89ª Sessão Ordinária - 07/10/2009
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Muito obrigado, deputado Dagomar Carneiro, que preside esta sessão.
Srs. deputados, sras. deputadas, pessoas que nos estão acompanhando neste momento e anteriormente citadas, eu gostaria de falar um pouquinho de um assunto que acabou sendo postergado em virtude de outras urgências de algumas semanas atrás.
Nós temos passado, e isso não é novidade, por tragédias ambientais em nosso estado, como cheias, enxurradas, chuvas de granizo, furacões e até tornados, coisas que antes não aconteciam aqui e que agora estão acontecendo. O ritmo das chuvas é uma coisa extraordinária. Eu não sei se alguém aqui se lembra da última vez que fez um dia inteiro de sol; um sol que tenha começado de manhã e tenha ido até ao anoitecer. Eu creio que ninguém vai-se lembrar desse dia porque já faz muito tempo. Ou seja, tem chovido praticamente todos os dias, mesmo com pouca intensidade, e tem chovido bastante também com uma freqüência que há dez anos seria inimaginável. Ocorreram as enchentes de 1983 e de 1984 na região do vale, mas tudo voltou depois à normalidade. Mas as chuvas de agora continuam de forma frequente e estranha. É evidente que a situação ambiental do globo terrestre está alterada.
Srs. deputados, apontar o dedo para alguma iniciativa específica, como para a aprovação do Código Ambiental, afirmando ser o responsável pelos atuais problemas, acho que é um exagero, embora tenha relação. Ter evitado, pelo menos até agora, por decisão do Ministério Público, a construção da fosfateira em Anitápolis é importante e tem a ver com esse assunto, mas a reflexão precisa ser bem mais ampla.
A forma de vivermos na sociedade está destruindo as condições de vida na Terra. Estamo-nos tornando cada vez mais consumidores, perdulários, destrutivos com relação às condições ambientais. Um colega do nosso gabinete falou outro dia sobre uma questão que me fez refletir. Nós não estamos mais produzindo cidadãos e sim consumidores; nós não estamos construindo jovens e sim consumidores. Isso tem-se transformado numa ideologia de uma forma de pensar, em que as pessoas são consideradas não pelo que valem, mas sim pelo que consomem! Não pelo conhecimento que possuem, pelo aporte de valores para a sociedade, mas pelo extrato bancário, pela quantidade de coisas que podem comprar. Um terço da sociedade que pode consumir, consome, na maioria das vezes, coisas desnecessárias. A produção industrial em geral está pensada dessa forma. Todo ano troca-se de celular, todo ano troca-se de carro, e isso tudo está levando à destruição das condições ambientais. O valor principal na sociedade atual é o consumo. As coisas são pensadas dessa forma.
Eu vi, lá no alto vale, uma propaganda de uma empresa de motosserra falando em nome do meio ambiente! Motosserra "x" (não vou dizer o nome da empresa) defende o meio ambiente! Mais ou menos assim. Inclusive, as palavras têm assumido nuances para dizer uma coisa diferente daquilo que elas realmente significam.
O transporte da sociedade de massa estará cada vez mais inviabilizado para os próximos anos...
(Discurso interrompido pelo término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)