45ª Sessão Ordinária - 27/05/2009
O SR. DEPUTADO PEDRO UCZAI - Sr. presidente, srs. deputados, quero acompanhar esse diálogo que o deputado Herneus de Nadal fez nesta tribuna, que nos antecedeu, falando sobre duas questões centrais, primeiro, sobre a Universidade Federal Fronteira Sul, que é uma conquista para o oeste de Santa Catarina, sudoeste do Paraná e noroeste do Rio Grande do Sul, que vai iniciar o seu funcionamento em março do ano que vem. E está-se definindo aí, nas próximas semanas, inclusive o local, geograficamente falando, onde será instalada a sede da nova universidade federal.
Está-se discutindo e deliberando sobre os próprios cursos dessa nova universidade federal. E uma das áreas de concentração, definidas democraticamente com os movimentos sociais, com a comissão presidida pelo Dilvo Risf, que é o coordenador-geral dessa comissão de implantação, nomeada pelo Ministério da Educação, entre outras áreas de conhecimento que vão ser priorizadas na sede, na matriz da nova universidade federal, é a área da Saúde.
Entre os cursos sugeridos inicialmente está o de Medicina, mas em função das condições, neste momento, não vai ser o primeiro curso; sugeriu-se e deliberou-se então por um segundo curso, o de Enfermagem. Este deputado conversando com os dirigentes da Udesc, inclusive, com o diretor Antonio e com outras lideranças, tinha e tem a seguinte convicção: que poderia conviver de forma harmoniosa, dialogando um projeto estratégico entre duas universidades estatais, a Udesc e a nova universidade federal; pensando e construindo os 14 cursos existentes hoje na área da Saúde de forma alternada: um curso na federal e um curso na estadual. E assim sucessivamente até chegar à implantação inclusive de um curso que hoje é nobre, o curso de Medicina.
Como já existeEnfermagem na Udesc, poderia a nova universidade federal implantar um outro curso, como Farmácia, na área de Fitoterapia e em outras áreas, e manter, fomentar e fortalecer o curso de Enfermagem, de uma universidade estatal, que é pública, gratuita, que já têm os professores concursados, que já têm os doutores, pois o pagamento é o mesmo, do imposto do povo, dinheiro público, só de um ente da Federação e de outro.
Portanto, essa tese em princípio não foi acolhida. Defendi, defendo e tenho convicção de que poderia o primeiro curso da nova universidade federal não ser Enfermagem, poderia ser Farmácia, poderia ser outro curso na área da Saúde, e a Udesc continuar fortalecendo e investindo mais em laboratório, investindo mais em biblioteca, em profissionais, doutores, professores, pesquisadores para fazer da Enfermagem um grande curso da nossa universidade federal.
Em segundo lugar, em relação à Udesc, como prefeito de Chapecó, habituei, envolvi-me e participei do movimento de implantação da Udesc no oeste e, particularmente, além de Palmitos e Pinhalzinho, da implantação do curso de Zootecnia em Chapecó. Inclusive alugamos, em nome da prefeitura, um prédio onde está funcionando até hoje parte do curso de Zootecnia da universidade estadual.
Esse diálogo poderia ser feito, deveria ser feito. Neste momento não foi possível democraticamente criar um caminho complementar. Essa decisão da Udesc, de retirar o curso de Palmitos, precisa ser explicada à comunidade. Eu pensaria que a Udesc deveria pensar, paralelamente ao debate da Enfermagem, quais os cursos que vão ser implantados em Palmitos, que tem uma sede bonita, bem acolhida pela comunidade; quais os cursos que deverão ser implantados no campus de Pinhalzinho, e quais os cursos que deverão ser implantados estrategicamente, a curto, médio e longo prazo, no campus sede, Chapecó - e porventura em outros campi que poderiam ser criados em outros municípios do nosso grande oeste de Santa Catarina.
