16ª Sessão Extraordinária - 11/11/2003
O SR. DEPUTADO EDUARDO CHEREM - Sr. Presidente e Srs. Deputados, assomo à tribuna, nesta tarde, para me manifestar a respeito de uma agressão sofrida por um repórter, na cidade de Itajaí.
O repórter do Diário do Litoral, jornal muito polêmico da nossa região, cumprindo o seu trabalho que é o de informar, fotografou um acidente com uma máquina empilhadeira do porto de uma firma terceirizada, e o motorista, não se sabe o motivo, o agrediu.
Isso nos entristece muito, pois um profissional da imprensa estava cumprindo o seu dever, que é o de informar corretamente, e foi covardemente agredido pelo funcionário. Não se sabe se ele estava num mau dia ou se foi mandado agredir o repórter.
Quero aqui deixar registrada a nossa indignação como homem público, ou seja, de não aceitar que um repórter seja agredido ao cumprir sua missão fotografando um acidente.
Quero aqui registar a nossa indignação a respeito deste fato.
Eu ia falar sobre este assunto na quinta-feira passada, mas devido à audiência pública sobre o apagão não foi possível.
Mais uma vez, quero deixar aqui registrada a minha indignação pela maneira como esse repórter foi agredido. Mas já existe uma denúncia a respeito na delegacia de polícia de Itajaí contra a empresa e contra o funcionário.
Srs. Deputados, quero aqui também falar que certas horas da nossa vida que somos colocados em encruzilhadas e ficamos realmente na dúvida de como nos sentimos como homens públicos, ou seja, ou se somos pessoas inteligentes ou se somos que nem aquele personagem do Hélio Gaspari, da Folha de S. Paulo, que é o eremildo ou idiota.
Confesso que em relação a essa questão da dívida pública, cada vez mais me sinto como um perfeito idiota, como um eremildo que não entende das coisas, que tenta entender e por mais que ele se aprofunde na matéria, por mais que queira dar uma razão para essas questões, nós não conseguimos entender.
Não consigo realmente imaginar que alguém possa dizer que a dívida pública era isso ou era aquilo. É a mesma história, Deputado Rogério Mendonça, de quando se coloca fogo numa casa, onde todo mundo está morrendo, e ficam questionando se foi a gasolina que botou fogo ou se foi o álcool que pegou fogo.
Esta é, realmente, uma coisa triste, porque não posso imaginar que uma dívida pública dobre o seu percentual, ou seja, passe de 05 para 10 bilhões e alguém comemore dizendo que não foi 15, foi 10. Não consigo entender que alguém se vanglorie a este respeito.
Entendo que isso tem que ser tratado com mais seriedade, e por mais que digam, Deputado Antônio Ceron, que houve inflação, todos nós sabemos que houve, mas isso não é motivo para se comemorar, não é motivo nenhum para se dizer que não é 15, é 10 e que estamos contentes porque é 10.
Ninguém está satisfeito com isso, Deputado Rogério Mendonça. Nós temos, para não bancarmos o eremildo idiota aqui em cima, que dar satisfação à nossa população do porquê passamos de 05, de 06 para 10 bilhões; temos que dizer para o pai de família o motivo pelo qual esse dinheiro não foi aplicado para melhorar as merendas das nossas creches; temos que explicar para o pai de família o motivo pelo qual ele chega num posto de saúde e não tem o medicamento para a sua criança; temos que explicar a ele por que não se tem dinheiro para comprar o uniforme escolar ou por que não se tem dinheiro para pavimentar em frente à sua casa.
É esta a linguagem que a população entende: é falta de remédio, é falta de alimentação, é falta de pavimentação e é falta de energia elétrica por causa dessas dívidas que são tratadas dessa maneira. Uma dívida que sobe de 05 bilhões para 10 bilhões.
Acredito, Deputado Antônio Ceron, que alguns Deputados aqui também têm dificuldade de entender um pouco a matéria orçamentária. Não é uma matéria fácil de entender, não é uma coisa simples de se entender, mas com certeza conceitos que eram usados no passado hoje não valem mais, pelo pouco que pude entender.
Coisas que foram colocadas como dívidas, hoje não se aceitam como dívidas. Mas eu pergunto: a população está pensando o quê? Está pensando se a dívida é cinco, passou para 10, não é 15, é 10.
