Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sargento Amauri Soares

16ª Sessão Ordinária - 14/03/2013

O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, funcionários deste Poder Legislativo, público que nos acompanha através da TVAL ou pela Rádio Alesc Digital, no meu pronunciamento desta manhã gostaria de homenagear um grande catarinense que, se estivesse vivo, teria completado, ontem, no dia 13 de março, 110 anos de vida.

Estou me referindo a Manoel Alves Ribeiro, conhecido pelos seus amigos e companheiros como seu Mimo. Nasceu na pequena cidade de Imaruí, no sul do estado, e ainda muito jovem veio morar na Grande Florianópolis. Foi operário na construção da ponte Hercílio Luz.

Então estamos falando de um cidadão catarinense, de um militante comunista brasileiro que ajudou a construir a ponte Hercílio Luz, que foi inaugurada em 1926 e que há algumas décadas está em desuso por excesso de uso.

Portanto, estamos falando de uma pessoa que, como faleceu em 29 de setembro de 1994, viveu e militou durante sete décadas do século XX, do século passado.

(Procede-se à exibição da foto do seu Mimo.)

O seu Mimo era natural de Imaruí, próximo de Laguna, mas se tornou também um manezinho de Florianópolis desde a primeira juventude.

Na década de 30 ainda se tornou militante comunista, ingressando no Partido Comunista Brasileiro.

Quando faleceu, em 1994, morava há cerca de dez anos na Tapera, numa casa que ele mesmo construiu e servia, evidentemente, como sua residência e também para abrigar militantes que precisassem de descanso ou recuperação das condições de saúde. Todos podemos imaginar que ainda na década de 80 muitos militantes de esquerda precisavam de um espaço para a recuperação física ou até psicológica em virtude do processo da ditadura pela qual se tinha passado, deixando bastante sequelas em muitos militantes de esquerda ou militantes pela democracia na década de 70, na década anterior, evidentemente, fenômeno que foi até a década de 80.

Seu Mimo, assim como outros grandes lutadores do povo, não é lembrado pela mídia nem em cerimônias requintadas ou mesmo nas confrarias da classe dominantes. E nem poderia ser, visto que sempre combateu o tipo de sociedade dividida em classe dominante e classe dominada.

Seu Mimo era comunista e isso explica a sua ausência nas altas rodas da sociedade do seu tempo, e do nosso tempo ainda. Mas seu Mimo era um grande homem, desses imprescindíveis para a sociedade onde vive.

Para se ter uma ideia e buscando um pouquinho da história, e também para não esquecermos e fazermos de conta que estamos em outro mundo, em outro tempo e que não corremos mais alguns perigos, vejam que já na década de 30 do século passado, portanto há 80 anos, o jovem Manoel Alves Ribeiro, seu Mimo, era militante e lutava nas ruas de Florianópolis, evidentemente que somando esforços junto com as forças populares da Aliança Nacional Libertadora -, contra o nazifascismo que se expandia pelo mundo. Porque absorvemos na escola, e inclusive na história oficial contada por todos, a ideia de que o nazifascismo foi um fenômeno circunscrito à Europa, e isso também está errado. Aqui no nosso país, no nosso estado de Santa Catarina e no sul do Brasil - e é evidente que com mais força do que em outras regiões do país - a ideologia nazifascista fez os seus estragos e tinha, inclusive, legiões de seguidores. Aliás, o próprio partido nazista alemão tinha células em Santa Catarina e em outros estados do sul do Brasil e do sudeste.

Mas a Ação Integralista Brasileira de Plínio Salgado pretendia ser um nazifascismo caboclo brasileiro, com a mesma ideologia embutida, mas adequada para a realidade brasileira. Fizeram-se um partido político e pretenderam se fazer Forças Armadas, pretenderam se fazer Exército. Os militantes - se é que dá para usar esse termo - da Ação Integralista Brasileira de Plínio Salgado andavam, inclusive, uniformizados, usando camisa verde. Houve anos, no começo da década de 30, e até 35, que desfilavam uniformizados nas ruas das cidades, e inclusive na nossa capital açoriana, Florianópolis.

Manoel Alves Ribeiro, militante comunista, era um dos que combatia, inclusive, entrava em confronto físico com essas forças reacionárias. Assim como um conjunto enorme de outros militantes do Partido Comunista naquele período e da Aliança Nacional Libertadora, participou da coleta de assinaturas para que o Brasil declarasse sua inimizade a Adolf Hitler. O Brasil de Getúlio Vargas, inicialmente simpático ao nazifacismo.

Os comunistas brasileiros e o seu Mimo participaram do processo de enfrentamento desse trabalho, da coleta de assinaturas, para que o Brasil se colocasse a favor dos aliados e contra o nazifacismo, inclusive de abaixo-assinados, para que os brasileiros fossem lutar na Europa para combater o nazismo.

Vale registrar que na força expedicionária brasileira muitos deles eram inclusive jovens militantes de esquerda, que foram com a ideia de ajudar a humanidade a se livrar do nazismo.

Manoel Alves Ribeiro foi vereador na cidade de Florianópolis, no final da década de 50, e teve evidentemente a sua história na Câmara Municipal. Em seguida, em 1964, com o Golpe de 64 e 20 anos de ditadura, como todos os outros militantes de esquerda, foi perseguido e preso, estando vários anos na clandestinidade.

Seu Mimo escreveu o livro biográfico chamado Caminho. Nesse livro ele conta resumidamente um pouco da sua história, da sua vida, mas não é uma história da vida dele, é uma história do povo pobre do seu tempo. O livro Caminho é bom que seja lido por todas as pessoas que tenham alguma curiosidade de saber a versão da história do passado que não é contada por aí, especialmente pelos jovens ou adultos que queiram trilhar o caminho da construção da sociedade nova. O livro Caminho conta a história de 70 anos de luta do povo brasileiro. Precisa ser lida pela minha geração, que tem no seu Mimo uma referência de abnegação, de disciplina, coerência e coragem, também pelas gerações dos atuais jovens e pelas gerações futuras.

Então, faço aqui essa homenagem a esse grande companheiro não apenas como um saudosismo, mas também como uma forma de homenagear e dizer que, sim, a luta e a coerência pela transformação socialista da sociedade precisa ser feita, deve ser feita e continuará sendo feita, também seguindo a abnegação, o exemplo, a disciplina, a coerência de Manoel Alves Ribeiro, conhecido como o seu Mimo, um grande catarinense que seria muito importante que fosse mais conhecido pela história oficial.

(SEM REVISÃO DO ORADOR)