Como presidente da comissão Educação, Cultura e Desporto quero me colocar à disposição de não só aqui receber o reitor da Udesc, para que ele possa justificar as suas decisões, mas temos disposição de fazer esse diálogo com a comunidade regional, com a direção da Udesc, com a direção do campus de Chapecó, com os professores, com os estudantes e com as lideranças da comunidade.
Eu defendo que a área da Saúde seja estratégica para o nosso oeste de Santa Catarina. Se ela é estratégica, deverão ser implantados cursos na Udesc, na área da Saúde, e na nova Universidade Federal também. Prefiro cursos complementares e não cursos que são realizados concomitantemente. Se há Enfermagem na Udesc, faz-se outro curso na Universidade Federal, e vai-se implantando concomitantemente. Esta é minha defesa.
Não consegui convencer as lideranças dos movimentos sociais, não tenho argumento para defender outra posição. Tenho esta convicção: é dinheiro público, é estadual, é dinheiro dos catarinenses ou dos brasileiros, e daria para conciliar, até porque já há concurso realizado, até porque há professores já contratos da Udesc. E se existe dificuldade no curso, vamos discutir como melhorar, aperfeiçoar e qualificar.
Manifesto isso de forma pública - é a primeira vez que estou tornando a minha posição pública -, porque nas reuniões internas com lideranças não tive sucesso nessa tese, nessa posição que defendi. Se ainda há tempo de rever essa posição de que a nova Universidade Federal possa, de forma paralela, montar um projeto estratégico junto com a universidade pública estatal e gratuita, que é a Udesc, eu seria muito feliz nessa opção estratégica de desenvolvimento da nossa grande região oeste, tendo a Saúde como uma das áreas prioritárias.
Faço essa manifestação como presidente, e com certeza toda a comissão de Educação quer que a nossa querida Udesc avance, cresça e desenvolva-se no estado. Eu sou deputado da Oposição e, portanto, poderia fazer outras críticas, mas, pelo contrário, sou defensor da nossa Udesc e quero vê-la cada vez mais forte, mais democrática, mais plural, mais qualificada e profissionalizando nossos jovens catarinenses. E, ao mesmo tempo, quero ver a nossa grande e nova Universidade Federal implantada em Chapecó, permitindo mais desenvolvimento, mais dignidade e mais qualidade de vida para o povo do grande oeste de Santa Catarina, como também do sudoeste do Paraná e noroeste do Rio Grande do Sul.
Este era o meu pronunciamento, neste momento, sobre esse tema da educação em relação aos cursos a serem implantados. E no caso de Palmitos, especificamente, quero contribuir com esse diálogo com a própria comunidade e ao mesmo tempo esperar a Udesc sinalizar quais os novos cursos que poderão ser implantados nos campi de Palmitos, Pinhalzinho e Chapecó.
Termino o meu pronunciamento fazendo novamente um convite a todos os parlamentares para estarem presentes na abertura do nosso fórum sobre as energias renováveis hoje, às 19h, no Parlamento catarinense, e amanhã à noite no lançamento do livro Inevitável Mundo Novo, que é a relação entre as energias renováveis, produção de alimento e o futuro do planeta.
Antecipadamente, quero dizer que o Sustentar 2009 será um sucesso! Já há 613 inscritos. Havia vagas para 600 e ampliamos para mais 50 vagas, e há 27 vagas até o início do nosso evento, hoje, às 19h.
Por isso, parabéns a todos que aceitaram o convite para participar do Sustentar 2009, aos palestrantes, especialistas, inclusive da FAO, José Tubino, que vai falar sobre o alimento no planeta, ou seja, um dos maiores especialistas do mundo estará no Sustentar 2009!
Quero agradecer a todos e ao Parlamento catarinense, que irá realizar um dos maiores eventos do Brasil na área de energias renováveis, produção de alimento e o futuro do planeta.
E sobre a questão do desmatamento, sobre a questão ambiental de Santa Catarina que o deputado Antônio Aguiar levantou aqui, vou fazer esse pronunciamento em outro momento, porque o nosso estado tem que ser o bom exemplo para o Brasil.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)