62ª Sessão Ordinária - 05/08/2009
O SR. DEPUTADO GIANCARLO TOMELIN - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, senhoras e senhores que nos assistem pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital, senhoras e senhores que estão em plenário, deputados Dirceu Dresch, Dionei Walter da Silva, Reno Caramori, Professor Grando e Rogério Peninha Mendonça, realmente quem nos está ouvindo e assistindo não deve estar entendendo, porque cada partido político tem o seu programa, tem a sua forma de agir na sua comunidade; cada partido político tem o seu jeito de ser e de fazer. Mas, deputados Dionei Walter da Silva e Dirceu Dresch, eu realmente fico perplexo com a capacidade que têm v.exas. de vir à tribuna do Parlamento catarinense questionar a estabilização da economia feita na época do governo de Fernando Henrique Cardoso! Eu fico perplexo quando ouço v.exas. dizerem da tribuna que entregamos em frangalhos a economia do país. Os R$ 4,00 a que o dólar chegou foi o efeito Lula, ou seja, a expectativa de que, se eleito, Lula quebraria os contratos! Foi o efeito Lula, que em 2002 ainda não havia aprendido a contento que palavra empenhada é palavra cumprida. O dólar a R$ 4,00 foi fruto de um momento em que o discurso era um e a prática era outra. E o que acontecia, deputado Dionei Walter da Silva, com o mercado internacional? "Olha, esse presidente que está aí vai quebrar os contratos e nós precisamos especular, vender, comprar"! E foi isso que levou o dólar a R$ 4,00.
Graças a Deus, houve bom senso por parte do governo do PT, que buscou no PSDB, mais especificamente na pessoa de Henrique Meirelles, um tucano para presidir o Banco Central, um tucano para gerir a economia, um tucano para dar o norte.
Que bom que o PT aprendeu, que bom que o PT tem conseguido evoluir, que bom que o PT agora é a favor do salário mínimo regional, porque ele era contra!
Você, telespectador que está-me assistindo, saiba que no dia 28 de março de 2000, a bancada do PT no Senado entrou com uma arguição de inconstitucionalidade contra o piso mínimo regional. E contra fatos não há argumentos. Quem nos está ouvindo sabe, quem está-nos assistindo sabe da capacidade que os políticos têm, às vezes, de criar factoides, criar espumas, coisas que eu não sei de onde tiram, porque naquele momento quem defendia o salário de U$ 100 era o então senador Antônio Carlos Magalhães.
Nós tínhamos um salário mínimo, é verdade, achatado, R$ 136,00 - e ainda o é - mas precisávamos aumentá-lo. E o governo de Fernando Henrique Cardoso só poderia passar para R$ 151,00, porque ele, sim, pegou uma economia em frangalhos, fruto de diversos governos que se equivocaram.
Mas o governo atual, não. O governo atual voou em céu de brigadeiro, navegou em mar de almirante e mesmo assim não conseguiu levar o Brasil para o seu lugar, para o lugar de onde nascemos e surgimos, que é para liderar, e liderar o mundo, eu acredito nisso. E tenho certeza de que a minha geração haverá de ver um país forte, austero, gerando oportunidades, gerando renda, gerando emprego, gerando a qualidade de vida que o povo merece.
Talvez no próximo governo nós possamos dar continuidade a muitas coisas que o governo Lula fez quando apelidou a rede de proteção social de Bolsa Família, quando manteve os conceitos de estabilização da economia.
Então, deputados Dionei Walter da Silva e Dirceu Dresch, por favor, quando vierem à tribuna, venham com fatos concretos, como os do dia 28 de março de 2000. E por que o PT era contra o salário mínimo regional e hoje é a favor? Porque ele mudou. O PT mudou, graças a Deus, e está entendendo que a social democracia é o caminho.
O Sr. Deputado Professor Grando - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO GIANCARLO TOMELIN - Pois não!
O Sr. Deputado Professor Grando - Triste do país, do município ou do estado, daqueles que fazem política que precisam ter um inimigo ou um adversário. Fazer política é ter propostas e respeitar o que o povo escolhe. O povo disse que o governo de Fernando Henrique Cardoso acabou e queremos um novo governante. E quando se governa, governa-se olhando para frente e não para o espelho retrovisor. Não se olha para trás.
