Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Jailson Lima da Silva

114ª Sessão Ordinária - 20/11/2012

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Muito obrigado, presidente deputado Moacir Sopelsa, solicitei ao meu partido hoje que unificasse o tempo no horário dos Partidos Políticos com o meu horário em Explicação Pessoal.

Vou falar em nome da democracia após o período eleitoral que já passamos em todo o estado e na cidade de Rio do Sul também. Quero dizer ao deputado Jorge Teixeira, que foi nosso adversário em Rio do Sul, do apreço que tenho por s.exa., pela sua vida profissional como médico, mas quero publicamente questionar por parte do PSD de Rio do Sul, por parte do prefeito de Rio do Sul e do presidente do PSD, partido que entrará na base de apoio do nosso governo a partir do ano que vem, posturas e condutas tomadas em nossa cidade na eleição.

Tivemos durante o período eleitoral, no domingo que antecedeu as eleições em Rio do Sul, um movimento explícito e normal de campanha, que foi uma grande carreata, a única feita em toda campanha. Uma carreata que envolveu mais de três mil veículos espontaneamente, que foram surgindo na campanha. Após essa carreata, na segunda-feira, houve uma reunião do PSD com a sua coligação.

O deputado Jorge Teixeira, pela gravação, não estava presente nem o seu vice. A gravação dessa reunião chegou às minhas mãos.

Primeiramente, temos que ter claro que o trabalhador brasileiro é proprietário do seu voto. A Lei Áurea neste país já foi feita e a escravidão não existe mais. Porém, não é o fato de ser patrão que nos imprime a condição de exigir votação de funcionários com condutas onde foram feitas compra explícita de votos, na forma de encaminhamento, deputado Elizeu Mattos, do processo eleitoral.

Foram 70 minutos de gravação durante uma reunião, em que foram selecionados dez minutos que serão passados aqui. E peço a vocês que reproduzam, dos dez minutos de gravação, sete minutos, se não me engano, da gravação dessa reunião, para deixar claro que tenho honra de ser do Partido dos Trabalhadores, que me orgulho da camisa que visto, que não fazemos campanha com ódio, com rancor e que não fizemos isso em Rio do Sul.

Então, esse fato de o atual prefeito ter passado nas empresas dizendo que tinha de ser secretário de estado da Fazenda, que isso estava condicionado com a vitória eleitoral, que muito iria fazer naquela cidade como secretário, deputado Valmir Comin, mostra nitidamente que ser secretário é mais importante do que ser deputado.

Somos poderes diferenciados, aqui cumprimos com o nosso papel e lá se cumpre com outro, mas com uma diferença, deputado Dirceu Dresch: aqui o povo nos coloca e tira, e lá é o governador que coloca e tira.

Assim sendo, quero deixar claro que o PSD que conheço do deputado Gelson Merisio, v.exa. que é presidente do partido neste estado, que o PSD que conheci nesta Casa, não usa da metodologia do PSD e do "secretariável" que vocês têm de Rio do Sul. E quero pedir a vocês que passem agora no telão a gravação daquela reunião produzida por eles.

(Procede-se à projeção de vídeo.)

Aí, são vários tópicos dos setenta minutos de gravação!

Primeiro, quero deixar claro que quem ganhou as eleições em Rio do Sul não foram bandidos, como o prefeito termina dizendo. Segundo, é inconcebível que num processo eleitoral se tente criar um flagrante de drogas no candidato adversário, como nitidamente foi dito ali e ressaltado pelo secretário regional do estado, o sr. Ítalo, que era do PMDB e saiu para ser coordenador da outra campanha.

Não se concebe envolver a família de um candidato querendo expressar flagrante de drogas; dizer que tem que chamar os funcionários um a um, num escritório tranquilinho, e obrigar muitos funcionários de empresas a andarem de camiseta azul. E alguns diziam: "Deputado, nos disseram para usarmos a camiseta." E somos também contrários a essa forma de fazer campanha do acerto final de dar mil reaizinhos na última hora e dar gasolininha, como fizeram!

