48ª Sessão Ordinária - 01/06/2000
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Sr. Presidente e Srs. Deputados...
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - V.Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Pois não!
O Sr. Deputado Joares Ponticelli - Sr. Presidente e Srs. Deputados, como também terei que me afastar da sessão para acompanhar a audiência com o Governador do Estado, quero aproveitar esta oportunidade para convidar, mais uma vez, todos os Deputados para participarem da sessão solene, que acontecerá na segunda-feira, às 16h, quando teremos aqui caravanas de estudantes de várias regiões do Estado para comemorarmos, no âmbito deste Poder, o Dia Mundial do Meio Ambiente, dia 5 de junho, segunda-feira.
Portanto, queremos contar com a presença de todos os Parlamentares para prestigiar este momento, no qual vai-se discutir as questões tão polêmicas do meio ambiente na atualidade.
O SR. DEPUTADO NELSON GOETTEN - Obrigado pelas suas colocações, Deputado.
Sr. Presidente e Srs. Deputados, eu gostaria de tecer uma homenagem aos presentes, para que fiquem registrados nos Anais desta Casa. Hoje chega a esta Casa Legislativa mais um Parlamentar, mas um Parlamentar que representa uma das regiões mais carentes, mais críticas, mais injustiçadas quanto à distribuição de renda no nosso Estado. É o Parlamentar Aguiar que vem a esta Casa fortalecer os nossos trabalhos.
E o Governo tem que se preocupar continuamente em buscar uma alternativa para o povo que vive naquela região. O Planalto Norte, mesmo não o conhecendo profundamente, está passando por muitas dificuldades. Mas quem teve a oportunidade de conhecer as estatísticas e os dados com relação à sua economia, confirma que o seu povo é bravo e trabalhador.
Então, o povo dessa região merece respeito, pois é uma região que muito contribui para o desenvolvimento da nossa querida Santa Catarina.
Vivemos um momento pelo qual nos questionamos como homens públicos. Nunca se viu no País uma onda de corrupção, de protestos, de insatisfação e uma onda tão profunda de omissão com o cidadão quanto exatamente nesses 500 anos da Nação brasileira! Claro que se considerarmos e compararmos com as Nações desenvolvidas, podemos dizer que somos um jovem País, mas não tão jovem a ponto de não termos encontrado respeito das instituições com o cidadão, com aquele que gera e que produz o recurso que oportuniza.
Vivemos num País, onde o Governo e o sistema não conseguem ser sensíveis e nem ter alternativas para tirar da rua aquelas milhões de crianças abandonas, o que, aliás, vem aumentando a cada dia que passa. Um País que não consegue sequer ter a sensibilidade de dar condições para uma centena de milhões de brasileiros que vivem sem ter oportunidade de ter uma moradia digna e, muito menos, sem ter a oportunidade de, através do seu suor, buscar com a sua mão, com o seu trabalho, aquilo que é necessário para alimentar dignamente a sua família.
Vivemos num País em que alguns, mesmo vivendo com dificuldade, mesmo estando dentro deste contexto da Nação, acham-se no direito de interromper, de fechar ruas, de invadir instituições, de sair e de ajudar a criar movimentos grevistas para buscar aumento de salário, num momento em que temos tantos milhões de brasileiros que sonham apenas ter uma oportunidade de emprego. Para aqueles brasileiros que estão jogados na vala da miséria, a única coisa que eles querem é um emprego para que possam levar a comida para os seus filhos.
Agora, querer dizer que nós somos insensíveis com aqueles que trabalham dentro do sistema público, que não mereçam o reconhecimento, é uma inverdade!
Sentimos, sabemos e reconhecemos a importância do servidor público, mas não podemos, no momento em que devemos mudar esta situação, fazer reajustes profundos nas injustiças constituídas dentro dos Poderes; não podemos fazer uma reforma profunda nesta nova e velhíssima Constituição, impraticável, da Nação brasileira. E aí eu quero relembrar aquele discurso do falecido Ulysses Guimarães, que levantava a mão e dizia que a nossa Constituição só mudaria com a revolução. Ele estava certo!
Do outro lado, o Presidente José Sarney levantava a outra mão e dizia que com esta Constituição ficou ingovernável o País. Os dois estavam certos. A ingovernabilidade aí está, só não mudamos esta situação porque não temos poder de acertar. Só vamos mudá-la para corrigir as injustiças no dia em que o povo voltar a resgatar o Poder através da miséria e da injustiça que estão lhe sendo impostas.
Nós vivemos num território invejável, rico e abençoado por Deus, mas aqui mesmo estamos acompanhando agricultores que não conseguem, nem da sua terra, tirar o suficiente para sustentar a sua família.
Esta é a realidade que vivemos neste País, por isso não é momento de estarmos criando movimento, alimentando movimento grevista.
Queremos respeitar e reconhecer aquele que trabalha, e não está faltando esforço do Governo do Estado para manter, pelo menos, o salário daquele que trabalha; o Governo está respeitando as instituições, pois está repassando aquilo que é de dever e de direito a cada um; o Governo está respeitando o filho do nosso agricultor, do nosso operário oferecendo a ele a oportunidade de cursar a universidade através do repasse do art. 170, que nunca foi respeitado por outros Governantes deste Estado; enfim, ele está respeitando o aluno, repassando o salário necessário, como o salário-educação, para os Municípios e também os recursos para o transporte escolar.
Nós temos 5 milhões de cidadãos que precisam de uma oportunidade. Não são apenas 130 mil. O que eu quero dizer todo o dia e toda a hora é que eu respeito, mas eles estão surdos e mudos e não vão querer nos escutar neste momento. Eu respeito, mas o meu trabalho, a minha luta é por aqueles que não têm onde buscar o pão, por aqueles que estão abandonando a terra, por aqueles que querem uma oportunidade, por aqueles que querem um atendimento melhor à saúde. É lá que está concentrado o meu trabalho. Meu respeito àqueles que têm um emprego e estão em movimento grevista, mas não vão contar com a minha ajuda para isso!
O que eu quero é trabalhar, e para isso eu vou cobrar! Se no decorrer deste Governo não houver o respeito, o reconhecimento e uma melhoria na condição de trabalho do atual servidor, aí, sim, serei também aquele a aumentar a fileira daqueles que estão descontentes com o Governo. Mas o tempo ainda é curto para resgatar a governabilidade deste Estado. Os problemas são graves e não são só de Santa Catarina, são da Nação brasileira.
Então, para que se faça justiça, é necessário que todos nós desenvolvemos um bom trabalho, com ajuda e a contribuição, espero, desse jovem e agora estreante Deputado Estadual, que é médico, que trabalha com o povo no dia-a-dia, e que neste momento está trabalhando como Parlamentar desta Casa Legislativa.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)