Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Professor Grando

111ª Sessão Ordinária - 01/12/2009

O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sra. presidente, deputada Ada De Luca, srs. deputados, a nossa saudação, como homem de ciência manifestei-me nesta Casa dezenas de vezes a favor das pesquisas com células tronco, quando alguns setores conservadores entraram com uma ação no Supremo Tribunal Federal visando suspendê-las.

Portanto, como homem de ciência, eu queria que todos os catarinenses tomassem conhecimento, com atraso, sim, porque isso atrasou mais de dois anos, da pesquisa que eu entendo como a mais séria relacionada à saúde, que é a biofísica. Não restam dúvidas de que os físicos, quando trabalharam e descobriram o DNA, a ciência, os remédios, a cura, e o pensamento, mudaram completamente o mundo, a partir de 1958.

O governo federal e a Universidade Federal do Rio de Janeiro, juntamente com seus parceiros, lançaram a primeira fábrica de células tronco do país. O objetivo é distribuir linhagens dessas células para centros de pesquisa brasileiros, para que futuros testes de laboratório e, com sorte, de terapia celular em pessoas sejam padronizados e tenham um resultado mais confiável.

Olhem como o mundo avança: o Lance, Laboratório Nacional de Células Tronco Embrionárias, fabricará a linhagem de células embrionárias humanas famosas por sua versatilidade quase ilimitada, que podem assumir a função de qualquer tecido do organismo adulto. Essa é uma grande vantagem na questão do diabetes, mal que está assolando a humanidade; na questão das doenças cardiovasculares, enfim, são muitas as doenças que podem ser tratadas por essas células tronco, que possuem, como aqui foi muito bem colocado, uma versatilidade quase ilimitada, podendo reconstruir órgãos, parte de órgãos e funções de qualquer tecido do organismo adulto. Portanto, parabéns pela pesquisa.

Mas o que mais me chama a atenção é que foram gastos para implantar esse laboratório, que vai alimentar os demais laboratórios de pesquisas de cada universidade, seja nas nossas universidades comunitárias, particulares, na Udesc, na UFSC, estadual ou federal, somente R$ 4 milhões, deputado Pedro Uczai! E esse investimento é muito útil ao povo brasileiro e à humanidade, porque hoje, quando uma experiência dá certo, principalmente na ciência, num determinado lugar, dará certo também em qualquer outro lugar do mundo. E isso poderá beneficiar a humanidade em termos de saúde, em termos de qualidade de vida. A isso de replicar, que é a palavra mais utilizada na questão da globalização, na questão da comunicação e da informática.

Portanto, temos que parabenizar sempre que a ciência é contemplada pela política pública. Isso é fazer política pública na ciência e na pesquisa, algo que o Brasil tanto precisa.

Sra. presidente e srs. deputados, faltam somente seis dias para o grande encontro de mudanças climáticas que ocorrerá em Copenhague, que também está relacionado à ciência, mais especificamente à redução do dióxido de carbono, às novas tecnologias para produção de energias limpas, à pesquisa da tecnologia de novas alternativas mecânicas, novas tecnologias de semicondutores eletroeletrônicos, como, por exemplo, o carro elétrico, o carro de hidrogênio e tantas outras formas de produzir energia, democratizando essa energia, porque a energia solar só tem sentido em cada residência, em cada conjunto habitacional, através da democratização da utilização dessa energia.

O homem é dono, com o seu computador, com o seu celular, da comunicação. Não existe mais cortina de ferro, não existe mais quem proíba que o conhecimento seja transmitido. Ele está no ar, vai além das quatro paredes das nossas salas de aula. A questão do novo homem, da comunicação, só funciona, e está funcionando, porque temos democracia.

O novo homem será dono também da energia, pela pesquisa, pela ciência. Queremos um homem muito mais sábio na compreensão da humanidade, na proteção da nossa Terra, do nosso meio ambiente, sendo dono da comunicação e da ciência. Por isso, vale a pena lutar e fazer política, nunca esquecendo o viés da ciência.

O Brasil poderia ser o grande beneficiado não de forma voluntária, mas porque o Brasil está reconsiderando que daqui até o dia 7 de dezembro muitos fatos ocorrerão. Até próprio presidente Barack Obama em dois dias mudou de posição, de maneira vinculante, com propostas concretas em relação a 1990. O Brasil, de acordo com o Protocolo de Kyoto, poderia ter metas vinculantes! O Brasil poderia liderar esse processo, eis que o art. 4º do Protocolo de Kyoto libera todas as patentes científicas de que o Brasil tanto precisa.

Durante muitos anos esquecemos da pesquisa, mas agora poderemos ser um país que terá liberdade e independência. Todos no mundo salvar-se-ão se estiverem juntos, quando caírem as patentes, pois não serão mais cobrados royalties, o que levará os países em desenvolvimento a uma tecnologia melhor em saúde, em educação, em transporte e em tantos outros setores. Em contrapartida, o Brasil ajudaria dando mais oxigênio, reduzindo suas emissões de dióxido de carbono, como um país bem localizado no mapa geográfico da Terra, que pode receber grande quantidade de sol e produzir o etanol como medida compensativa.

É dentro dessa forma de desenvolvimento que o Brasil, pela potencialidade que apresenta, deveria estar liderando o processo. E espero que lá em Copenhague o Brasil lidere essa questão de que todos se salvarão juntos, mostrando que seu governo é fraterno, é um governo pelo qual sempre lutamos, é um governo humanitário. Assim, os países desenvolvidos poderiam ceder naquilo que é óbvio, porque não há como segurar o conhecimento, pois mais cedo ou mais tarde ele se difunde. Por que dificultar aos países do terceiro mundo o acesso às descobertas científicas, à tecnologia?E cito aqui até um exemplo: as maçãs vieram para Santa Catarina lá do Japão, através de um convênio com a Jica - Japan International Cooperation Agency. Hoje, Santa Catarina exporta maçã muito mais do que o Japão, produz uma maçã de melhor qualidade e poderia levar essa tecnologia para outros países da América Latina, para ajudar no seu desenvolvimento.

Então, também temos que cooperar com os países vizinhos porque já fomos ajudados. Só dessa forma é que entendo que vale a pena fazer política e lutar por ela, ou seja, quando há cooperação, solidariedade, fraternidade e interação.

Sra. presidente, estamos vivendo momentos importantes no mundo e esse evento de Copenhague, sem sombra de dúvida, será o encontro mais importante, no meu ponto de vista, sem exagerar, que a humanidade já teve.

Muito obrigado, sra. presidente.

(SEM REVISÃO DO ORADOR)