47ª Sessão Ordinária - 05/06/2008
O SR. DEPUTADO JAIME PASQUALINI - Sra. presidente, srs. deputados, eu queria responder ao deputado Elizeu Mattos, que ontem me atribuiu o qualificativo de vidente. Deputado Elizeu Mattos, vidente é aquela pessoa que tenta enxergar o futuro, que faz o exercício da futurologia tal qual um profeta. Eu acho que o deputado Elizeu Mattos quis dar-me o atributo de evidente. Entre vidente e evidente há uma distância quilométrica. Eu não sou vidente porque eu não enxergo o futuro; eu sou um evidente porque vejo os fatos.
Deputado Elizeu Mattos, vejo os livros que v.exa. diz desconhecer. Mas a polícia apreendeu vários e v.exa. tem acesso à fonte, pode buscá-los.
Evidente é quem prova, quem tem fatos incontestáveis, deputado Décio Lima. Vidente seria eu se estivesse prevendo a cassação do governador. Não! Eu estou sendo evidente: ele está sendo processado por abuso do poder econômico. Ser vidente é dizer que o Nei Silva será absolvido. Ser evidente é dizer que ele está sendo processado, que ele está preso.
Essa é a diferença entre vidente e evidente e eu acredito que v.exa. deve ter querido dizer que eu sou um evidente. Eu agradeço, mas lamento o seu equívoco.
Deputado Manoel Mota, v.exa. tem o hábito de arrastar outras pessoas, outras instituições. Tenta levar junto o Poder Judiciário nesse emaranhado, nessa falácia do livro. E agora tenta envolver-nos com o Maluf. Vamos ater-nos ao aspecto paroquial. Nós temos que decidir as nossas coisas, nós temos que resolver os nossos problemas, deputado Manoel Mota. O seu partido também tem os seus Maluf: Renan Calheiros, Orestes Quércia. Não precisa atacar-nos, vamos manter-nos no nosso nível. Chega de avançar lá para cima, eles têm os seus problemas.
Mas ontem nós tivemos mais um episódio do livro. É uma guerra, deputado Jandir Bellini, de grandes guerreiros. O objeto dessa guerra, seja uma fortuna ou uma terra ou a proteção de um governo, pode ser pequeno ou grande. E eu tenho dito que o tamanho de uma guerra, deputado Ismael dos Santos, não se mede pela envergadura dos soldados ou do que eles defendem, mas pelas mortes e pela destruição que ela causa. Essa guerra deixará muitos mortos e com certeza muita destruição. Aquilo que está lá sigilosamente guardado na delegacia é algo que está sendo destruído. Mas o objeto do livro será ainda objeto de muita discussão.
Eu quero responder ao deputado Carlos Hoegen, o Carlão, que ontem tomou posse nesta Assembléia de forma eloqüente. Quem já conhecia o Carlão, deputado Jailson Lima, quem o conheceu há cerca de quatro anos, cinco anos, quando era prefeito, sabe que hoje ele é outra pessoa, é uma pessoa humilde. No meio Judiciário, no meio da advocacia, quando o juiz se arvora num direito acima, quase se julgando Deus, nós dizemos que ele está sofrendo de juizite. O juiz foi atacado pela doença da juizite. Carlos Hoegen foi atacado pela alcaidite, a doença do alcaide. Ele era assim, agora não é mais. Ele hoje é um homem simples.
Eu lembro, deputado Carlos Chiodini, que quando fui visitá-lo para ele me apoiar como deputado federal, já que era da minha sigla, o PP, eu disse: "Carlão, eu vim aqui pedir o teu apoio. Eu sou o único candidato da região a deputado federal. Podes ajudar-me nisso?" Eu era reitor da universidade naquela época e ele me disse: "Olha, Pasqualini, eu te apóio, mas tu tens que resolver o meu problema de freqüência, porque eu reprovei numa disciplina. Resolve isso que eu te apoio". E aí disse a ele: "Prefeito, eu sou reitor, mas não tenho domínio sobre a professora. Como é que eu vou aprová-lo?" E ele disse: "Não sei. Resolve isso!" E ele disse isso na frente, inclusive, da secretária da Educação e de toda a minha assessoria. E eu respondi-lhe: "Eu lamento, mas vou perder o apoio", como de fato perdi!
