19ª Sessão Ordinária - 19/03/2014
O SR. DEPUTADO MANOEL MOTA - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, telespectadores da TVAL, ouvintes da Rádio Digital, sra. vereadora e srs. vereadores que vêm de Urussanga a trabalho a esta capital e prestigiam o nosso Parlamento nesta manhã. Também está presente nesta Casa o prefeito de Pedras Grandes, Antônio Felippe Sobrinho, que vem à capital nesta manhã, demais visitantes que nos acompanham na manhã de hoje.
Eu gostaria de entrar num tema político, mas vou deixar para mais tarde para ver se o meu coração consegue suportar o que eu pretendo dizer.
Quero iniciar falando sobre a situação que vivemos neste Brasil, em que o governo tem menos força do que algumas entidades. A Funai de Santa Catarina tem mais força do que o governo federal.
Não dá para admitir que os irresponsáveis da Funai deixem acontecer as mortes e dizendo que as pessoas têm que se cuidar. Quer dizer, é uma resposta bonita para pessoas que denigrem o governo federal, que não merecem estar ali representando o governo nesta ação.
Se não fosse o governador do estado entrar com uma ação na Justiça Federal e ganhar a liminar para a execução da quarta pista, as pessoas iam continuar morrendo ali.
Por que agora a Funai não vai lá trancar a rodovia? É por que têm medo da prisão? Eles foram moleques e irresponsáveis. Trouxeram índios que, coitados, não têm culpa nenhuma. Importaram índio de tudo que é lado, do Paraguai, de todas as regiões, e trouxeram para o Morro dos
Cavalos, onde não se produz nada.
Agora querem a garantia dos terrenos, querem demarcar. Então, a quarta pista não podia sair porque eles querem demarcar? Isso não tem sentido.
Finalmente, a Justiça Federal garantiu que vamos ter a quarta pista e assim diminuiremos as mortes. Essas mortes não vão parar, mas vão diminuir as mortes que ali vêm acontecendo a cada instante.
Então, esse é o Brasil em que nós vivemos hoje. Lá na serra, em Praia Grande, Cidade dos Canyons, ficamos aguardando por quatro anos por causa de duas pererecas. Por causa de um casal pererecas, entraram com uma ação e por quatro anos o dinheiro ficou depositado, não podiam executar a obra porque ia exterminar as pererecas. As pererecas da promotora que entrou com uma ação contra a obra.
Então, aconteceu que, depois de quatro anos, viu que tem milhões de pererecas lá, então a licença saiu e já está licitada a obra. Isso é o Brasil!
Mas quem é que vai pagar os R$ 27 milhões a mais? Agora a obra está custando R$ 27 milhões a mais, e quem é que vai pagar?
A procuradora de República tem que ser processada porque foi irresponsável. Não analisou, não fez um levantamento e apenas entrou com uma ação contra a obra, que é turística e que apenas vai beneficiar o norte do Rio Grande do Sul e o sul de Santa Catarina.
Mas, felizmente, conseguimos a licença ambiental, a obra já está licitada, é dinheiro do BID, e agora esta obra vai acontecer.
Nós trabalhamos 30 anos na Serra da Rocinha, a BR-285, foram 30 anos de luta. Depois de 30 anos conseguimos todo o dinheiro e a licença. Saiu a ordem de serviço e também entraram com uma ação alegando que aquela licença não serve, e a obra foi bloqueada e parada.
A empresa é um consórcio, já estava instalada, e uma delas é a Setep Construções S/A, uma das grandes empresas de Santa Catarina, e está lá a obra parada.
Então, não dá para brincar com dinheiro público. Também outras empresas participam, ganham a licitação e depois não têm equipamentos, maquinários e vão empreitando, não podem pagar e param a obra. Existem várias obras em Santa Catarina paradas porque a empresa não teve condições de continuar. Este é o Brasil em que vivemos!
E tem mais! Há empresas que trabalharam na BR-101, foram contempladas com 14 aditivos e estão participando de outras licitações e trabalhando!
Eram para estar na cadeia! É muito difícil gerir uma situação dessas.
Em 1985, 95% do PIB brasileiro ficou concentrado nos tapetões pretos, nas BRs deste Brasil pelos caminhoneiros. E eu como prefeito, estive ligado à área de transporte de caminhão. Assim, tive que criar um evento que valorizasse o motorista profissional para a sociedade conhecer o que representa um homem no volante que carrega a riqueza do país nos tapetões, e aí criamos a Arrancada de Caminhões, em 1985.
