90ª Sessão Ordinária - 22/11/2005
O SR. DEPUTADO SÉRGIO GODINHO - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, ocupo a tribuna no dia de hoje para homenagear o povo da cidade de Lages.
Gostaria, deputados Francisco Küster e Antônio Ceron, de passar aqui um vídeo com imagens raríssimas que conseguimos. Enquanto isso, farei menções a respeito do nosso povo. Também irei declamar aqui um poema.
(Procede-se à projeção do vídeo.)
(Passa a ler)
"A história de Lages se inicia em 1766, quando o sr. dom Luís Antônio de Souza Morgado de Mateus, governador da capitania de São Paulo, antiga proprietária da região, incumbiu o bandeirante Correia Pinto de fundar um povoado. A localidade deveria servir como defesa contra a invasão dos castelhanos que cobiçavam as terras, ao mesmo tempo em quem ofereceria proteção aos tropeiros e viajantes que cruzavam o planalto serrano, transportando gado do Rio Grande do Sul para São Paulo. Documentos antigos mencionam a paragem chamada ‘Lajens’, sendo um pouso de tropeiros que viajavam para São Paulo ou Sorocaba levando mulas, cavalos e bovinos.
Correia Pinto, fundador do povoado, era tropeiro e conduzia tropas de bois de Lages para São Paulo. Os tropeiros primitivos, mesmo os residentes no povoado, não eram lageanos, mas na sua maioria portugueses e açoreanos. Somente mais tarde foi que tropeiros, já nascidos em Lages, exerceram essa tradicional profissão.
A fundação do povoado de Nossa Senhora dos Prazeres dos Campos das Lages foi oficializada em 22 de novembro de 1766. Provavelmente teve seu início nas imediações do Colégio Rosa, ou seja, Escola Básica Vidal Ramos, ficando o rio Carahá um pouco distante, para que as mulheres fossem lavar roupas. Devido aos índios, Correia Pinto procurou uma nascente, onde pudesse criar um tanque. Assim surgiu o nosso tanque Parque Jonas Ramos.
Entre 1787 a 1790, o alferes Antônio José da Costa abriu um caminho entre Desterro (Florianópolis) e Lages, que seria uma das razões para que, no ano de 1820, Lages saísse do controle da capitania de São Paulo e passasse à jurisdição do governo sediado na Ilha de Santa Catarina.
Lages passou à condição de município em 9 de setembro de 1860, sendo o quarto município a ser criado em Santa Catarina, tendo por ordem: São Francisco do Sul, Florianópolis, Laguna e Lages. A cidade foi chamada de Lages pela abundância de pedra laje (arenito). E em 1960 o então prefeito Vidal Ramos Júnior assinou um decreto que estabeleceu o topônimo de Lages com ‘g’.
Economicamente a cidade de Lages ficou conhecida inicialmente pelas suas tradições na pecuária. Seus primeiros ciclos econômicos, no princípio do século, foram os do couro, da carne e da erva-mate. Hoje ainda o município tem o maior rebanho bovino do estado, mais ou menos 76 mil cabeças. O ciclo econômico que se seguiu foi o da madeira, cujo auge ocorreu entre 1950 e 1960. Atualmente o turismo é uma das grandes vedetes da cidade. É o ‘ramo industrial’ que mais cresce. A rede hoteleira está-se modernizando e o turismo rural é marca registrada da cidade de Lages.
Por razões históricas os lageanos receberam a alcunha de ‘boi de botas’. Durante a Guerra Farroupilha, uma das maiores epopéias da história do Brasil, forças rebeldes aqui proclamaram a República, que acabou tendo uma vida efêmera. O idealismo da luta farrapa, que durou 10 anos, e a valentia dos heróis anônimos marcaram uma importante página na história de Lages.
Em 1839, aqui formaram um pelotão de cavalaria, que seguiu serra abaixo, para o combate que objetivava a tomada de Laguna. Ao lado dos farrapos lutaram Giuseppe e Anita Garibaldi. Em pleno combate, os canhões e carroções puxados por bois atolaram na lama e foram retirados à força pela comitiva lageana, o que provocou o comentário do comandante David Canabarro ao coronel Serafim de Moura, que chefiava a expedição: ‘Seus soldados se portaram com tal bravura e força como se fossem verdadeiros bois de botas.’ Em vista do civismo e bravura que o originou, ‘boi de botas’ é sinônimo de heroísmo, de que se orgulham todos os lageanos."
Srs. deputados, conclamo todos a participarem de uma homenagem que faremos aqui, na Assembléia Legislativa, através de uma sessão solene, ao povo lageano, ao povo serrano. Estarão aqui as autoridades vivas do município de Lages, o prefeito municipal, todas as entidades, a imprensa.
Deputado Francisco Küster, com essas imagens maravilhosas, desde o início da formação do povoado de Lages, eu gostaria de dizer um poema rápido para que possamos homenagear aquele estilo do lageano, aquele estilo firme, franco e objetivo.
(Passa a ler)
"Gaudêncio Sete Luas
(Luiz Coronel e Marco Aurélio Vasconcelos)
A lua é um tiro ao alvo
E as estrelas, bala e bala
Vem minuano e eu me salvo
No aconchego do meu pala
Se troveja a gritaria
Já relampeia minha adaga
Quem não mostra valentia
Já na peleia se acaba
Pra me aquecer, mate quente
Pra me esfriar, geada fria
Não vai ficar pra semente
Quem nasceu pra ventania."
Quero agradecer a atenção de todos e mais uma vez transmitir aquele parabéns bem chinchado para todos os serranos e para todos os lageanos, desejando muita paz, muita alegria e muito progresso para todos. E que nós possamos, com a nossa participação e com a sensibilidade de todos, diminuir as desigualdades que existem naquela nossa região serrana.
Parabéns, Lages, pelos 239 anos de existência!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)