13ª Sessão Ordinária - 08/03/2007
O SR. DEPUTADO JOARES PONTICELLI - Sr. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, eu também quero me associar a todas as manifestações aqui feitas no dia de hoje em homenagem e em reflexão ao Dia Internacional da Mulher.
Quero reiterar o convite feito pela eminente deputada Ana Paula Lima para que a partir das 14h possam os srs. deputados, servidores desta Casa e todos aqueles que quiserem prestigiar, participar do evento que está sendo promovido pela Escola do Legislativo. Será uma tarde de reflexão, de debates, inclusive com a participação das três deputadas que compõem esta Casa, Ana Paula Lima, integrante da Mesa, Odete de Jesus e Ada De Luca.
Recebi, deputada Ada De Luca, o expediente do gabinete do governador designando v.exa. para representá-lo nesse evento, para o qual v.exa. estava escalada para o debate que se inicia às 14h e vai se estender até o final da tarde de hoje.
Então, quero me associar a todas essas manifestações e lamentar, mais uma vez, o episódio que assistimos aqui hoje, deputado Dirceu Dresch, a manifestação que vimos de uma das líderes do Movimento das Mulheres Camponesas que, em lágrimas, reclamou desta tribuna a negativa do governador em receber o movimento.
É profundamente lamentável! Isso demonstra e deve servir de reflexão que exatamente no Dia Internacional da Mulher a discriminação continua e desta feita praticada, infelizmente, pelo próprio governador do estado que se recusou a receber as integrantes do Movimento das Mulheres Camponesas e esta Casa democraticamente ofereceu espaço para que elas pudessem aqui se manifestar.
Mas em homenagem a esse dia, a todas as mulheres catarinenses e brasileiras, quero trazer uma notícia publicada no jornal Diário do Sul, da cidade de Tubarão, com repercussão em toda região e especialmente para os que praticam a fé católica, deputado Jandir Bellini, representa um momento de esperança e de renovação da fé, muito forte para a nossa região, para todos os catarinenses e para todos os católicos.
(Passa a ler.)
"Data marcada para beatificação de Albertina
TUBARÃO - Os católicos da região já podem comemorar. A data para a beatificação da Serva de Deus Albertina Berkenbrock já está definida: 20 de outubro. A beatificação já havia sido assinada pelo Papa Bento XVI pouco antes do Natal, mas apenas agora a data foi definida, com a presença do bispo da Diocese de Tubarão, dom Jacinto Bergmann, que voltou recentemente de Roma, onde foi tratar deste e de outros assuntos.
De acordo com dom Jacinto, a viagem a Roma serviu para as últimas tratativas à beatificação de Albertina. 'Agora precisava ser marcada apenas a celebração que irá declarar Albertina como beata. Ficou então acertado com a Congregação para a Causa dos Santos o dia 20 de outubro para a cerimônia, que acontece na diocese de Tubarão', revela o bispo. (...)
Dom Jacinto reafirma a alegria da beatificação de Albertina e diz que esse é um presente para todos o católicos da região. 'Hoje, o povo de Deus passou a ser a família de Albertina', comemora. Dom Jacinto ainda acrescenta um dos pontos mais importantes da beatificação da menina. Ela será a primeira beata (ou bem-aventurada) jovem da história, já que tinha apenas 12 anos quando morreu defendendo a sua honra. 'O que a torna um modelo para os jovens, mostrando que, mais do que possível, é necessário viver a santidade no nosso mundo de hoje', ensina". [sic]
Para os que não conhecem a história, a causa de Albertina, e penso que o Dia Internacional da Mulher é um momento oportuno para repeti-la, quero aproveitar esse espaço para, resumidamente, apresentar parte da sua história, pelo menos a parte mais marcante.
(Continua lendo.)
"SÃO LUIZ - Albertina nasceu em 11 de abril de 1919, em São Luiz, município de Imaruí. Foi batizada em 25 de maio de 1919, crismou-se em 9 de março de 1925 e fez a primeira comunhão no dia 16 de agosto de 1928. Seus pais e familiares educaram a menina na fé e transmitiram-lhe muito cedo as principais verdades da Igreja. Foi no ambiente simples e cristão de sua família que Albertina cresceu.
Tudo corria normalmente até que chegou o dia 15 de junho de 1931. Um boi perdera-se pelos pastos e Albertina foi procurá-lo, a pedido dos pais. De longe, Maneco Palhoça a acompanhava com o olhar e estudava um modo de se aproximar dela.