Em 1986, aconteceu o primeiro evento que teve como premiação uma moto, e o grande piloto deste Brasil nesta modalidade era Edson Beber; e o outro prêmio ficou com este deputado, que também era bom no pé. Fui campeão em outra modalidade.
Em 1987, o piloto Beber ganhou um automóvel, demonstrando agilidade, porque ele sabia preparar o caminhão como um jóquei que avança com seu cavalo cinco metros na frente na rédea.
Em 1988, a premiação era quatro automóveis. Beber ganhou um automóvel na força do caminhão 380 CV e dois automóveis na força livre, e de lá para cá, participa todos os anos da arrancada e sempre é campeão. Quero destacar que ele é uma pessoa muito alegre, amigo de todos, mesmo sendo campeão sempre, mas se não fosse campeão seria a mesma coisa. Beber vinha do Paraná e trazia os amigos de lá para participar das corridas.
A arrancada era um dos maiores eventos de Santa Catarina, depois passou a ser o maior evento do Brasil, e hoje é o maior evento do mundo na categoria de transporte e carga. O quilômetro de arrancada existe em mais de dez países, e a nossa festa é a maior de todas, com 150 mil pessoas presentes.
Então, é uma festa extraordinária, uma festa sem limite. Nunca houve um probleminha, nunca houve nada, inclusive registrei aqui na semana passada isso, e, de repente, numa festa linda, num dia lindo, sem vento, tudo normal, Beber foi disputar uma das quatro categorias da final da premiação para ser campeão, saiu um pouquinho atrás, mas com muito braço no volante conseguiu o primeiro lugar, ou seja, foi o campeão da prova. Eu não estava lá, mas existem vídeos sobre este momento. Ele ganhou no final da prova. Acho que estava a menos de meio metro do outro caminhão. E é natural que a pessoa vibre depois de ganhar a corrida, como mostra um dos vídeos, o Beber com os braços para cima. E como ele estava na areia, deve ter perdido o controle e quando foi pegar no volante novamente já não deu mais, o caminhão tombou e ele recebeu uma pancada na cabeça e teve morte instantânea. Para nós esse acontecimento fez o mundo desabar. Imaginem, numa festa linda como a nossa, que marca a história de Santa Catarina para todo o Brasil.
Esperei até as 23h para que o corpo fosse liberado de Araranguá, e depois fui para Ilhota, fiquei até segunda-feira, e de lá o corpo iria para o Paraná. Em Ilhota, onde o corpo se encontrava, havia muitas pessoas, pois ele era proprietário de uma empresa de transportes. Beber era uma pessoa de amizades sem limites.
Então, Santa Catarina, assim como o estado do Paraná, perdeu um grande piloto de corrida de caminhões. Beber disse numa entrevista um pouquinho antes do acidente: "Essa é a minha paixão! Correr na pista em Araranguá. Arrancada de Caminhões é a minha paixão! Se tiver que morrer numa pista, morro feliz porque é a minha paixão." A entrevista foi transmitida no rádio e não houve quem aguentasse.
No sábado de manhã ele disse: "Tu vais correr com o meu caminhão! Eu fico de fora e tu corres com o meu caminhão!" E eu disse para ele o seguinte: estrela tem que ficar lá na pista! Você é uma estrela. Você é a nossa estrela.
E ele ainda insistiu. É uma coisa inacreditável, inacreditável! Ele corre, ganha todas as provas e na hora de ser campeão acontece esse desastre que abalou o sul inteiro, havia muita gente, aproximadamente 150 mil pessoas.
Foi encerrado o evento, havia mais duas categorias para decidir a prova. O prefeito, com muita habilidade, na hora disse que todos que estavam participando iriam receber o dinheiro da inscrição de volta, e quem já havia corrido iria receber, mas não há mais como continuar. Realmente não havia condições, pois era uma pessoa querida por todos.
Então, pretendo, sr. presidente, fazer uma sessão solene neste Parlamento para homenagear esse grande amigo, esse baluarte do volante, que escreveu história porque foi da Fórmula Truck e por onde passou foi campeão. E aí evidentemente vamos valorizar todos que foram campeões, mas a homenagem é para o Edson Beber.
Edson Beber está gravado em nossos corações para o resto da vida. Ele era um amigo de todos, era meu amigo há 24 anos, e eu senti demais a sua morte, mas temos que ter força, coragem...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)