Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

78ª Sessão Ordinária - 15/10/2008

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sr. presidente, companheiros deputados, companheiras deputadas, este dia 15 de outubro é um dia de reflexão, principalmente para nós que, por 36 anos, fomos professor, como aqui colocamos claramente.

Só é professor quem tem aluno, porque ele pode aprender com os seus alunos ensinando; é ter orgulho em dizer que o seu aluno irá saber mais do que ele, pois todos passam pelo processo de aprendizagem da educação.

O bom professor é aquele que faz com que o seu aluno saiba mais do que ele. O que aconteceria se o aluno soubesse igual ao professor? Seria triste porque não haveria evolução e estaríamos vivendo ainda na Idade Média. O aluno sempre irá saber mais do que o professor, pois cada geração saberá mais do que a anterior, pela tecnologia, pela ciência, pela aprendizagem, pelo acúmulo do conhecimento, pela pedagogia.

E aqui eu reafirmo uma grande lição: só aprende quem tem dúvida! Ver aquela pessoa com dúvidas, com aquele desejo de aprender a forma correta. Os imbecis nunca têm dúvidas, pois acham que sabem tudo. Isso é um perigo! Temos que ter humildade, saber que é possível aprender com as outras pessoas. Mas ao mesmo tempo nós temos esse orgulho de dizer que estamos ajudando e contribuindo para melhorar e transformar a sociedade.

E eu queria relembrar um pouco do discurso do companheiro Décio Góes, até pela história, deputado, que é importante e nos ajuda, pois a força motriz de um povo é a sua história. Quando eu comecei como professor, que foi no século passado, no milênio passado, em 1970, nós não tínhamos o Sinte, Sindicato dos Trabalhadores em Educação. E nem poderia o servidor público, de qualquer categoria, ter sindicato. Nós vivíamos em uma época de muita obscuridade e muito cerceamento. Então nos reunimos. Muitos professores importantes fizeram história, e tenho o dever aqui de relembrar esses verdadeiros heróis.

Fundamos a Associação dos Licenciados de Santa Catarina, a famosa Alisc, porque não podia haver sindicato. Começamos a lutar, primeiro com a professora Maria Goulart, que foi a pioneira a lutar pelo professor designado, porque naquela época não havia concurso público para professores ou para servidores públicos, eram todos nomeados. Mesmo sendo formados em curso superior, perdiam a vaga para outro, se um coordenador regional ou uma diretora de escola quisessem, até porque havia disciplinas naquela época como Educação Moral e Cívica e tantas outras que enfraqueceram o currículo e o conhecimento do nosso povo, e quem não tinha formação...

Então, não se podia ter organização, e nós fizemos a Associação dos Professores Licenciados. E o professor dava aula sem ganhar férias, sem direito à assistência e sem contar tempo de serviço. Era o famoso professor designado, todo ano tinha que fazer essa seleção.

Depois entrou o professor Júlio Wiggers, mais conhecido e que também foi presidente da Alisc, entramos com ações judiciais e durante anos fomos ganhando. Depois, inclusive, entrou o irmão do deputado Marcos Vieira, o Mauro Vieira, que foi outro exemplo de professor na luta.

Mais tarde, em 1980 aconteceu a primeira greve estadual na história de Santa Catarina. Primeira greve estadual realizada na história! Uma greve estadual! Tínhamos os mineiros do sul, os metalúrgicos, em outros setores, mas essa foi uma greve estadual, em 1980, comandada por uma equipe, por uma comissão da qual fazíamos parte, mas o Elvio Prevedello é que foi o grande líder daquele momento.

Depois este deputado foi presidente da Alisc, seguido de Maria de Aquine e Ideli Salvatti, que hoje é nossa senadora, e que participou daquela luta na época da Alisc.

Tivemos conquistas de 1982 a 1985, após a primeira greve, em 1980. Conseguimos concurso público, que não havia na época! Conseguir concurso público, que é uma questão ética, de transparência e normal, foi uma reivindicação pela qual muita gente pagou, muitos professores grevistas pagaram com o seu desemprego, porque naquela época bastava publicar no Diário Oficial e a pessoa que comandava o movimento estava desempregada. Vários líderes sofreram essas conseqüências, mas conquistamos o concurso público. Também conquistamos quadro de carreira e o Estatuto do Magistério. São três itens! O concurso, o quadro de carreira e o Estatuto do Magistério.

