5ª Sessão Ordinária - 11/02/2010
O SR. DEPUTADO LÍCIO MAURO DA SILVEIRA - Sr. presidente e srs. deputados, vamos abordar um assunto que é do conhecimento de todos e até denominei-o assim: Trânsito Louco e Guarda Inoperante.
(Passa a ler.)
"A entrada e a saída de Florianópolis é um pesadelo. Os gargalos no trânsito estão por toda parte: na ligação centro/aeroporto, centro/sul, Lagoa da Conceição/centro, centro/norte da ilha, centro/centro. Não há ponto sem gargalo. Dá a impressão de que a nossa capital é uma garrafa gigante com inúmeras garrafas internas querendo sair por um único gargalo.
Florianópolis, segundo o pesquisador Valério Medeiros, da Universidade de Brasília, em 21 cidades brasileiras e confrontadas com 164 outras cidades do mundo, foi classificada como a segunda cidade do mundo com a pior mobilidade.
Pergunto: será que as estruturas do governo do estado e do governo do município não têm engenheiros e técnicos especializados em planejamento de engenharia de trânsito? Ou será que foram aposentados e não mais substituídos?
Pelo tempo que estamos enfrentando esses problemas daria para ter projetado e reconstruído umas três novas Florianópolis.
Não dá mais para aguentar os comentários e reclamações da população sobre o mesmo problema, e o poder público continuar a fazer de conta que está estudando e tentando resolver o problema do tráfego. Não é verdade. A cada dia que passa está pior.
Durante e após o Carnaval vai piorar de vez. Florianópolis voltará à rotina normal, com o retorno às aulas e o cotidiano da capital, as filas vão aumentar e não temos soluções!
Hoje, vou fixar-me na travessia das pontes Colombo Machado Salles e Pedro Ivo, o eterno sofrimento dos trabalhadores, dos estudantes e dos turistas que necessitam dessas passagens. As filas nos dois lados da ponte, pela manhã e à tarde, são uma constante de segunda a sexta-feira, e sábado pela manhã também. A desestruturação do tráfego é algo incomum. Não existe fiscalização nem controle para organizar o pesadelo.
Onde anda a Guarda Municipal? Uma das suas atribuições é a fiscalização de trânsito. Por que não está organizando a desorganização do tráfego, ou melhor, o amontoado de veículos que se forma de manhã e ao final da tarde nas cabeceiras das pontes? As filas sêxtuplas para desembocar em duas ou quatro vias são um verdadeiro inferno, umas formadas pela bagunça dos próprios motoristas e outras pela negligência de planejamento. Os gargalos, em ambos os lados das pontes, são situações originadas para que os motoristas administrem o caos."
Notem bem, os próprios motoristas é que têm que administrar o caos! E vai para lá, e vai para cá, é moto para lá, é moto para lá, e até dentro do carro ficamos contorcendo-nos.
(Continua lendo.)
"Repito: os gargalos, em ambos os lados das pontes, são situações originadas para que os motoristas administrem o caos e arrebentem-se com seus veículos em aventuras tresloucadas.
Vamos ao problema. Sabe-se que a engenharia de tráfego municipal e estadual é inoperante, senão incompetente, pelos resultados que temos observado nos últimos anos. Até parece que os administradores públicos, principalmente governo e prefeitura, fazem questão de que o povo sofra e ficam pelas alturas observando os mortais digladiarem-se.
Nem tudo é o que parece, mas há muitas coincidências. Senão vejamos: por que a Guarda Municipal nunca se encontra nos pontos críticos para coibir os abusos dos motoristas furões que fazem filas quíntuplas, sêxtuplas, penalizando os motoristas educados e atropelando a passagem dos ônibus?
Ser motorista educado em Florianópolis é fazer papel de bobo, de palhaço, de ingênuo, de babaca e tantos outros adjetivos dados pelos 'furões', que não têm o menor discernimento e educação ao forçar passagem entre os educados no trânsito.
Nas filas de saída de Florianópolis, se houvesse a fiscalização e a organização do tráfego pela Guarda Municipal, do Centro Sul ao elevado frontal às pontes e da rodoviária até a entrada das mesmas, evitar-se-ia as filas triplas, quádruplas, quíntuplas e sêxtuplas, com punição aos indisciplinados e não multas. Façam esses retornarem às filas de alguma maneira.
Outro caso interessante. Por que a engenharia de trânsito não prioriza a entrada na ilha e ajusta o semáforo próximo ao Hotel Inter City (ex- Diplomata), coordenado com outras ações para que sejam evitadas as filas quilométricas na Pedro Ivo e na Via Expressa?"
Eu tenho um amigo que passa lá todos os dias, o Paulinho Merlin.
(Continua lendo.)
"Já foi feita alguma experiência? Parece que sim. Por que não continuaram? Será por falta de estudos mais aprofundados ou má vontade do poder público?"
Paulinho, é má vontade mesmo!
(Continua lendo.)
"Mais cansado do que os usuários, com certeza os administradores públicos responsáveis pelo planejamento e execução não estão.
E na ponte? As duas filas da esquerda devem ser as de uso para quem vem para a Beira-Mar Norte. Porém os motoristas vêm por qualquer das pistas e, no final da ponte, forçam a entrada e param o tráfego, que já é lento.
Será que não há meios para disciplinar esse abuso? Será que cones, pardais ou sinalizadores não ajudariam a coibir esse abuso? Até quando a inoperância vai durar?!
Não são diferentes os gargalos formados na saída de Florianópolis. Ouve-se falar muito em construir mais pontes. Será que essa é a solução primeira? Para mim não é! E o transporte marítimo? E o metrô de superfície? Já estão sepultados?
Qualquer engenheiro ou bom observador vai notar que as filas acontecem a partir da impossibilidade de os veículos ingressarem na BR-101, seja diretamente ou beirando o Shopping Itaguaçu. A bifurcação antes do viaduto da BR-101 é um ponto crucial. O semáforo do cruzamento na avenida Governador Ivo Silveira com a Pedro I (aquele feito para a saída do terminal de Capoeiras que não decolou), e o do cruzamento da avenida Presidente Kennedy com a Josué di Bernardi atravancam a entrada em São José e, consequentemente, prejudicam a continuidade do tráfego na Via Expressa.
Nesses casos a solução passa por uma interação, atuação e vontade política para resolver a situação: entre dois prefeitos, o de São José e o de Florianópolis, que facilita a solução, e entre o governo do estado e o governo federal."
Aliás, há uma coisa interessante. Nas eleições sempre se discutem aspectos da mobilidade. O próprio governador e o próprio prefeito discutiram problemas da mobilidade, disseram que iriam equacionar e não equacionaram. Vieram para a reeleição, bateram na mesma tecla e hoje continuamos com o problema.
(Continua lendo.)
"Um projeto rodoviário abrangente e a atuação da Assembleia Legislativa e da bancada federal catarinense seria uma busca da solução política para as questões do estado. Mas o que o nosso governador tem feito para tentar minimizar o sofrimento do povo da Grande Florianópolis? Para mim, nada!
Quando algo se realiza é por causa do cansaço ou algum interesse político partidário específico. Desde a assunção do atual governador do estado e do atual prefeito de Florianópolis a nossa capital sofre de uma descontinuidade de crescimento ordenado sem precedentes.
Por isso vamos lutar e cobrar de nossos governantes e políticos as soluções necessárias e indispensáveis à melhoria de locomoção entre a capital e os municípios vizinhos, que no momento é uma das maiores reivindicações da população. De nada adianta pensar em transporte coletivo melhor, se o nosso trânsito continuar um caos.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)