Fizemos uma carreata espontânea. E na gravação o prefeito disse que batiam nos carros dos adversários, mas não há nenhum BO registrado nem foi distribuída gasolina como dizem nas gravações. Essa é apenas uma parte, mas isso não pode acontecer num país democrático, num país no qual se constrói cidadania! E esse é um cidadão que está aí para ser secretário!

Estou fazendo isso, porque já fui prefeito daquele município e aqui temo-nos tratado com respeito. E nós, na vida pública, não fizemos campanha com ódio, como foi dito. Quero deixar claro que o PT não é contra empresários! Temos muitos empresários no nosso partido, e o meu vice-prefeito em Rio do Sul era empresário.

Quero deixar claro que as nossas campanhas foram transparentes e organizadas por um conjunto de partidos que, na sua maioria, estavam do lado de lá. Na nossa coligação estiveram PP, PSDB, PT, PMDB, PCdoB, PV e tantos outros partidos que têm representação aqui e que estavam do outro lado, deputado Manoel Mota, mas que neste momento, num arco de aliança, entendendo que não podiam mais fazer política desse jeito, resolveram compor conosco.

Agora, quero me solidarizar com o prefeito eleito de Rio do Sul, o Gariba, figura decente, serena, pai de família, pelos métodos utilizados.

Quero dizer que nós do PT nos orgulhamos de, durante a campanha, termos colocado o vice do PMDB na cidade de Rio de Sul.

Gostaria de dizer, ainda, que neste país já se rompeu algemas. E não podemos mais aceitar trabalhador ser chamado para dentro do escritório de patrão para escutar em quem tem que votar e, mais, dizer ao funcionário que ele está votando por oba, oba e não por consciência política, porque quando vota conscientemente, quando decide espontaneamente, entra no oba, oba.

O Sr. Deputado Darci de Matos - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Pois não!

O Sr. Deputado Darci de Matos - Deputado Jailson Lima, quero lamentar o fato acontecido e dizer que isso não contribui com o processo eleitoral, não faz parte da prática do PSD, que é um partido que presa pela ética, conduta, retidão, e cumprimento da legislação eleitoral, mas quero dizer que fico satisfeito por constatar que o nosso nobre deputado Jorge Teixeira não teve participação nisso que foi mostrado, ele que foi vereador, deputado estadual, médico renomado, nascido numa família tradicional e é um doce de pessoa, de cidadão, um político honrado. E por isso queremos isentá-lo de qualquer participação e preservar a sua imagem e conduta neste tipo de atitude que presta um desserviço à política catarinense e brasileira.

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Por isso, deputado Darci de Matos, fiz questão de fazer o registro aqui que o deputado Jorge Teixeira não se encontrava na reunião nem o seu vice.

Conheci o deputado Jorge Teixeira fazendo plantão no hospital e sei que ele não compartilha com isso, tanto que nas próprias gravações o prefeito diz que em todas as empresas e lugares onde esteve sempre falam bem do deputado Jorge Teixeira e, em nenhum momento, denegriu-se a sua capacidade e a sua imagem de homem público. Foi dessa forma que conduzimos a campanha!

O Sr. Deputado Dirceu Dresch - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Pois não!

O Sr. Deputado Dirceu Dresch - Agradeço o aparte, deputado Jailson Lima, e parabenizo v.exa. São fatos como esse que denigrem a imagem dos políticos brasileiros. Isso porque vivemos num país democrático! Esse é um episódio lamentável que na verdade demonstra que estamos longe de uma democracia. Mas o cabresto, a pressão e muitas vezes a armação na política não podem acontecer.

Parabenizo v.exa., deputado Jailson Lima, pela coragem. E temos realmente que denunciar fatos como este.

O SR. DEPUTADO JAILSON LIMA - Obrigado, deputado Dirceu Dresch.

Queremos concluir dizendo que estamos convencidos da qualidade do prefeito que elegemos em Rio do Sul. Conhecemos e participamos efetivamente da organização e dos métodos da nossa campanha. Estivemos juntos em todos os momentos, e nós vamos encaminhar ao Ministério Público eleitoral e à procuradoria eleitoral junto ao TRE isso que está aqui, porque entendemos que não se pode, ainda mais no Brasil, onde se custou tanto para construir a democracia, continuar tendo esse tipo de comportamento na nossa vida pública brasileira.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)