque tem o mesmo problema no seu Partido.
Eu penso que dentro do PFL - o PFL é mais liberal, é mais aberto - tenho mais condições de agir e de promover a libertação das pessoas, até porque Cristo assim agiu, foi liberal, abriu espaço para todos para a discussão e sempre ouviu os questionamentos.
Então, eu acho que dentro do Partido Liberal tenho muito mais oportunidade, e estou fazendo a minha parte.
Não pensem, Deputados, que estou satisfeito, não pensem que concordo com cem por cento do que o meu Partido determina, mas estou fazendo a minha parte como exemplo daquele beija-flor no grande incêndio.
Na verdade, nós estamos vivendo um grande incêndio e em todas as áreas o fogo da destruição está queimando. Agora, nós estamos fazendo a nossa parte e eu sei que V.Exa. também está fazendo a sua. Quem sabe um dia tenhamos um Partido onde cada um de nós possa trabalhar de acordo com a sua cartilha. Assim, nós poderemos fazer mais.
Eu penso ter respondido o seu questionamento e acho que o PFL tem dado a sua contribuição. É óbvio que ele tem reparos a serem feitos, mas temos procurado dar a nossa contribuição enquanto Partido.
Srs. Deputados, eu quero deixar registrado também nos Anais desta Casa, nestes minutos que restam ao PFL, que ontem estivemos em Brasília, em nome do Presidente desta Casa, em uma audiência na Secretaria Nacional Antidrogas, acompanhados pelo Senador Geraldo Althoff. E lá aproveitamos para convidar o Secretário Nacional Antidrogas, Dr. Valter Fanganiello Maierovitch, para participar conosco da Primeira Semana Estadual Antidrogas de Santa Catarina, cuja abertura dar-se-á nesta Casa, dia 16 de agosto.
Nesta oportunidade, como resultado positivo da audiência, pudemos celebrar um termo de convênio entre aquela Secretaria e o Estado de Santa Catarina para a concessão de mil bolsas de estudo à distância para formar agentes de prevenção às drogas. Mil agentes serão treinados aqui em Santa Catarina por esse convênio, e com isso tentaremos minimizar esse crescente avanço das drogas em nosso Estado.
Nós esperamos que no dia 16, quando estivermos aqui reunidos abrindo a Semana Estadual Antidrogas, possamos discutir, com muita propriedade, esses problemas e buscar soluções nos campos da prevenção, da recuperação e da repressão.
Nós pretendemos, durante essa semana, durante a Semana Estadual Antidrogas, desenvolver uma série de atividades visando conscientizar a nossa população, principalmente a nossa juventude, sobre o uso indevido de drogas.
É por esta razão que queremos contar com a presença dos Srs. Deputados na sessão especial, que será realizada na próxima segunda-feira, com a presença do Sr. Governador e do Presidente do Conselho Estadual de Entorpecentes, e na terça-feira teremos a presença do Secretário Nacional Antidrogas.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)