58ª Sessão Ordinária - 02/07/2015
A SRA. DEPUTADA ANA PAULA LIMA - Bom-dia, sr. presidente, srs. deputados, telespectadores da TVAL e ouvintes da Rádio Alesc Digital.
Ocupo o horário destinado ao Partido dos Trabalhadores, srs. parlamentares, para fazer algumas reflexões sobre o momento que estamos vivendo em nosso país e no mundo.
(Passa a ler.)
"Outro dia também ocupei este espaço do horário do meu partido para afirmar que o Brasil é muito maior que qualquer crise, e agora essa convicção foi confirmada com as palavras do presidente Barack Obama.
Nós vivemos no Brasil, deputado Níkolas Reis, mas muitos brasileiros gostam mais dos Estados Unidos do que do Brasil. E isso me entristece muito.
'Nós vemos o Brasil não como uma potência regional, mas como uma potência global.' Estas são palavras do presidente Barack Obama, esta semana, respondendo, infelizmente, a uma jornalista brasileira que está sempre desmerecendo o nosso país. 'Se você pensarem no G-20, o Brasil é uma voz importante ali.' 'As negociações que vão acontecer em Paris, sobre as mudanças climáticas no mundo, só podem ter sucesso com o Brasil como líder-chave.' 'Os anúncios feitos sobre energia renovável são indicativos da liderança do Brasil.'
Mais do que as palavras, embora tenham elevada importância considerada a fonte, o que depender da visita feita recentemente, encerrada também pela presidenta Dilma Rousseff, é que se trata de oportunidade para o Brasil e também os Estados Unidos refletirem sobre a luta constante em prol de justiça e da igualdade.
Aliás, não foi por acaso que Dilma Rousseff e Barack Obama visitaram juntos o túmulo de Martin Luther King, ícone da luta contra a intolerância que, tal qual vírus mutante, ressurge de tempos em tempos, infelizmente. A visita serviu para a afirmação de valores compartilhados e fortalecimento dos laços entre os brasileiros e também o povo americano.
Na dimensão econômica, srs. parlamentares, em relação a oportunidades, o Brasil foi percebido como destino para investimentos em infraestrutura, fato que certamente permitirá ampliar as relações com os Estados Unidos. Relações essas que, transcendendo os governos, alcançam as empresas, a academia e a sociedade. Convênios de trocas tecnológicas com a Nasa, o acordo de metas ambientais e até o fim do visto a brasileiros, e que tanto adoram os Estados Unidos, para entrada nos EUA.
E aqui não se trata somente de facilitar a vida do turista brasileiro, mas também de proteger aqueles que procuram a consolidação, a expansão e a internacionalização da ciência e tecnologia, como ocorre com os milhares de brasileiros beneficiários do programa Ciência sem Fronteiras, do governo federal - de iniciativa da presidente Dilma Rousseff e do ex-presidente Lula -, que é uma referência mundial.
Se existem diferenças entre os países, também há muitos paralelos. Falo aqui do Obamacare, ensaio do Sistema Único de Saúde dos Estados Unidos, que, segundo os institutos de pesquisa, seriam impensáveis tempos atrás, e que foi uma guerra no Congresso dos Estados Unidos.
Outro fato relevante tem a ver com a discussão da proposta de redução da maioridade penal ora em curso no Brasil, e que, infelizmente, no dia de ontem, o Congresso Nacional aprovou. Mas esse debate ainda não está no fim, teremos mais debates na Câmara e também no Senado - e certamente ainda iremos discutir esse tema em outra oportunidade, nesta tribuna.
Aqui, assim como lá, existe convergência na ideia de pôr fim ao 'encarceramento em massa', nas palavras da pré-candidata favorita do Partido Democrata Hillary Clinton. Aliás, por oportuno, outras frentes contra a intolerância constam das promessas da futura presidenta Hillary Clinton, como o fim do uso da bandeira racista dos confederados anti-Lincoln.
Também não podemos esquecer que, depois dos atentados contra uma igreja de afro-americanos, é forte a aspiração do controle de armas para evitar esse tipo de atentado que acontece frequentemente nos Estados Unidos.
Srs. deputados, o Brasil é mundialmente reconhecido pelo programa Bolsa Família, do governo do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma Rousseff; pela exclusão do mapa da fome, que é reconhecido pela ONU; pelo Minha Casa, Minha Vida; pelas bases sindicais; pelo LGBT; pela defesa das mulheres; pela luta contra o racismo. Essas são experiências brasileiras que podem contribuir para minorar as contradições americanas. E contradições essas que geraram, por exemplo, a crise financeira mundial de 2008 ou o embate pós-segunda guerra entre Estados Unidos e União Soviética. Lá, como aqui, ocorre o enfrentamento entre a direita conservadora e aqueles que buscam o desenvolvimento humano. É nisto que acredito: nas pessoas, no desenvolvimento das pessoas.
Lá democratas querem expandir os programas sociais, a intervenção estatal na economia (para resolver a crise de 2008) e a redução dos gastos bélicos, enquanto que os republicanos querem exatamente o contrário, infelizmente.
Aqui há um oposicionismo rancoroso e sem projeto que, buscando atingir o governo, prejudica o país, infelizmente. Não descem do palanque, não reconhecem a derrota, alimentam-se de parte da mídia comprometida e de interpretações seletivas da legislação.
Por isso, srs. deputados, é cada vez mais importante que se construam pontes de cooperação política entre países protagonistas para o estabelecimento de uma nova ordem mundial, sem a reedição de uma Guerra Fria ou de uma tentativa de secessão.
Enfim, a nossa presidenta Dilma Rousseff colocou em curso um pragmatismo econômico para enfrentar os reflexos internos da crise financeira mundial, em paralelo com uma estratégia de política internacional, demonstrada pela visita ao presidente dos Estados Unidos.
Nitidamente a intenção é buscar o reconhecimento do atual protagonismo do nosso país. E será feito sem virar as costas para a América Latina ou aos Brics, porque, voltando ao Barack Obama, que, tempos atrás, disse que Lula era 'o cara', agora disse aos brasileiros que o Brasil não é uma referência regional, mas 'é uma potencia global', e temos que acreditar nisto."
Muito obrigada!
(SEM REVISÃO DA ORADORA)