Mas esse era o Carlão do passado, o do presente é um homem simples. As derrotas, e eu sofri mais do que ele, levaram-no ao amadurecimento. Hoje o Carlão é outro homem e com certeza poderá melhorar muito. Por exemplo, no seu primeiro pronunciamento e no segundo dia aqui na Casa ele poderia ter-nos ouvido, deputado Jailson Lima; ele poderia lembrar do seu pai, da sua mãe, como v.exa. fez, deputado Ismael dos Santos; ele poderia lembrar da sua gente de Ituporanga, daquela gente que trabalha no cultivo da cebola, do bairro Nossa Senhora de Fátima, da irmã Paulina; ele poderia lembrar do vice-prefeito, que diz que comprou a vaga e o cargo para assumir como prefeito; ele poderia lembrar do Lourinho, que o povo está reconhecendo e que nos últimos dois anos transformou a cidade e é candidato à reeleição. Lembra do Lourinho, Carlão? Lembra do Gervásio Maciel, um deputado que honrou esta Casa, mas, acima de tudo, honrou o alto vale e Ituporanga?!
Ontem, era a sua oportunidade para lembrar a sua terra, a sua gente, a sua família e não se lembrar do prefeito de Rio do Sul! Mas eu sei por quê, deputado Jailson Lima. O deputado Carlão tem um cargo de diretor na Casan, no qual, com as diárias, chega a ganhar R$ 30 mil. Tem que agradecer mesmo ao Milton Hobus, deputado Jailson Lima! Ele tem que agradecer, porque quando ele sair daqui, após os 60 dias, ele voltará para o cargo. Portanto, se ele não agradecer ao chefe mor da política no alto vale, o sr. Milton Hobus, ele corre o risco de não voltar para a Casan.
Então, eu reconheço que o Carlão é hoje um homem humilde, que pode aprender, como eu aprendi, com todos os deputados desta Casa, mas pode melhorar muito mais! Melhore o seu discurso, reconheça a sua gente e reconheça a sua família! Não se esqueça daqueles que lhe deram origem! Há tanta gente para lembrar, e depois pense em Rio do Sul!
Eu sei que v.exa. não tem ingratidão ao prefeito Milton Hobus, mas v.exa. tem uma obrigação de defendê-lo. E com certeza ele pediu a v.exa.: "Vá lá e me defenda porque aqueles homens lá estão demais comigo!" Mas primeiro vá defender a sua terra e a sua gente e depois vá pensar em Rio do Sul! Elogie a sua terra e a sua gente. Agora, resumir os elogios a Rio do Sul à diminuição das cáries, uma coisa do Nodgi Pellizetti?! Fale dos problemas de Rio do Sul, das filas quilométricas em busca da saúde, dos atos de corrupção que estão acontecendo naquela cidade.
Não, o deputado Carlos Hoegen não veio aqui falar de Rio do Sul e das cáries que foram reduzidas. Ele esqueceu Ituporanga; de Rio Batalha; de Gervásio Maciel, grande homem daquela cidade, que nos representou por alguns anos neste Parlamento; ele esqueceu o grande prefeito Hugo Lourinho de Andrade.
Por certo isso servirá de lição, deputado Carlão, para que v.exa. volte aqui para defender o governo, que é obrigação sua, mas também para levantar as proezas, as vantagens, as riquezas da sua terra e não por obrigação elogiar o prefeito da cidade vizinha, que o abrigou e homenageou-o com o apoio político nas últimas eleições.
Isso não é gratidão, deputado Ismael dos Santos, isso é obrigação. Uma é moral, a outra é jurídica. Deputado Carlão, v.exa. já cumpriu a sua obrigação. Agora volte para a sua terra, volte para Ituporanga, ela precisa de v.exa.!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)