10ª Sessão - 02/02/2006
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Sr. presidente, srs. deputados, membros da imprensa, prezados funcionários, quero primeiramente saudar o retorno do prezado amigo, deputado Gilmar Knaesel, ex-secretário de Esportes e Turismo, que ficou me devendo um projeto, que é a iluminação do campo de futebol de Curitibanos.
Estou ocupando esta tribuna de modo muito especial, porque assisti no meu gabinete ao pronunciamento da ilustre deputada Ana Paula Lima, que fez severas críticas ao presidente nacional do PFL, o ilustre catarinense Jorge Bornhausen, uma vez que na Venezuela houve uma manifestação da esquerda contra a direita, na qual criticaram a posição do nosso senador, presidente do nosso partido, que afirmou que ficaríamos livres do PT por uns 30 anos.
Só que essa informação está distorcida; ele quis dizer que ficaríamos livres por 30 anos daquele PT que meteu a mão no jarro! Não é o PT de v.exas., deputados Pedro Baldissera e Paulo Eccel, pois todos os senhores merecem o meu respeito, assim como a deputada Ana Paula Lima. Só que às vezes dizemos a verdade até a hora em que interessa, não dizemos a verdade verdadeira, dizemos a verdade em parte. Realmente o senador Jorge Bornhausen fez referência ao fato de que queria ficar livre por 30 anos daquele PT que meteu a mão no jarro.
Vou repetir aqui, para que não haja nenhuma interpretação equivocada, não é o PT de Santa Catarina, que possui integrantes de muito respeito, que são grandes homens públicos, são pessoas de bem, que lutam, que são corretas; até divergimos no campo das idéias, mas são pessoas corretas. Desse PT nem nós e nem o senador queremos ficar livres, precisamos desse PT. Agora, aquele PT que v.exas. sabem, aquele PT que o Brasil inteiro conhece, nós queremos ficar livres por muito mais do que 30 anos. Se Deus quiser, para sempre.
Mas eu fiquei estarrecido com a posição da deputada Ana Paula Lima, com a forma como ela agrediu o senador Jorge Bornhausen, que merece respeito, porque é presidente nacional de um partido, é um catarinense, foi governador. Enfim, pode até haver algum tipo de conflito entre os dois, mas mesmo assim tanto um quanto o outro merecem respeito.
Outro ponto do discurso do qual discordo foi quando a deputada Ana Paula Lima insinuou que o governador Luiz Henrique está-se atirando nos braços do PFL. Ora, srs. deputados, eu estranho essa posição, porque foi o PT que deu sustentação ao governo por dois anos, foi o PT que elegeu o Luiz Henrique no segundo turno, foi o PT que se jogou nos braços do governo por dois anos e agora...
Deputado Dionei Walter da Silva, v.exa. que é um brilhante deputado e que tem uma memória excepcional, vai recordar que no dia da posse do governador Luiz Henrique, na sessão presidida por mim, que na época era presidente da Assembléia Legislativa, disse para toda Santa Catarina ouvir, não levei discurso por escrito, disse de improviso o seguinte: "Não votei em v.exa., não sou do PMDB, tenho atritos com o PMDB na minha cidade, mas em todos os projetos que forem para o bem deste estado, votarei a favor!"
Assim agiram minha bancada e meu partido, ou seja, fomos a favor do Fundo Social, por considerarmos uma matéria importante; fomos a favor da criação das secretarias regionais, porque entendemos também que quem ganhou as eleições foi o governador Luiz Henrique, não com o meu voto, e que ele tinha o direito de desenvolver o seu projeto político.
Vejam v.exas. que a ilustre deputada Ana Paula Lima insinuou que estamos nos braços do governador Luiz Henrique! Não é verdade, pois temos candidato próprio a governador. Até vamos fazer a pré-convenção no dia 25 de março, quando vamos lançar como nosso candidato a governador o prefeito de Lages, Raimundo Colombo, na expectativa de vitória; não vamos lançar por lançar, claro que vamos discutir, discordar, mas somente no campo das idéias. Assim é que se faz política, é assim que eu entendo fazer política.
Ora, nós temos que ter coerência. Quem foi que deu a vitória ao governador Luiz Henrique no segundo turno? Todos sabem quem foi! Quem deu sustentação ao governo Luiz Henrique por dois anos? E vir fazer-nos essa acusação?! Eu não concordo! A deputada Ana Paula Lima é uma brilhante parlamentar, merece todo o meu respeito, tem feito um grande trabalho, mas quero discordar dessas duas posições da nossa prezada amiga.
Não aceitamos as acusações dirigidas ao nosso presidente nacional, senador Jorge Bornhausen, que é um brasileiro reconhecido, que foi governador, senador, deputado federal, ministro, enfim, tem competência, é um homem honesto. Podem até discordar, graças a Deus existe a possibilidade de não dizermos amém. Deputado Vânio dos Santos, nós discordamos em muitos pontos, mas no campo das idéias! Pessoalmente, tenho admiração e respeito por todos os deputados, porque se v.exas. aqui chegaram é porque têm competência e merecem respeito. Quem mandou todos para cá foi o povo de Santa Catarina, não foi este deputado e nem o Jorge Bornhausen, não foi Ana Paula Lima, não foi Joaquim e nem Pedro, foi o povo catarinense. E, por conseqüência, merecem respeito, porque exercem uma profissão, uma função difícil neste quadro tumultuado que existe no país.
Por isso, venho aqui, hoje, fazer essa colocação. É uma pena que a deputada Ana Paula Lima não esteja aqui para podermos dialogar, para dizermos a ela que nós, do PFL, não estamos nos braços do governador Luiz Henrique e nem ele está-se colocando à disposição do nosso partido! Ele tem um partido e nós temos outro. E nós teremos candidato a governador, já está definido. Se lá na frente vai haver acordo, se vai haver coligação, tudo é possível, porque em política tudo é possível.
Eu sou oriundo, deputado Paulo Eccel, do tempo da saudosa, da gloriosa UDN. Naquela época política tinha limite, naquela época podia ir até ali e dali não podia passar. Hoje não tem mais, não existe mais limite, hoje tudo é possível em política, tudo é possível em coligação, porque nós vemos que, em nível nacional, quem dá sustentação ao governo Lula são partidos que têm conflitos ideológicos, têm conflitos violentos de ideologia com o presidente da República.
Quem diria que veríamos o PT abraçado com o PP ou o PMDB abraçado com o PT, lá. Quem diria! Assim, em política tudo é possível, hoje! São possíveis todas as coligações.
O Sr. Deputado Maurício Eskudlark - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Pois não!
O Sr. Deputado Maurício Eskudlark - Parabéns, deputado, pelas suas brilhantes colocações. Gostaria de ressaltar o respeito que devemos ter e que temos pelas autoridades, pela figura que representa o senador Jorge Bornhausen para Santa Catarina e para o Brasil. Penso que aquela homenagem que foi suprapartidária, foi de respeito e merecimento e quero reafirmar a forma como é trabalhada a democracia na Assembléia Legislativa.
Como deputado estreante nesta Casa, devo dizer do respeito, da admiração que tenho pelos meus colegas. Existe a discussão ideológica, mas existe o respeito, acima de tudo, entre todos os parlamentares.
O SR. DEPUTADO ONOFRE SANTO AGOSTINI - Então, eu gostaria de...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)