12ª Sessão Ordinária - 05/03/2008
O SR. DEPUTADO SERAFIM VENZON - Sr. presidente deputado Dagomar Carneiro, sras. deputadas, srs. deputados, eu queria apresentar a v.exas. uma proposta que encaminhei às comissões desta Casa, indicando a primeira semana de agosto como a semana do combate ao câncer de próstata.
Certamente 20% dos homens são acometidos durante a vida pelo câncer de próstata, que é uma das doenças, é um dos cânceres em que, graças a Deus, graças à ciência e ao empenho de muita gente, quando diagnosticado bem no começo, é possível a cura completa. Mas isso depende do empenho de muita gente. Depende, primeiro, do governo e, segundo, de uma grande colaboração da sociedade.
O deputado federal Clodovil Hernandes apresentou até uma proposta para que o exame clínico, o exame de avaliação para câncer de próstata seja um exame compulsório, um exame obrigatório para ser realizado na ocasião da admissão ao trabalho.
Eu não diria tanto, até porque ontem foi dito, neste plenário, que está difícil para conseguir fazer uma carteira de trabalho, que é um direito constitucional do trabalhador, imaginem se começarmos a colocar mais alguma obrigatoriedade dentro desse processo.
De qualquer maneira, o meu projeto visa instituir a primeira semana de agosto como a semana oficial de combate ao câncer de próstata, sendo que nessa semana aconteceriam várias palestras em cada cidade de Santa Catarina onde temos médicos urologistas. E a secretaria da Saúde poderia coordenar diversas ações que acontecem nos postos de saúde, através de jornais, da imprensa, da televisão, do rádio, quer dizer, a sociedade inteira naquela semana mobilizar-se-ia para chamar a atenção sobre a importância do diagnóstico do câncer de próstata.
Se nós deixarmos para fazer o diagnóstico quando tivermos 75, 80 anos, o tratamento geralmente nessa idade será apenas paliativo, às vezes até o paciente tem uma grande resposta, mas ele não se curará completamente. Agora, se nós fizermos o diagnóstico com 55, 60 anos, as chances de cura serão muito grandes. O PSA, por exemplo, um exame feito rotineiramente - todos os laboratórios de Santa Catarina já fazem isso -, só tem valor quando temos um parâmetro. Geralmente o PSA abaixo de quatro significa simplesmente doença benigna, significa adenoma, mas se por acaso alguém tem um PSA de 0,5, por exemplo, e de repente, de um ano para o outro, pula para três, chama a atenção porque mesmo estando com o PSA menor do que quatro, esse aumento progressivo pode significar um início do câncer de próstata localizado. Então, se fizermos esse diagnóstico precocemente teremos condições de tratá-lo e curá-lo completamente.
Certamente muitas mulheres que acompanham esta sessão sabem, e nós somos testemunhas disso, que 30, 40 anos atrás centenas de mulheres morriam, entre 30 e 50 anos, de câncer de colo de útero. Por isso foi instituído, através da Rede Feminina de Combate ao Câncer, o exame preventivo Papanicolau, que hoje é realizado através das Redes Femininas de Combate ao Câncer. A maioria dos postos de saúde também realiza esse exame. Quer dizer, morre hoje de câncer de colo de útero a mulher displicente, a mulher que acha que doença ruim dá nas outras.
Eu acredito que se fizermos isso também com o câncer de próstata, se começarmos primeiro instituindo a semana de combate ao câncer de próstata, criaremos essa consciência e tiraremos um pouco do pudor, do receio que o homem tem de ir ao médico para fazer uma avaliação geral incluindo, inclusive, o exame de próstata.
E aqui as mulheres têm um papel muito importante. Como médico urologista, eu observo que geralmente o paciente que vai ao consultório já chega lá botando a culpa na mulher: "Olha, eu vim porque a minha mulher pediu para que eu viesse". E muitas vezes a mulher vem com o marido a tiracolo: "Eu vim com o meu marido para fazer uma avaliação, um diagnóstico precoce do câncer de próstata". Neste sentido, as mulheres estão de parabéns.
Atendendo, então, a esse clamor que eu vejo que existe na sociedade, dei entrada a esse projeto que já está tramitando nesta Casa e para o qual peço o apoio dos nobres pares, dando agilidade no seu encaminhamento, para já termos instituído neste ano, no mês de agosto, a semana de combate ao câncer de próstata.
Eu queria, rapidamente, ainda, se o tempo me permitir, levantar uma pequena questão também muito importante para toda a sociedade. Seguramente o setor bancário foi o setor que mais teve lucro no ano passado. Se somarmos o lucro de todos os bancos, passa de R$ 40 bilhões. É um volume de dinheiro que temos dificuldade de imaginar se formos contar em notas de R$ 100,00. O Banco Itaú, o HSBC, o Banco do Brasil são todos bancos que tiram um lucro na faixa dos R$ 8 bilhões a R$ 12 bilhões/ano. Até mesmo o Besc, que nunca deu lucro, agora também está dando lucro, porque o banco é o lugar por onde passa o dinheiro de todos nós; aquele dinheiro que recebemos de alguma forma passa pelo banco. E muito daquele dinheiro que nos chega também acabamos levando ao banco para colocar na poupança ou para fazer algum investimento ou, ainda, para pagar alguém através do banco. Ou seja, o dinheiro de todos nós acaba circulando pelo banco. Por isso o grande lucro deles.
E se nós formos ver a fila do SUS, deputado Kennedy Nunes, dá para entender o motivo dessa fila. É porque se paga pouco, porque há muita gente doente, porque o médico ou o hospital recebem muito pouco pelo procedimento, enfim, há uma porção de explicações sobre o motivo dessa fila no SUS. Mas aí nós questionamos: por que será que há fila no banco? No HSBC, no Banco do Brasil, no Besc, na Caixa Econômica, enfim, em todos os bancos existem filas quilométricas. Aquela história de que alguém deve ficar no máximo 15 minutos na fila do banco é balela! Fica-se lá meia hora, 45 minutos para conseguir ser atendido.
E há mais um detalhe, srs. deputados: hoje, qualquer loja, qualquer estabelecimento comercial é obrigado a ter um banheiro, água fresca para se tomar, deputado Edson Piriquito. Mas na maioria dos bancos que eu conheço eu vejo que não há água fresca disponível para todo mundo, não há banheiros nos bancos, mas há fila quilométrica. Quem sabe nós apresentamos alguma exigência para o setor bancário!
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)