Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Nilson Gonçalves

34ª Sessão Ordinária - 13/05/2008

O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. presidente e srs. deputados, ouvia com bastante atenção, há pouco, o deputado Antônio Aguiar referir-se às enfermeiras. E por coincidência, na segunda-feira, comemoramos o dia da enfermeira. Mas poucas pessoas se manifestam ou fazem alguma homenagem a esse segmento. Não só na imprensa como em outros setores, pouco se houve falar nas nossas enfermeiras ou citar alguma mensagem, algum elogio às enfermeiras.

Fiquei muito contente ao ver o deputado Antônio Aguiar falando sobre as enfermeiras, no dia de hoje. No meu modo de entender, o papel da enfermeira dentro de um hospital é muito mais importante do que o próprio papel do médico, não querendo, de forma alguma, desmerecer o médico. Mas o papel da enfermeira é muito mais importante, porque é justamente ela que passa os piores momentos ao lado da pessoa que está internada. É a enfermeira que serve, muitas vezes, de ombro amigo. É a enfermeira que está o tempo inteirinho ali, para aplicar injeção, para dar o remédio, para fazer higienização do paciente, muitas vezes. É uma profissão que, sinceramente, não é reconhecida em termos de salário nem em termos de mérito. No entanto, se pensarmos num hospital sem enfermeiras, ele não funciona, ele não tem seguimento. E a função da enfermeira, deputado Antônio Aguiar, por esse trabalho que exerce, transcende o próprio hospital, porque o vínculo que se estabelece entre ela o paciente e os seus familiares extrapola o âmbito do hospital. Quantas e quantas enfermeiras, depois que o paciente sai, terminam angariando a simpatia, e nasce ali uma amizade que frutifica e vai muito adiante. Portanto, foi muito oportuno v.exa. citar a enfermeira.

Quero também deixar registrado nesta Casa, uma caixa de repercussão da sociedade, a nossa homenagem, o nosso carinho, o nosso respeito e, por que não dizer, a nossa indignação em relação aos vencimentos dessas mulheres - e não só mulheres, já que homens também trabalham nessa profissão. O salário deles não tem sido reconhecido. Ele é pequeno e não contempla, de forma alguma, a qualificação das atividades desses profissionais.

Dito isso, sr. presidente, quero aproveitar os minutos que me restam para fazer referência à sessão que tivemos na noite de ontem. A Casa ficou lotada e merece também o registro de mais esse ato da Assembléia Legislativa, presidido por v.exa., deputado Julio Garcia. Conseguimos, diante de tantas medalhas que foram votadas e aprovadas nesta Casa, agrupar todas numa grande sessão, na qual cada deputado teve a oportunidade de escolher uma pessoa da sua região e, no seu entendimento, de qualificação, para ser homenageada aqui neste Poder.

Esse evento, ontem, mais uma vez foi coroado de pleno êxito aqui, na Assembléia Legislativa. A Casa e as galerias ficaram lotadas, todas as dependência foram tomadas, por conta da homenagem a grandes catarinenses que constróem este nosso estado com sua luta e dedicação.

Eu tive a oportunidade, ontem, de prestar homenagem a uma pessoa simples. Quando falei para ele que iria homenageá-lo, ele me respondeu: "Sr. Nilson, eu não tenho condições de ir lá. Eu não tenho roupa para ir. É só gente importante que vai lá, sr. Nilson. Eu não tenho gravata, eu não tenho terno". E respondi: "Mas você vai! Porque muito mais dos que têm gravata e terno, você tem qualidade e, acima de tudo, a honorabilidade que queremos dar-lhe, que é uma medalha em reconhecimento ao seu trabalho".

Eu me refiro ao sr. Santana, uma pessoa que acompanho desde o tempo em que eu era vereador. Desde lá ele já estava no meu gabinete. E de todos que freqüentavam o meu gabinete como vereador em Joinville, o único sobrevivente dos renais crônicos de Joinville é o sr. Santana, deputado Kennedy Nunes. E ontem, mesmo com problemas seriíssimos, todos eles vieram em um ônibus para prestigiar o sr. Santana.

Essa causa que o sr. Santana abraçou - e nós estamos nos irmanando a ele - é uma das mais nobres. A maioria não sabe o quanto essas pessoas penam, semanalmente, numa máquina para trocar o sangue de seu corpo e assim poder continuar sobrevivendo. E depois de passarem por todo esse sacrifício, não têm para onde ir, porque são pessoas que, muitas vezes, vêm de municípios vizinhos, cambaleantes pelas ruas, sem conseguir chegar numa rodoviária para pegar um ônibus e voltar para as suas casas. É um sacrifico extremo que a maioria das pessoas sequer conhece.

Estamos lá numa luta insana para termos uma casa de repouso para eles. Idéia do sr. Santana. Luta do sr. Santana, que nos sensibilizou. Já temos o terreno e agora, se Deus quiser, com a ajuda de empresários e de amigos, vamos conseguir construir essa sede própria dos renais crônicos de Joinville.

E isso não tem outra intenção, não, como acontece em outros casos em que existem boas e também intenções à parte nessas questões. Ali há única exclusivamente a intenção de melhorar a condição de vida de cada uma dessas pessoas. E só esse objetivo, mais nenhum; não existem outras intenções por trás disso tudo, como em muitos e muitos casos que vemos por aí.

Portanto, quero deixar registrada aqui a minha satisfação de ver o sr. Santana chegar aqui ontem, vestindo um terninho que ele ganhou do filho dele, e poder colocar no seu pescoço essa medalha. E fiz questão de que a minha mulher a colocasse, porque ela é a verdadeira mãe dessa gente toda, já que está pari passu do lado deles. E nós tivemos esse prazer...

(Discurso interrompido por término do horário regimental.)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)