Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Antônio Ceron

66ª Sessão Ordinária - 14/09/2005

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, quero aproveitar para fazer o registro das presenças ilustres de lideranças partidárias aqui na Assembléia Legislativa.

Mas gostaria de começar este meu pronunciamento fazendo algumas considerações, deputado Nelson Goetten, a respeito de notas que têm saído na imprensa. E eu vou me especificar a uma nota de quinta-feira da semana passada e a outra publicada no jornal ANotícia, que eu li no dia de hoje.

Na semana passada, tentou-se dar a conotação, num desrespeito muito grande ao meu partido, de que o PFL estaria a serviço do governo do estado, de que o PFL seria um partido de aluguel do governo do estado e que estaríamos servindo de apoio a projetos que não eram aqueles estritamente do nosso partido. E quero ler aqui, rapidamente, uma nota:

(Passa a ler)

"Avaliação

‘Mesmo que as mudanças venham a ser atribuídas as deputado (Nelson Goetten), a circunstância regional atrapalha o futuro’, advertiu Amin, numa alusão aos entendimentos majoritários. Lembrou ainda que Nelson Goetten, ‘pertence à base do governo, integra a linha auxiliar de Luiz Henrique, a quem defende ardorosamente na Assembléia. Está a serviço dele’.

(Cópia fiel)

Nesta mesma linha, nós ouvimos e lemos diversas insinuações na imprensa nesses últimos dias. Hoje, fomos surpreendidos com uma nota oficial do PMDB - e o deputado Francisco Küster, há pouco, fez menção a ela -, contrapondo-se e contrariando, de maneira veemente, ao programa do PFL no programa de televisão. Não vou lê-la na íntegra, apenas o segundo item, deputado Nelson Goetten.

(Continua lendo)

"Antes de atingir o Governo e o PMDB, a Direção do PFL praticou grande injustiça à sua ilustre bancada na AL, esquecendo-se de que todos os seus parlamentares aprovaram, consciente e democraticamente, as duas reformas administrativas (...)."

E diz, em outro trecho: "Com linguagem enganosa e populista, própria da política velha, a Direção Estadual do PFL (...)."

(Cópia fiel)

Eu ouvi, há poucos dias, na imprensa, deputado Peninha, insinuações no mínimo injuriosas e injustas ao deputado Ivan Ranzolin, que teve oito mandatos num partido político em Santa Catarina e que era bom. No momento em que resolveu trilhar um novo caminho, passou a não valer nada.

Vou recorrer aqui da postura do líder do PFL nesta Casa, quando nós perdemos aqui três deputados estaduais e um deputado federal. E em todas as oportunidades vim à tribuna enaltecer as qualidades dos quatro ex-companheiros, dizendo que o mesmo valor que eles tinham no PFL, com certeza, estavam levando na sua bagagem para os partidos que entenderam, democraticamente, tomar para seu rumo no futuro político.

Deputado Francisco Küster, creio que falar mal de pessoas porque trocaram de partido... Dizer que o PFL está a serviço do PMDB, é não conhecer a história de Milton Hobus, prefeito de Rio do Sul; dizer que o PFL é um partido de aluguel, é não conhecer o prefeito Paulo Zerna, de Witmarsum; é não conhecer o prefeito Carlos Hoegen, o Carlão, de Ituporanga; é não conhecer o passado de Paulo Uhlmann; é não conhecer a história política na região - e v.exa. conhece, deputado Peninha - do prefeito de Aurora, Vilmar Zandonai; do prefeito de Mirim Doce, Henrique Peron; e de quase meia centena de vereadores e de lideranças daquela região.

Política não se faz com ódio nem olhando para o retrovisor. O PFL quer, e graças a Deus está tendo sensibilidade para isso, apresentar a Santa Catarina uma proposta nova; não uma proposta de reforma, mas de mudança no estado, sem agredir e menosprezar ninguém, enaltecendo tudo o que Esperidião Amin fez em Santa Catarina, como também tudo que Luiz Henrique da Silveira está fazendo pelo nosso estado. Mas temos o direito, dentro do nosso partido, de trilhar a nossa trajetória política. O PFL não é aluguel nem de Luiz Henrique nem de Esperidião de Amin. O PFL é grande demais e as suas lideranças têm uma história muito forte em Santa Catarina para alguém, de maneira adulta e educada, dizer que nós nos prestamos a ser aluguel desse ou irmos a reboque daquele.

