18ª Sessão Ordinária - 05/04/2005
O SR. DEPUTADO FRANCISCO DE ASSIS - Sr. Presidente, Sras. Deputadas, Srs. Deputados e senhores que nos assistem através da TVAL, nesta tarde quero tratar de dois assuntos que não são dos mais agradáveis.
Mas antes gostaria de fazer, en passant, referência ao pronunciamento da Deputada Odete de Jesus, ao seu desabafo pertinente sob todos os aspectos. Agora descobriram, recentemente, mais um nicho no nosso mercado, que é a poupançazinha, o dinheirinho dos nossos aposentados. Logo, logo eles vão estar endividados, a persistir essa campanha, que chega a ser acintosa e até imoral, de tentativa de convencimento de atração dos aposentados para obter alguns financiamentos, na maioria dos casos sem necessidade.
Mas, fazemos coro com o pronunciamento de V.Exa., Deputada. Temos que cuidar dos nossos aposentados e combater o abuso dos laboratórios e das multinacionais, que auferem lucros astronômicos no nosso País.
Mas, Sr. Presidente, quero me reportar ao passamento do Papa, na condição de cristão, de católico, mesmo que meio relapso. Mas é uma condição religiosa e não tenho muita esperança quando uma pessoa diz que não tem religião, que não acredita em nada. Parece-me que essa pessoa não vive, apenas vegeta. E eu tenho a minha religião, mesmo que às vezes de certa forma um tanto quanto descuidado da fé.
O Papa que partiu era uma unanimidade em todo o mundo, haja vista as manifestações das autoridades:
O nosso Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva: "A humanidade perde o símbolo da paz. Que Deus encha nosso planeta de homens com a sua coragem";
Dalai Lama, líder espiritual budista: "Ele foi um homem decidido e profundamente espiritual, muito prático e aberto. O Papa João Paulo II teve uma ampla visão dos problemas vividos pela humanidade";
Mikhail Gorbachev, ex-líder soviético: "João Paulo II teve um grande impacto no fim da Guerra Fria. Ele foi o humanista número 1";
Fidel Castro: "A humanidade guardará como recordação a incansável luta de João Paulo II a favor da paz, da justiça e da solidariedade";
Vladimir Putin, Presidente da Rússia: "A personalidade do Papa João Paulo II e seus trabalhos e idéias tiveram um grande impacto no curso dos eventos mundiais" - reconhecimento e respeito -;
Moshe Katsavmientras, Presidente de Israel: "O povo judeu se lembrará do Papa como uma pessoa que se levantou e pôs um fim às históricas acusações contra os judeus";
Kofi Annan, Secretário-Geral da ONU: "O Papa era extremamente preocupado com o mundo em que vivia e, como eu, sentia que na guerra somos todos perdedores";
Mahmoud Abbas, Presidente Palestino: "Ele foi um homem que esteve sempre voltado para o diálogo e pela paz, que lutou pela sagrada causa palestina" - reconhecimento -;
Rowan Willians, Líder mundial da Igreja Anglicana: "Ele foi um dos grandes líderes cristãos do século XX, e talvez, em retrospectiva, um dos maiores de todos os tempos";
Alexei II, patriarca da Igreja Ortodoxa russa: "A personalidade do Papa João Paulo II, a sua obra e as suas idéias influenciaram o curso da história mundial";
Comunidade dos talibãs, radicais islâmicos: "Apesar de muitos membros da cristandade iniciarem uma cruzada contra o Islã, é preciso ressaltar a voz do Papa em favor da paz mundial".
E por aí afora, Sr. Presidente, Srs. Deputados, tivemos manifestações de respeito e de reconhecimento à liderança do Papa no mundo, ao mensageiro da paz, da esperança, firme em suas convicções. Para alguns conservador, para outros progressista, mas nunca vacilou.
Não poderíamos deixar de registrar o passamento do Papa. Desejamos que quem venha sucedê-lo tenha a visão do mundo, da realidade contemporânea; que é preciso buscar, obstinadamente, a paz, a compreensão, a solidariedade, inclusive a igualdade. Esperamos que o próximo Papa tenha força para combater as desigualdades sociais, as injustiças que se praticam no mundo.