Eu fui prefeito da capital de todos os catarinenses e ninguém me viu fazer uma crítica ao prefeito anterior. Eu fui escolhido, sim, o povo me escolheu porque não queria mais aquele tipo de administração!
Nós temos que aprender a fazer política com planejamento, com propostas, com ideias, e às vezes os partidos fazem questão de brigar um com o outro, como se não existissem outros partidos e alternativas, até para dominar a arena política.E é isso que nós temos que pensar, que há outros partidos.
Eu falo em nome do meu partido, o PPS; nós não somos sociais democratas nem somos o que o PT até hoje não definiu. Nós somos, sim, um partido de esquerda, democrático, temos a nossa maneira, sim, de fazer política, defendemos reformas, porque elas significam avanço e muitas coisas têm que ser feitas, inclusive a reforma agrária. Nós somos um dos poucos países do mundo que têm terras, trabalhadores e capital, tem tudo o que é necessário para fazer uma reforma. Com muito menos dinheiro do que gastaram no "mensalão" nós teríamos assentado mais de dois milhões de brasileiros e feito a reforma agrária total neste país.
Não vou falar daqueles que se entristeceram, que tiveram os remorsos históricos da esperança, que é aquela que nos move para as mudanças ocorrerem. E não ocorreram porque nunca os banqueiros da avenida Paulista ganharam tanto dinheiro como agora. Até o HSBC, que teve prejuízo na Europa e nos Estados Unidos, no Brasil ganhou U$ 1,5 bilhão. Seja no governo anterior ou agora o dinheiro parasita não é o dinheiro produtivo da indústria que gera emprego e riquezas, não, é aquele que continua dominando, é o pior capitalismo, é o capitalismo financeiro. No Brasil ninguém entrou em crise. Qual sistema financeiro foi mal neste país com essa crise mundial? Nenhum. Nós temos que mudar. Há alternativas.
Portanto, acho importante que quem é do PSDB se defenda, que quem é do PT procure distinguir-se, mas antes de tudo é preciso ter proposta para a realidade. Só é revolucionário e só transforma quem é realista, e a realidade está aí nas ruas, não adianta fazer todo um ufanismo. Já conheci presidente com 87% de aceitação. Ele entrava no estádio, ligava um radinho e todo o Maracanã aplaudia. Sabem qual o nome dele? O povo nem lembra mais. Emílio Garrastazu Médici. Era um ditador e nós tínhamos a coragem de ir às ruas para ser contra. Era a época do Brasil "ame-o ou deixe-o". Diziam que tínhamos que deixar o país e ir embora se não estivéssemos gostando. Mas nós queríamos a democracia, a luta era muito mais ampla, era a época da construção da unidade.
Assim sendo, há outras opções que entendo fundamentais. Então, com relação a essa questão, quero dizer que ontem foi feito um debate muito bonito na TVCom, em que o PPS levantou um argumento muito interessante: a luta pelo salário regional é válida porque há unidade. Ser unitário, defender a unidade hoje é revolucionário. Todas as centrais estão lá, o governo está lá, os parlamentares querem, então, vai sair, a luta é do capital, a valorização é do trabalho.
Muito obrigado!
O SR. DEPUTADO GIANCARLO TOMELIN - Obrigado, deputado Professor Grando. Tenho certeza de que o PPS é uma alternativa, tanto é que já decidiu, em nível nacional, que estará ao lado de José Serra, ao lado do PSDB, para voltar a construir o Brasil dos nossos sonhos.
Gostaria de dizer que esse debate é construtivo, mas não podemos apenas ficar nesse debate, precisamos ir para as questões práticas. E sobre as questões práticas, eu queria convidar a Casa e dizer que esta noite haverá uma sessão especial em comemoração aos 15 anos do Secovi, que muito orgulha Santa Catarina. E quero agradecer à deputada Angela Albino que foi nossa parceira nessa ação do Secovi.
Quanto à questão política, nós voltaremos em outro momento.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)