Procurando o animal, Albertina de repente vê de longe alguns chifres e corre naquela direção. Mas eram outros bois, que estavam amarrados. Como surpresa, porém, encontra perto deles Maneco, carregando feijão na carroça. A menina pergunta pelo boi desaparecido, e o homem lhe dá uma pista falsa para encaminhá-la ao lugar onde poderia satisfazer seus desejos sem chamar atenção.
Albertina seguiu a indicação de Maneco e embrenhou-se pela mata. Repentinamente, percebe os gravetos estalarem e um barulho entre as folhas. Ela pensa ser o boi. Eis, porém, que dá de cara com Maneco, que lhe propõe seus intentos.A jovem, decidida, não aceita. Sabe o que é o pecado e o recusa. Começa então a tentativa do assassino de se apossar de Albertina, mas ela não se deixa subjugar. A menina é forte. Aos pontapés, quase derruba o assassino. A luta é longa e terrível. Ela não cede. Derrubada, por fim, ao chão, agora está nas mãos do agressor. Ainda assim, defende-se, agarra seu vestido e se cobre, o mais que pode. Maneco, derrotado moralmente pela menina, vinga-se, agarra-a pelos cabelos, afunda seu canivete no pescoço e a degola. Ela morre. Sua pureza e virgindade, porém, estão intactas." [sic]
Em 1952, já percorriam pela região sul as notícias de milagres atribuídos a Albertina Berkenbrock. A primeira delas, de que na noite de velório, quando seu próprio corpo, desfalecido, permitia que o sangue jorrasse cada vez que o assassino se aproximava. Só assim foi descoberto o verdadeiro assassino, uma vez que uma outra pessoa havia sido acusada inocentemente, por ele próprio.
A partir daí as notícias de milagres atribuídos a Albertina Berkenbrock se multiplicaram. Em 1952 o então bispo de Tubarão, dom Anselmo Pietrulla, iniciou o processo de beatificação. Esse processo adormeceu nas prateleiras no Vaticano por um longo período e dom Hilário Mozer, nosso penúltimo bispo, na década passada, reabriu o processo.
Para nossa alegria, com a confirmação do martírio, uma vez juntado o julgamento do assassino Maneco Palhoça, realizado na comarca de Laguna, no júri ele confessou o martírio, portanto, foi preenchido o requisito exigido pelo direito canônico.
O Vaticano anunciou em dezembro a beatificação de Albertina Berkenbrock, e para nossa alegria, a data foi marcada para 20 de outubro sendo presidida a cerimônia pelo cardeal Saraiva, que é português e atual prefeito da Congregação para as Causas dos Santos. No dia 20 de outubro então, teremos esse evento máximo da fé católica no sul do estado, na diocese de Tubarão, onde teremos a elevação da serva de Deus, Albertina Berkenbrock, aos altares na condição de beata.
Os milagres necessários à comprovação para a posterior canonização já se encontram em estudos bastante avançados, dois deles já com comprovação científica. O nosso padre Sérgio Jeremias, da comunidade de Humaitá de Cima, de Humaitá, vice-postulador da causa, está muito empenhado e a notícia e a comprovação de um milagre ocorrido na cidade de Fortaleza já está sendo encaminhado com toda documentação exigida pela direito canônico para que o Vaticano possa, nos próximos anos, dar seqüência ao processo para que tenhamos, quem sabe muito brevemente, a canonização da nossa agora beata, Albertina Berkenbrock.
Para a comunidade católica esse será um momento extremamente importante, mas penso que no dia de hoje, dia reservado à reflexão do papel da mulher, da discriminação da mulher em todo o mundo, cabe perfeitamente esse exemplo. Uma menina que com apenas 12 anos de idade, para defender a sua honra, entregou a própria vida, uma vez que foi criada e educada dentro de princípios religiosos e morais que não lhe permitiam ceder às intenções do seu assassino.
Portanto, com a história e esse grande momento que vivemos no sul do estado, nesse período que antecede a beatificação de Albertina Berkenbrock, com esse exemplo, especialmente para a nossa juventude, quero me associar a todas as manifestações de reflexão, de comemoração e de cumprimentos às mulheres do Brasil e do mundo pela passagem do seu dia.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)