V.Exas. viram que me recusei a registrar mensagens de lideranças de algumas potências, porque essas vêem na conquista, a partir do poderio bélico, uma maneira de dominar, de governar o mundo. Portanto, não merecem o menor respeito, mesmo que se manifestem elogiosamente, reconhecendo a importância que teve o Papa, não apenas para os católicos, mas para toda a humanidade.
Vimos aqui as manifestação dos talibãs, que poderiam ter uma posição radicalmente contrária, e de outros líderes, que sequer religião têm, mas acreditam em alguma coisa. Às vezes não têm fé espiritual, mas acreditam que a existência do homem só se justifica se ele perseguir, obstinadamente, a justiça social, a inclusão dos excluídos, de distribuir um pouco do que existe de bom neste mundo àqueles que vivem na marginalidade, por exclusão pura e simples, motivada pelo modelo de desenvolvimento adotado pelo mundo no último século.
Sua Santidade esteve aqui na nossa Capital, visitou-nos. Foi uma figura, um peregrino, um mensageiro da paz, da esperança e da justiça, acima de tudo. Por isso faço, até entristecido, este registro, Sr. Presidente.
Ato contínuo, Sr. Presidente, quero me reportar também a acontecimentos, que nos entristeceram muito, no último final de semana, nas proximidades de Lages, mais especificamente no Município de Bocaina do Sul, onde, em quatro acidentes rodoviários, foram ceifadas nove vidas humanas. É uma rodovia que carece urgentemente de melhorias na sua pista de rolamento, de sinalização, de correção em algumas curvas malconcebidas. Gente de Lages e até estrangeiros (argentinos) perderam suas vidas naquele trecho.
Amanhã estaremos propondo uma audiência pública, a se realizar em Lages, para discutirmos sobre a necessidade urgente de melhorias nessas rodovias.
Dentre as nove pessoas que pereceram naquela rodovia, houve a morte de um Sargento do Exército, filho de um saudoso amigo meu, que trabalhou comigo no 2º Batalhão Rodoviário. O acidente ocorreu assim: ele estava fazendo um favor a um médico, filho do falecido Sr. Antônio Renor Zapelini, morto num acidente nas proximidades de Lages, levando seus familiares para o enterro. Mas, por azar do destino, houve um acidente, e, por incrível que pareça, próximo ao local do desastre anterior, ceifando a vida do Sargento.
A Sra. Deputada Ana Paula Lima - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Pois não!
A Sra. Deputada Ana Paula Lima - Realmente, Deputado, foi lamentável os acidentes que aconteceram na BR-282, em Lages.
Quero fazer um pedido todo especial ao Governador do Estado e ao Secretário da Infra-Estrutura, Edson Bez de Oliveira, pois várias vezes encaminhei pedido solicitando melhorias na SC-470, Rodovia Jorge Lacerda, que faz a divisa de vários Municípios, porque ela está intransitável. Hoje, quando estava vindo para cá, Deputado Francisco Küster, quase me acidentei devido a não conservação dessa rodovia.
Também quero me solidarizar com as famílias dos que perderam suas vidas ali. Eu também conhecia uma pessoa daquele família. Sentimos muito por essa situação.
O SR. DEPUTADO FRANCISCO KÜSTER - Agradeço a V.Exa. pelo aparte.
Para concluir, Sr. Presidente, como dissemos, vamos propor uma audiência pública para discutir a implementação de providências para que seja melhorada a situação da rodovia e também sua sinalização - que tenha uma sinalização de advertência, porque o trecho é realmente perigoso.
O jovem, talentoso advogado, Ricardo Cordeiro perdeu a vida; o empresário, meu amigo Antônio Renor Zapelini (trabalhei com ele), perdeu a vida, e o Sargento Jocenir perdeu a vida.
Sr. Presidente e Srs. Deputados, haverei de relatar o que ocorreu, lamentavelmente, nesse final de semana na audiência pública, onde estaremos discutindo providências urgentes para, no mínimo, melhorar a situação daquela BR.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)