O que mais conquistamos? O Plano Estadual de Educação discutido em cada escola. Quarto item. E o quinto? Eleição direta para diretor de escola. Já tivemos como exemplo pioneiro no país, eleição direta. Havia Minas Gerais que elegia três e entre os três um era escolhido pelo secretário de Educação e o governo. Aqui não! Quem ganhava a eleição estava eleito. Olhem que história de luta! Que história bonita que os professores tiveram neste estado.

Agora o que acontece, minha gente? Sempre digo que é "sofressor", mistura de sofredor com professor, que é isso que somos e continuamos lutando. Nós não tivemos salários dignos! Algumas vezes ganhávamos um pouco mais, um pouco menos, como está hoje que usam o abono, talvez seja o objetivo, tenho certeza, do governo fazer com que o professor ganhe um pouco mais diretamente, porque o preço do feijão, do arroz, do quilowatt/hora e do gás é o mesmo. Então é importante que ele ganhe mais, mas aquilo não está embutido no seu salário, mas poderá sê-lo, tenho certeza, pois a Justiça tem dado esse direito de incorporar esses abonos ao salário.

Assim, a nossa luta neste dia, como reflexão: é importante que ganhemos mais mesmo, agora é importante continuar a luta e ter essa consciência do diálogo. As lideranças sindicais de hoje podem atuar de maneira diferente daquela nossa época, quando não tínhamos dispensa para atuar no sindicato, tínhamos que trabalhar na associação, comandar o movimento por nossa conta, no sábado, domingo ou de madrugada, porque não podíamos nos dedicar a essa causa que é nobre, é importante e é fundamental, é a conquista dos trabalhadores. Nós não! Tínhamos que dar as nossas aulas e ainda fazer o movimento e nos dedicar a causa.

Ninguém acreditava que estávamos fazendo aquilo por um ideal, sem interesse e lutando pela educação. Algumas vezes essas lideranças podem até cometer equívocos, nós também erramos, às vezes temos que aprender com o tempo, dialogar, esgotar o diálogo, porque a nossa causa é importante e nobre, não é somente o confronto da greve. Isso é importante e fundamental, mas quando? Quando se esgotarem todos os meios, o diálogo, que é fundamental e que mostra que a nossa causa é verdadeira.

Às vezes não temos correlações de forças para sustentar, isso já ocorreu conosco, a greve teve que recuar e o desgaste das lideranças foi incrível! Mas quem está na luta não tem só bônus, tem ônus, esse é o processo de quem joga para o time, de quem joga para a categoria com toda a força e não joga para a torcida.

O que existe de interferência político-partidária - nisso graças a Deus os professores podem até receber críticas em determinados desvios de esquerda que criam demandas e não criam a unidade necessária para transformar e mudar, mas esse é um processo que com o tempo vai evoluindo.

O importante hoje, em todo e qualquer movimento, seja dos professores, dos mineiros, dos metalúrgicos, do setor policial, do setor de segurança, qualquer setor, é lutar pela unidade. Ser revolucionário hoje é ter a visão da unidade, e a unidade implica em coesão, em parâmetros mínimos, em saber conduzir essa luta para ganhar mentes e corações. Não é somente o interesse de ter um salário maior, mas o interesse de ter uma educação melhor, de podermos avançar junto com toda a sociedade, porque os filhos dos trabalhadores estão nas escolas públicas. Essa deve ser fortificada.

Portanto, falou-se aqui numa grande conquista, que é a hora/atividade, que agora, como o deputado Décio Góes falou, amanhã vai haver uma audiência pública onde vamos discutir essa hora/atividade no piso salarial de quem fez o curso magister, de quem trabalha com a educação na fase mais importante, que é a primária, onde vincula o município e o estado. Tudo é público, a educação municipal, estadual ou federal. É essa a visão que nós temos que ter, e é isso que tínhamos que dizer meus companheiros.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)