89ª Sessão Ordinária - 19/10/2010
O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Sr. presidente, srs. deputados, todos que nos acompanham pela TVAL e pela Rádio Alesc Digital, quero aqui também cumprimentar o deputado Flavio Ragagnin, do nosso oeste, da cidade de Seara. Seja bem-vindo a mais essa caminhada!
Registro ainda o nosso sentimento por ter perdido um grande amigo, grande colega parlamentar, deputado Lício Mauro da Silveira, que nos acompanhou durante todo esse período.
Mas quero trazer uma notícia bastante relevante no dia de hoje. O Caged - Cadastro Geral e Empregados e Desempregados -, que mede o índice de emprego no país, mais uma vez registra um dado muito importante: no mês de setembro o país gerou 246,8 mil vagas de emprego formal. Estava previsto pelo próprio ministro do Trabalho, Carlos Lupi, que iríamos gerar 2,5 milhões de empregos neste ano, e já estamos, no final de setembro, com 2,2 milhões de novos empregos no país.
Então, é o melhor índice de desempenho de geração de emprego da história do Brasil. Com isso, com certeza, muitos e muitos trabalhadores, principalmente esses que conseguiram um emprego com carteira assinada, deputada Professora Odete de Jesus, irão levar o pão para a sua família, irão ter o seu dinheirinho e não precisarão mais depender de programas sociais, pois trabalharão e ganharão o seu dinheiro. Nada mais justo e nada orgulha mais um pai e uma mãe de família do que ter, no final do mês, o seu salário digno para se sustentar.
Este é então um grande momento e Santa Catarina, com certeza, também está crescendo na questão da geração de emprego juntamente com o Brasil, com a melhora do poder aquisitivo do povo, do trabalhador, que vem comprando, comendo, alimentando-se melhor. E já que o nosso estado é um grande produtor de alimentos, com certeza, beneficia-se muito com essa política acertadíssima do governo federal, do presidente Lula.
O segundo registro que quero fazer no dia de hoje é que acompanhando a imprensa, os jornais, as rádios e os roteiros do senador eleito Luiz Henrique da Silveira, pelo estado afora, deputado Kennedy Nunes, chamam-me muito a atenção algumas declarações que parecem estranhas vindas de um ex-governador de Santa Catarina, declarações essas feitas, na minha avaliação, com certo destempero, despropositadas e surrealistas, empregando como estratégia ou até golpe eleitoral o discurso do medo imposto à sociedade catarinense. Ao evocar a ameaça de ditadura civil na continuidade do governo Lula, com a vitória de Dilma, é esse o tom, deputado Jailson Lima, que o ex-governador empregsga, o do medo.
Nós já vimos, na eleição passada, a preocupação que jogavam para a população e as ameaças do medo do golpe militar e outros medos, bobagens que falavam por este Brasil afora e que novamente falam. Estranhamos isso vir de uma figura, de uma liderança com elevado grau de cultura e de saber histórico. Até consideraríamos normal se isso viesse de outras figuras, como o ex-senador Jorge Bornhausen, mas estamos estranhando isso vir do ex-governador e senador eleito Luiz Henrique.
Podemos até concordar com a sua liderança, porque se reelegeu governador, ajudou a eleger o governador do estado, elegeu-se senador, mas discordamos dessa frase, deputado presidente Moacir Sopelsa, porque não é isso que está em jogo.
Nas outras eleições instaurou-se a disputa do medo, impregnou-se o medo nas pessoas da eleição do presidente Lula, mas nada do que foi dito aconteceu. Pelo contrário, a democracia neste país nunca esteve tão no auge como agora, com os meios de comunicação assumindo partidos políticos - e deveriam ser imparciais; com a sociedade mobilizando-se e reivindicando os seus direitos, o que é justo e democrático; com a participação da sociedade nas sugestões sobre o futuro das políticas públicas brasileiras, como acontece principalmente através de conferências estaduais, municipais e nacionais. E este deputado participou de várias conferências.
Então, este Brasil nunca viveu uma experiência de avanço da democracia como está vivendo neste momento. Por isso, de forma alguma concordamos com essas declarações tentando novamente impor medo. Isso é o desespero para tentar impor uma derrota política à candidata Dilma Rousseff em Santa Catarina, a fim de mostrar força. Mas não é desse jeito, é diferente. O debate deve ser em cima de um projeto político de futuro para o Brasil e para Santa Catarina. Como é que vamos resolver os grandes problemas sociais que este estado enfrenta: o problema da saúde, o problema da segurança, o problema da falta de investimento na agricultura familiar e nas microempresas? Este deve ser o grande debate, e aí nós queremos entrar na discussão!
Deputado Antônio Aguiar, respeito muito a história do PMDB. O próprio ex-governador há pouco, em história bem recente, esteve junto com o Partido dos Trabalhadores, junto com o presidente Lula nas grandes lutas pela democracia neste país. Mas neste momento propõe-se a fazer, na nossa avaliação, um jogo de desespero. Não precisa ser assim, de forma alguma. E o próprio partido dele colocou à disposição o seu presidente para ser o candidato a vice na chapa de Dilma Rousseff.
Eu estive, no dia de ontem, visitando várias regiões e pude constatar que as pessoas estão assustadas, deputado Décio Góes. Prefeitos que nunca foram tão bem atendidos pelo governo federal estão assustados com a grande pressão em cima deles. Pela legislação até existe nome quando se usa o cargo para pressionar e ameaçar pessoas, dizendo: "Ah, depois não vai ser atendido, se não votar nesse ou naquele candidato".
Não posso mais me calar. Durante todo o final de semana ouvi na imprensa do estado afora esse tipo de jogo, de baixaria. Não basta o rumo que as eleições brasileiras tomaram. O que está em discussão neste momento nas eleições gerais no Brasil é o que há de pior nos submundos. Chega a ser vergonhoso! Deixou-se de lado o debate das propostas e partiu-se para a baixaria, para os atentados via internet, via todos os tipos de mios. E aí, claro, a sociedade tem que exigir uma forma diferente de tratamento.
O Sr. Deputado Antônio Aguiar - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Pois não!
O Sr. Deputado Antônio Aguiar - Nós gostaríamos de dizer que realmente a candidata Dilma Rousseff viveu a época ditadura. Ela tem uma história.
Eu acho que não foi a isso exatamente que o ex-governador Luiz Henrique da Silveira quis-se referir. Ele quis referir-se ao estado de ditadura, não dizendo sobre o momento que viveu a candidata Dilma Rousseff na época da ditadura.
O SR. DEPUTADO DIRCEU DRESCH - Mas são muito claras, deputado Antônio Aguiar, as declarações do ex-governador, ameaçando que pode haver ditadura civil no nosso país, se a candidata Dilma Rousseff ganhar a eleição. A candidata Dilma Rousseff não fez parte dela. Ela lutou contra a ditadura no Brasil. Outras lideranças saíram do Brasil, mas ela enfrentou, firme, tudo aquilo que muitas lideranças de esquerda passaram em nosso país.
Então, é isto o que eu quero deixar registrado: a minha insatisfação e o meu repúdio por essas afirmações que estão sendo feitas pelo estado afora, num momento tão importante da democracia, quando o povo brasileiro é chamado para escolher os líderes que vão governar o Brasil nos próximos quatro anos.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)