32ª Sessão Ordinária - 09/05/2000
O SR. DEPUTADO GELSON SORGATO - Sr. Presidente e Srs. Deputados, irei dividir o horário reservado ao PMDB com o Colega João Henrique Blasi.
Srs. Deputados, ouvi as manifestações aqui de diversos oradores, mas o que me traz à tribuna, hoje, Deputado Heitor Sché, é uma situação lamentável que ocorreu no Oeste de Santa Catarina.
Eu diria que o Movimento dos Sem-terras, quando invadiu prédios, ultrapassou o limite! Mas quando a Federação da Agricultura esteve ontem aqui, até com carro da Polícia Militar, como batedor, na frente, organizado, reivindicando os seus direitos para a melhoria da qualidade de vida, da auto-estima do cidadão do campo, ela o fez pacificamente. Convidou até Sua Excelência, o Governador do Estado e o Secretário da Agricultura para que se manifestassem numa audiência no Palácio.
Mas o que lamentamos foi o que ocorreu no Oeste de Santa Catarina entre duas categorias que andam juntas: a Polícia Rodoviária Federal e os caminhoneiros, que transportam a nossa comida, o alimento daquele produtor rural que estava reivindicando os seus direitos.
Com todo o respeito que tenho pela polícia especializada e pela Polícia Rodoviária Federal, pois até tenho amigos lá, mas quero dizer que houve uma determinação para que os piquetes dos motoristas que estavam impedindo o transporte, quem sabe das agroindústrias, que também precisam escoar a sua produção... Mas não deveriam tirar o direito do cidadão, do caminhoneiro autônomo reivindicar a cobrança de pedágio ou por não ter lucro no seu transporte.
Infelizmente, quero deixar aqui registrado e denunciar que ocorreram situações piores que em 64. Pararam os carros, perguntaram quem estava no comando, queimaram as lonas em cima das rodovias, nos trevos, quebraram pára-brisas de caminhões, bateram em motoristas.
Infelizmente, o motorista precisa do guarda rodoviário, precisa da polícia especializada quando transporta a sua carga, porque é lá na guarita que ele tem que parar o seu caminhão e pedir proteção. Mas por causa de ordens superiores, talvez de Brasília, o movimento dos caminhoneiros não se uniu com o Movimento dos Sem-terras ou com aqueles que têm terras, para reivindicar os seus direitos.
Esse é o sentimento, Srs. Parlamentares.
A Assembléia Legislativa e nós, Parlamentares, precisamos, na hora em que formos pedir o voto para os transportadores, para os homens que fazem o transporte, dizer a eles que também não concordamos com essa situação. É imprescindível que a Polícia Rodoviária Federal, a polícia especializada e os caminhoneiros sejam parceiros, nós necessitamos das duas partes, pois não é possível, no ano 2000, no terceiro milênio, vermos ainda agressões dessa natureza.
Queria deixar registrada esta insatisfação que ocorreu no Oeste de Santa Catarina, começando por Faxinal dos Guedes, Xanxerê, Xaxim, trevo de Chapecó, Maravilha e São Miguel D’Oeste. Esperamos que haja um reparo desses danos e que se possa corrigir esses atos, que não são mais aceitos pela nossa sociedade.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)