Mas não podemos, em momento algum, vibrar com esse tipo de situação, onde uma dívida pública sobe 100% em quatro anos. E eu dizia isso aqui há dois meses: não me importa se é artigo circulante, se é passivo, porque a população não entende disso. O que ela quer saber é se vai ter remédio, alimentação, atendimento em hospitais, asfalto. Enfim, é isso que a nossa população quer saber.
Então eu acredito, Srs. Deputados, que este assunto tem que ser levado com seriedade, porque não se pode levar para o deboche, para a brincadeira. Às vezes me sinto no papel de idiota, sabendo que alguém possa vir a comemorar que a dívida não é de 15, é de 10 bilhões, enquanto há quatro anos era de 05 bilhões e duplicou.
Confesso que não consigo entender e fico indignado com manifestações neste sentido, como se fosse alguma coisa irrelevante o valor da dívida, não querendo saber o motivo pelo qual o Estado ficou tão endividado em tão pouco tempo.
O Sr. Deputado Antônio Ceron - V.Exa. nos concede um aparte?
O SR. DEPUTADO EDUARDO CHEREM - Pois não!
O Sr. Deputado Antônio Ceron - Em primeiro lugar, quero dizer que não ouvi e nem vi nenhum Deputado comemorando esta questão da dívida.
Quero discordar de V.Exa. também quando diz que não entende o motivo para o crescimento dessa dívida. Só vou citar um pequeno detalhe que V.Exa. vai lembrar: o Governo do Estado tinha mais ou menos uma dívida com a Celesc de R$600 milhões que foi transformada em dívida mobiliária.
O Governo Federal assumiu essa dívida, encaminhando os recursos para a Celesc. E V.Exa. deveria saber, no mínimo, desse detalhe, porque durante os quatro anos do Governo passado a Celesc foi presidida pelo eminente político de Santa Catarina Francisco Küster, que é uma das figuras de ponta do Partido de V.Exa., o PSDB.
O SR. DEPUTADO EDUARDO CHEREM - Deputado Antônio Ceron, com todo respeito, não vamos confundir alhos com bugalhos; não vamos envolver o nome do ex-Deputado Francisco Küster, uma das pessoas mais sérias e ilustres que este Parlamento já teve. Não o envolva nesta situação da dívida. Ele está cuidando da sua vida, não sabe dessas colocações que estão sendo feitas hoje aqui. Então, nós temos por ele uma admiração muito grande.
O Sr. Deputado Antônio Ceron - Mas não quero fazer nenhuma acusação, Deputado! A equação que ele fez foi sábia, salvou a Celesc! E o Partido de V.Exa. participava disso aí!
O SR. DEPUTADO EDUARDO CHEREM - Por isso mesmo, Deputado, entendo que não há necessidade de V.Exa. tentar me constranger e envolver o ex-Deputado Francisco Küster nesta situação.
O Sr. Deputado Antônio Ceron - Mas não há mal nenhum, Deputado! Ele salvou a Celesc! O ex-Deputado Francisco Küster salvou a Celesc com essa equação!
O SR. DEPUTADO EDUARDO CHEREM - Mas vamos deixar o Deputado Francisco Küster fora pela consideração, pelo apreço que temos por ele, com certeza um homem magnífico, um homem público dos mais sérios que eu conheci na vida pública!
Mas a questão não é esta, Deputado. Se V.Exa. não viu ninguém comemorando, eu vi. Eu vi algumas pessoas aqui comemorando que a dívida era de 10 bilhões. Eu não sei como podem comemorar o fato de a dívida ter passado de 05 para 10 bilhões.
Com todo o respeito que temos, sabemos que é difícil administrar uma situação como essa, sabemos muito bem que se fala em correção monetária, inflação, IGPI, IGPM, e podemos até aceitar, mas com certeza a dívida foi duplicada e é um fato que tem que ser consumado. A dívida passou de 05 para 10 bilhões. Enquanto estamos pagando em juros essa dívida, com muita dificuldade, esse dinheiro poderia ter sido aplicado naquilo que a nossa população precisa e que é necessário.
Eu entendo que não há motivo nenhum para se comemorar, porque se tem alguém comemorando, com certeza deve estar comemorando a vitória de Pirro.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)