83ª Sessão Ordinária - 24/08/1999
O SR. DEPUTADO GELSON SORGATO - Sr. Presidente e Srs. Deputados, primeiramente gostaria de agradecer aos membros da Bancada do PFL pela cedência do horário.
Nós queremos registrar aqui, assim como fez o Deputado Manoel Mota, a mobilização dos caminhoneiros. Na verdade, não foi a organização dos sindicatos que mobilizou os caminhoneiros mas, sim, os próprios caminhoneiros, que não conseguem mais sobreviver, não conseguem mais pagar as suas prestações.
Para V.Exas. terem uma noção da situação, um caminhão que sai de Dourados carregado de milho em direção ao Extremo Oeste de Santa Catarina, São Miguel d’Oeste, tem um faturamento de R$300. Vejam o custo dessa carreta que roda pelas estradas! Como eles podem sobreviver? Na verdade, os caminhoneiros deveriam estar unidos pelo "caminhonaço", e agora estão com mais uma mobilização em Brasília.
Vejam, Srs. Deputados: a área econômica do Banco Central... Estava em Florianópolis ontem o Sr. Ricardo Conceição anunciando recursos para a safra de 2000. Isso é uma bonificação aos agricultores que devem até R$10 mil, porque não vão pagar os próximos dois anos e se forem pontuais com o seu pagamento irão ter um desconto de 30%. Ele anunciou isso para desestabilizar a mobilização que está acontecendo em Brasília.
Mas isso tinha que ser feito, para o Governo Federal entender que precisa injetar recursos na economia, na produção. Ou nós não lemos neste Brasil e neste Parlamento que as 500 maiores empresas brasileiras hoje têm um débito com a parte financeira de 0,81% em cada real que colocam nas suas empresas, que era 0,56?! Essas 500 maiores empresas do Brasil tinham um faturamento de 7.24% e passaram a faturar 4.6%, enquanto que os bancos faturam de 9 a 11%. E o Governo não consegue estancar essa situação! Onde está o setor produtivo?
Esteve aqui dando uma palestra o Deputado Federal e ex-Ministro Delfim Netto, que disse que é preciso colocar de imediato recursos na mão daqueles que trabalham. Mas essa oportunidade está sendo dada só para os agiotas. É isso que está acontecendo no Brasil! Por isso que está acontecendo essa mobilização em nível federal!
Quero deixar registrado que estivemos com o superintendente do Banco do Brasil, que nos atendeu bem e está dando todas as informações, mas temos informações de que o Besc no interior do nosso Estado está chamando os agricultores do crédito de emergência para saldarem suas dívidas.
Sabemos que há um acordo ou pelo menos um diálogo entre as partes do Governo do Estado que avalizam os Municípios e o agricultor no sentido de haver uma prorrogação no prazo. Isso é o que nos foi dito em termos de Banco do Brasil, e o Besc está chamando para a cobrança. Ninguém sabe se está no Besc, se a prorrogação vai para o Banco do Brasil ou com quem fica.
Nós queremos registrar aqui e iremos encaminhar um comunicado a todos os sindicatos da região.
Companheiros, espero que essas medidas de liberação de recursos não sirvam apenas para desmobilizar esse movimento em Brasília até o dia 26.
Se o Governo quiser fazer uma renegociação e tiver usineiros de açúcar, aqueles que realmente buscaram recursos e não aplicaram na agricultura mesmo tendo trator, terra, ceifeira, que faça uma seleção e dê condições àquele pequeno agricultor, que não tem trator, que tem como ceifeira o braço, que pega no cabo da enxada, de poder trabalhar.
Sei que o que estou dizendo aqui para a imprensa não vai refletir nada, não vai refrescar nada, pois isso não sai na mídia, não é matéria. Quando o assunto é corrupção, é roubo, é desvio, é vender o que não podia ser vendido vira notícia, o resto, não!
Nesse Estado, infelizmente, Deputado Jaime Mantelli, o Governador vetou o projeto que trata da disponibilidade das escolas ociosas.
Este projeto, que solicita que as ociosas passem diretamente ao Município, voltou para a Comissão vetado.
O Deputado de Oposição pode até fazer um bom projeto, mas eles vão colocar um pano em cima, vão rasgar...
O SR. PRESIDENTE (Deputado Heitor Sché)(Faz soar a campainha) - Nobre Deputado, V.Exa. dispõe de um minuto para concluir o seu pronunciamento.
O SR. DEPUTADO GELSON SORGATO - Já concluirei, Sr. Presidente.
Infelizmente o Governo não quer a contribuição da Oposição para fazer um bom Governo em Santa Catarina, faz aquilo que quer, mas nós não vamos nos curvar, vamos continuar fazendo, com respeito, com dignidade, aquilo que sempre fizemos de bom para Santa Catarina.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)