Poderemos, sim, estar coligados num segundo turno ou até num primeiro turno, recebendo apoio no primeiro e segundo turnos; se a população não aprovar o nosso projeto, poderemos, sim, estar coligados com qualquer uma dessas lideranças, tanto com o Luiz Henrique da Silveira quanto com o Esperidião Amin. E aqui atrevo-me a dizer que, sem a autorização do meu partido, deputado Jorginho Mello, que dificilmente, até por questões históricas, estaremos junto com o PT; mas podemos estar, já no primeiro turno, junto com o PSDB. Quem vai decidir isto é o diretório do PFL, depois das eleições do primeiro turno.

E a assinatura dessas importantes lideranças na ficha de filiação no dia de hoje é uma demonstração de que, além de nós, há mais pessoas acreditando no projeto do PFL. Por que só tem que ser "a" e "b" em Santa Catarina? Vamos dar essa oportunidade de discutir uma proposta nova sem rancor, sem ódio e sem dizer que aquele que saiu não presta!

O deputado Antônio Aguiar saiu do nosso partido e continua convivendo, inclusive em termos geográficos, próximo a nossa cadeira e com o mesmo respeito. Sentimos a saída do deputado Antônio Aguiar, lamentamos a saída do deputado Clésio Salvaro, achamos uma perda muito grande a saída dos deputados Djalma Berger e Paulo Bauer, mas, meu Deus do céu, que direito eu e o PFL temos, além de tentar convencê-los a permanecer, de influenciar de maneira decisiva na sua trajetória política? E digo mais: que direito nós temos de denegrir a história, a biografia política de pessoas que já fizeram, e podem fazer, muito por Santa Catarina.

Não existe mais coronel dono do voto. Nós temos idéias para apresentar a Santa Catarina e queremos ter a competência de termos idéias suficientemente atraentes para convencer a sociedade de Santa Catarina. Senão, com toda a tranqüilidade, apoiaremos qualquer uma destas lideranças porque elas são do bem e praticaram excelentes ações administrativas em Santa Catarina.

Agora, dizer que o PFL se vende?! O PFL foi leal ao governo Amin. A bancada aprovou aqui todos os projetos que entendeu que devia aprovar no mandato do governador Esperidião Amin, e aprovou, e aprovará, de todos os partidos, se entender que sejam bons para Santa Catarina, no governo de Luiz Henrique da Silveira, sem freio, sem breque, sem ódio, sempre pensando em produzir e em construir um projeto bom para Santa Catarina.

Já que os resultados das eleições muitas vezes não são ensinamentos suficientes para abrir a cabeça de muitas lideranças, é bom que o futuro demonstre a estas pessoas que ninguém é mais dono de ninguém. E do PFL, quem decide é o PFL. E nós queremos submeter o projeto do PFL à apreciação da sociedade de Santa Catarina.

Mas concluo, dizendo, de maneira veemente, que o PFL repudia as colocações de lideranças do PP - Partido Progressista - e do PMDB, no dia de hoje, contra a postura, o ideal, a trajetória e os sonhos que nós, do PFL, queremos apresentar à sociedade de Santa Catarina.

O Sr. Deputado Francisco Küster - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Pois não!

O Sr. Deputado Francisco Küster - Deputado, quando eu estive na tribuna, disse que esse foi um procedimento do PMDB. E aí não tenho procuração para fazer nenhum comentário. Mas externei a convicção de que o governador não tem participação nisso aí. Foi isto que eu quis dizer.

Mas quero cumprimentá-lo pelo seu pronunciamento sereno e inteligente, que sói ser de uma figura do quilate de v.exa.

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Obrigado, deputado Francisco Küster.

Deputado Rogério Mendonça, v.exa. deseja me conceder um aparte?

O Sr. Deputado Rogério Mendonça - Deputado Antônio Ceron, o seu tempo praticamente está esgotado. Na seqüência, no horário do partido, eu farei um aparte e as colocações que tiver de fazer em relação a este assunto.

Muito obrigado!

O SR. DEPUTADO ANTÔNIO CERON - Para concluir, sr. presidente, quero registrar, com muita alegria, a presença de todos os prefeitos aqui - e faço questão de nominá-los novamente -: Milton Hobus; de Ituporanga, Carlos Hoegen; de Witmarsum, Paulo Zerna; de Aurora, Vilmar Zandonai; e de Mirim Doce, Henrique Peron. Registro também a presença do vice-prefeito de Laurentino, Luiz Carlos, de Paulo Uhlmann e, de maneira pessoal, a do prefeito de Calmon, João Batista de Geroni.

Seria esta, então, a colocação e a posição do PFL, sem ódio e com propostas a Santa Catarina.

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)