Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Dionei Walter da Silva

76ª Sessão Ordinária - 02/10/2003

O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - Sr. Presidente, Sras. Deputadas e Srs. Deputados, ocupo a tribuna para fazer uma reflexão sobre algumas falas que ouvimos da tribuna e outras que acompanhamos na imprensa, e hoje foi muito bem ilustrada aqui da tribuna há pouco tempo.

Vimos Deputados ocupar a tribuna para falar insistentemente de choradeiras, lágrimas e emoções, mas num sentido pejorativo, destrutivo, de mascarar a realidade e de tentar mais uma vez ou como sempre fizeram enganar a opinião pública e manipular informações, dando a entender coisas que, na verdade, estão preocupados.

Estão preocupados, e com razão! Inclusive vimos lideranças, pelo Estado afora, apavorados com os números e com a realidade que o Brasil vem construindo com esse Governo.

E a choradeira, nesse aspecto, é aquela choradeira de viúvas, aquelas viúvas dos regimes autoritários, dos regimes de aproveitamento do Poder Público para benefícios pessoais ou de grupos ou de interesses, e que está acabando.

Estamos vendo serem desmontadas máfias no Rio de Janeiro, máfia dos fiscais, máfia de fraudadores da Previdência, sonegação, roubos de cargas e assim por diante. E nós estamos vendo um Governo preocupado com a ética, com a moralidade, com o combate ao preconceito racial, com o direito das mulheres, com a soberania alimentar, com a segurança pública, com a reforma do nosso sistema, com o nosso aparato policial, com o nosso judiciário; com preocupações com a sociedade, pela primeira vez na história do nosso Brasil, e não com grupos, com interesses, muitas vezes, inconfessáveis.

A choradeira que nós estamos vendo é compreensível. Quando eles criticam, por exemplo, o Projeto Fome Zero ou como me criticaram por eu não conceder cestas básicas ou por eu não dar bingo para Igrejas, quero dizer que me sinto orgulhoso por isso, eu tenho orgulho em receber essas críticas porque esse é o papel do Deputado Estadual, de conscientização, de trazer à discussão no Parlamento assuntos de interesse da sociedade e não de assistencialismo barato.

E é aí que entra a choradeira, porque acabando com a fome, acabando com a miséria e acabando com a dependência das pessoas, com o assistencialismo acabam as eleições fáceis, aquelas eleições onde o dinheiro é que elege os políticos, os Deputados, os Vereadores, os Prefeitos e os Governadores; acaba a compra de votos, acaba a troca de votos por cestas básicas, por remedinhos, por internação, por uma série de coisas.

Por isso eu entendo a choradeira e até penso que eles devem ficar preocupados porque, concretizando-se o nosso projeto, com a seriedade e a competência do nosso Governo, aí eles vão demorar a voltar. Espero que nunca voltem porque o povo brasileiro não merece retroceder àqueles tempos onde o controle da economia era o único objetivo e, para esse controle, não importava o povo, não importava a fome, não importava a miséria, não importava nada desde que os seus aliados estivessem bem. E entregaram o Brasil, destruíram o nosso País com essa linha de privilegiamento de grupos e de interesses.

Sendo assim, é lógico que eles precisam tentar, equivocada, maldosa e irresponsavelmente destruir, atacar a imagem do Presidente Lula. E falar da tribuna que o Presidente Lula nunca trabalhou é uma vergonha, é desqualificar o debate, é despreparo para a função pública, eu acho que é preciso qualificar o debate. O Lula é o ícone da mudança, da transformação do pensamento da sociedade brasileira, da esperança de nós termos um Brasil diferente, um Brasil melhor.

Eu creio que aí bate uma ponta de inveja de algumas pessoas por não terem condições de chegar à Presidência da República ou de não estarem mais aliados ao Presidente da República e continuarem as práticas de entregar chequinhos em entidades, fazer a velha prática da subvenção social porque agora, talvez, esteja mais difícil. Aí nós até entendemos a choradeira.

