2ª Sessão Extraordinária - 13/03/2003
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sr. Presidente, na verdade, até nem ia fazer uso da palavra, mas não posso me furtar de fazer aqui um pequeno comentário sobre algumas coisas que temos ouvido e visto em nível nacional com relação à segurança neste País, tanto do Rio de Janeiro como de Florianópolis. Impressionantemente, Florianópolis, hoje, compara-se ao Rio de Janeiro, até, em termos de violência.
Assistindo à televisão esses dias atrás, ouço o Sr. Ministro da Justiça dizer, e já não é a primeira vez, sobre quando são chamadas as Forças Armadas para auxiliarem no problema na segurança pública no Rio de Janeiro. Eu escuto do Sr. Ministro sempre a mesma frase, praticamente, de que as Forças Armadas não estão preparadas e nem são preparadas para esse tipo de atividade. E há uma resistência muito grande em se utilizar as Forças Armadas, o nosso Exército, para esse tipo de guerra que se enfrenta nos dias de hoje.
Eu estou aqui pensando com os meus botões, e estou utilizando a tribuna até para tornar público o meu pensamento, se as Forças Armadas que temos neste País, que tem mais ou menos uns 250 mil soldados, não estão preparadas para esse tipo de atividade, então, para que tipo de atividade estão preparadas?! Elas estão preparadas para uma guerra com a Otan, uma guerra com os Estados Unidos? É para isso que temos o nosso Exército preparado? Ou estão preparadas para invadir o Paraguai, Argentina, Uruguai?
São perguntas que vêm à nossa mente, pois são cerca de 250 mil homens que estão lá, todo dia, fazendo exercício. V.Exas. certamente já se depararam com muitos pelotões marchando ou correndo, fazendo ginástica para manter a forma, jogando vôlei no fim do dia para manter, também, a forma.
Para que, afinal de contas, nós temos esse contingente de homens no País, enquanto nos debatemos com uma verdadeira guerra diária contra o crime organizado, contra o narcotráfico e uma série de outros problemas seríssimos que para mim, no meu modo de ver, esta é a verdadeira guerra que travamos?! Esta é a verdadeira guerra que temos pela frente, no dia-a-dia, não só no Rio de Janeiro como também em Florianópolis que, agora, lamentavelmente, está sendo comparada quase que diariamente com o problema sério do Rio de Janeiro!
O dinheiro público está sendo gasto com o contingente monumental de cerca de 250 mil homens! Para que, afinal de contas, temos o Exército? Se não é para defender o cidadão brasileiro quando está enfrentando, diariamente, uma verdadeira guerra contra o banditismo, para que ele serve?!
Eu penso aqui com os meus botões que guerrear com os Estados Unidos ou com uma grande potência não vai dar certo! Não vai terminar bem isso! Se não é para isso, que tal se nossas autoridades federais imaginassem, então, um contingente de 30 mil soldados, bem treinados, para uma guerra mesmo para cuidar das nossas fronteiras, etc., e o resto bem treinado para enfrentar essa guerra diária que nós temos? Afinal de contas, nós brigamos tanto, lutamos tanto para unificar a Polícia Civil com a Polícia Militar para até ter mais força.
Fala-se em concurso público para aumentar o contingente tanto da Polícia Militar, Polícia Civil quanto da Polícia Federal, e o Exército como fica?
Outro dia estava fazendo esse mesmo comentário no meu programa de rádio e um Sargento do Exército, que estava ouvindo atentamente, queria entrar no ar revoltado para dizer que eu estava desrespeitando as Forças Armadas. Onde já se viu! Mas onde que eu estou desrespeitando?! Eu estou falando uma coisa óbvia, uma coisa clara que está na frente de cada um de nós!
Se V.Exas. passarem no final do dia no batalhão vão ver a rapaziada batendo bola, rapaziada saudável, forte, correndo, mantendo a forma, ótimo, muito bom, excelente. Então, por não utilizar essa mão de obra saudável, forte e prepará-la para essa guerra diária que estamos enfrentando neste País?! Não vai demorar muito para virar uma segunda Colômbia, pois nós temos tudo aqui para acontecer isso.
Temos um grupo, que não quero citar o nome aqui, que logo vai virar um grupo revolucionário dentro deste País, pois andam invadindo tudo o que lhe dá na telha, a bel-prazer das autoridades federais. Esse grupo pode virar uma segunda Farc da Colômbia! E o narcotráfico? O narcotráfico já está muito bem organizado, temos um poder paralelo neste País, que está claro para todos nós. E as Forças Armadas estão preparadas para nos defender de um possível ataque dos Estados Unidos, da Otan, sabe Deus lá de quêm?!
Então, sinceramente, perdoem-me, Srs. Deputados, se estou falando besteira, mas é a minha opinião e a minha forma de ver isso.
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Pois não!
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - Eu sei que esta questão do crescimento da violência preocupa não só o nosso Estado, mas o País e o mundo como um todo. Agora, com relação à situação aqui em Florianópolis, especificamente, V.Exa. lembra quanto isso rendeu de discursos, nesta Casa, ao longo da nossa Legislatura que encerrou em janeiro?
Esta semana foi iniciada a chamada Operação Escorpião, que acho que é uma boa operação, parece-me que está produzindo algum efeito. No entanto, Deputado Nilson Gonçalves, recebi, na terça-feira, a visita de um cidadão em meu gabinete, o qual chegou aos prantos. Esse cidadão foi assaltado, teve uma filha seqüestrada, recentemente, e na segunda-feira à noite ele, tentando adentrar à Ilha, teve que parar o carro porque estava ocorrendo a Operação Escorpião, onde os policiais estavam revistando, fazendo uma operação na entrada da ponte, e estava uma fila quilométrica, estendendo-se até a Via Expressa, e os marginais...
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - E acabou passando em frente às favelas.
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - Exatamente! Esse cidadão teve um revólver colocado sobre a cabeça, porque lá não havia um policial...
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - E não foi só ele, foram várias pessoas assaltadas ao longo da Via Expressa, enquanto a operação acontecia em cima da ponte.
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - Estavam assaltando por atacado na Via Expressa, porque o cidadão ficava indefeso, o motorista não tinha como fugir, estava no congestionamento, e houve um verdadeiro assalto por atacado, na Via Expressa, enquanto se implantava a Operação Escorpião aqui.
Então, são essas questões de organização que precisam ser revistas. Não se pode coibir a entrada aqui ou dificultar lá, ou seja, fazer com que um congestionamento daquele porte se estabelecesse exatamente diante das favelas, onde os marginais tiveram muito mais facilidade de promover vários assaltos.
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - É por isso que se está formando e se está fazendo sempre uma comparação com o Rio de Janeiro. Está acontecendo aqui o que está acontecendo lá. A polícia diz que tomaram conta e coisa e tal, mas a bandidagem, os criminosos, o crime organizado está desafiando as autoridades constituídas! Enquanto eles estão num lado, estão atacando e matando em outro lado. É um negócio realmente assustador, e é por isso que eu acho oportuno comentar sobre esta questão da função específica das Forças Armadas, neste País.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)