Mas, eu penso que a sociedade catarinense amadureceu, provou isso na última eleição e ela não se deixa mais enganar tão fácil. É muito fácil vir aqui fazer discurso, fazer teatro, circo, alterar-se, mas o tempo é senhor da razão e as pessoas conseguem acompanhar, discernir e separar o que é demagogia, falácia e o que é projeto.

Eu confesso que hoje me surpreendi, quando fui aparteado pelo Deputado Nelson Goetten, com uma fala coerente. A fala do Deputado sobre os bingos, sobre as máquinas, sobre sua contrariedade ao jogo, foi uma fala correta. Mas a fala seguinte me deixa dúvidas se a anterior era sincera.

Há alguns dias, Deputada Ana Paula Lima, eu vinha passando por Rio do Sul com o rádio do carro ligado e ouvi uma propaganda interessante. Uma casa de bingo daquela cidade dizia que parte dos recursos arrecadados seria destinada ao Programa Fome Zero. Então, são coisas que não entendemos, mas entendemos como choradeira, como desespero de alguns, por este Estado afora, que ficaram viúvos do Estado e da Nação.

O Sr. Deputado Paulo Eccel - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - Pois não.

O Sr. Deputado Paulo Eccel - Diante do baixo quórum no Plenário, nós estamos falando, na realidade, para o povo de Santa Catarina, através da televisão. E é importante, neste momento, usar a linguagem do povo. O que vimos hoje da tribuna desse Parlamentar ao qual nos estamos referindo, nada mais é do que o choro do bezerro desmamado, do bezerro desmamado das tetas do poder, dos cargos, das subvenções. E o povo é esperto, sabe fazer o julgamento.

O Sr. Deputado Wilson Vieira - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - Pois não.

O Sr. Deputado Wilson Vieira - Deputado, eu não vou tomar muito do seu tempo, mas só quero dizer o seguinte: parece-me (e eu até diria que dá para ter certeza) que eles estavam em coma até o dia 31 de dezembro de 2002 e só acordaram no dia 1º de janeiro de 2003, porque não conseguem enxergar a história que eles próprios construíram.

O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - V.Exa. me concede um aparte?

O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - Democraticamente, Deputado, concedo-lhe um aparte.

O Sr. Deputado Antônio Carlos Vieira - Não esperaria de V.Exa. outra atitude, que não fosse a postura democrática de me conceder um aparte.

Mas o que eu quero colocar, Deputado, é sobre o jogo. V.Exa., em aparte, disse-me que estaria elaborando um projeto para acabar com o jogo. E eu quero dizer que estou com V.Exa. Eu provoquei este assunto e vou provocá-lo tantas vezes quantas se fizerem necessárias, mas gostaria de assinar, com V.Exa., um projeto dessa natureza, a fim de que nossas crianças fiquem livres dessa situação constrangedora e que pode causar um grande mal para o futuro de nosso País.

O SR. DEPUTADO DIONEI WALTER DA SILVA - Eu agradeço, Deputado, e V.Exa. sabe o respeito que tenho pela sua pessoa e com certeza será o primeiro a quem procurarei para assinar o projeto.

Então, o meu pronunciamento era esse e infelizmente precisamos, algumas vezes, contrapor posições inconseqüentes de alguns Deputados, que usam este espaço não para construir, mas para confundir, para enganar, para manipular e tentar distorcer fatos, transformando-os em verdade.

Talvez tenha acontecido porque foi veiculada a notícia de que o Brasil bateu o recorde de superávit comercial e isso preocupa alguns que vêem que o Governo está, realmente, no caminho certo.

Queria, por fim, fazer um cumprimento especial à Deputada Ana Paula Lima e à cidade de Blumenau, pela realização da 20ª Oktoberfest, uma festa que começou como uma ação social para enfrentar uma enchente e que hoje se transformou na maior festa, quem sabe, do Brasil, no ramo. Parabéns!

Muito obrigado!

(SEM REVISÃO DO ORADOR)