Sessões Plenárias

Pronunciamento

Deputado Sandro Tarzan

69ª Sessão Ordinária - 19/09/2001

O SR. DEPUTADO SANDRO TARZAN - Sr. Presidente e Srs. Deputados, ocupo a tribuna no dia de hoje para falar um pouco sobre uma discussão que está acontecendo em nível de Florianópolis e entre alguns jornalistas, com relação a um projeto de resolução, que entramos nesta Casa, criando a medalha de mérito da tradição gaúcha.

Sabemos o que representa a tradição gaúcha, e temos a convicção de que ela não é vinculada somente ao Estado vizinho do Rio Grande do Sul. Tivemos a surpresa de ler no jornal A Notícia do 25 de agosto de 2001, na sessão de cartas, uma que esclarece algumas coisas em relação a toda essa polêmica.

A carta foi escrita por Marcelo Zaffi, Secretário de Palhoça, vizinho Município de Florianópolis.

A carta diz o seguinte:

(Passa a ler)

"Cultura tradicionalista

Folheando este jornal, leio com indignação mais uma vez juízos tendenciosos e infundados por pessoas intolerantes que pouco sabem sobre a cultura tradicionalista.

Estou me referindo aos conceitos emitidos pelo Sr. Paulo Bastos Abraham, Presidente da Fundação Pró-Florianópolis, sobre o nobre gesto do Deputado Sandro Tarzan, em propor a criação da medalha de mérito da tradição gaúcha.

Como costumeiro é, pessoas que confundem ou desconhecem a verdadeira história catarinense e emitem conceitos errôneos.

Não o conheço pessoalmente. Não sou seu cabo eleitoral. Não tenho anseios partidários, mas estou certo que o Deputado, oriundo de um dos Municípios que desenvolve com a maior qualidade o turismo, que é São Joaquim, inspirou-se em dezenas de anos de história e tradição do Planalto, como é testemunhado através de costumes da sua gente e do dia-a-dia de um povo.

Em relação a afirmação que estaríamos importando o folclore do Rio Grande do Sul, devo dizer: primeiramente, Paulo, deveria saber antes de levantar uma caneta para escrever que a tradição gaúcha não é exclusividade do Rio Grande do Sul e sim de todo o Sul da América Latina, hoje chamada de Mercosul.

Para sua informação devo dizer que a origem do gaúcho é nos pampas da Argentina e que por influência foi se expandindo para os atuais países limítrofes, pois na época não existiam o que hoje conhecemos como fronteiras demarcadas.

Ser gaúcho não é ter nascido no Rio Grande do Sul, pois assim seria riograndense. Ser gaúcho é ter por opção uma filosofia de vida, um estado de espírito.

Por outro lado, se pesquisar sobre o caminho das tropas, verá que é impossível apagar um passado de costumes e tradições. É só ler sobre a história de Santa Catarina e comprovar que isto é fato.

O desconhecimento da história não habilita ao Sr. Paulo Bastos a fazer afirmações mentirosas e descabidas. Assim, ele está negando o seu próprio passado, o de Florianópolis e o do Estado.

Talvez ele não saiba que o charque que seus bisavós e avós comiam em nossa maravilhosa Ilha, eram trazidos no lombo de cavalo por esses gaúchos como ele chama.

Estou imaginando talvez que este senhor, fanático no seu amor ilhéu, queria fundar a república do litoral, pois assim conseguiria apagar de vez a luz das tradições alemãs, italianas, gaúchas, açorianas, polacas e tantas outras que convivem pacificamente, uma incorporando costumes das outras e que só tem a mostrar mais uma vez a força e o destaque que a nossa terra toda tem."

Queremos, mais uma vez, dizer porque temos tido toda esta atuação em relação à tradição gaúcha no Estado de Santa Catarina.

Na segunda-feira passada, tivemos aqui uma sessão solene em homenagem ao MTG de Santa Catarina, em homenagem o tradicionalismo gaúcho, proposta através de um requerimento de autoria do Deputado Jaime Mantelli, da qual participaram os Deputados Manoel Mota, Ivan Ranzolin e outros, que se pronunciaram.

Como disse naquela oportunidade, fui autor de um projeto, aprovado, com relação à inclusão do rodeio como parte da cultura catarinense e outro que autoriza os Poderes Executivo e Legislativo a repassarem recursos através de subvenção social.

Infelizmente, por mau entendimento do Governo, não foi aceito, mas estamos tentando encontrar um meio para que os nossos CTGs, os piquetes de laçadores, as invernadas artísticas possam receber recursos através de subvenção social. Estamos negociando com o Governo.

O projeto cria a medalha para homenagear aqueles que já contribuíram, em muito, para a tradição gaúcha em nosso Estado, pessoas como Nenzo Sá, com 86 anos e que ainda joga seu tiro de laço, e toda a sua família o acompanha, até seu bisneto já laça. Anos e anos de história e tradição. Devemos homenagear outros, como o Tio Petro, Jacó Mohon que já fizeram e fazem muito pela tradição gaúcha catarinense.

Sabemos que a criança e o jovem quando está na tradição gaúcha, sem dúvida nenhuma têm o caminho muito bem feito pela sua família porque estão sempre juntos, livrando-se de outros problemas graves, de outros tipos de entretenimento. Por isso, estarei aqui defendendo a criação da medalha da tradição gaúcha catarinense. Quero que os nobres Deputados e Deputadas vejam bem o que vai significar isso.

Por isso trouxe essa carta e haverei de vir aqui mais algumas vezes para trazer informações de outros estudiosos dessa área para, cada vez mais, esclarecer essas dúvidas que pairam com relação a isso, principalmente à imprensa da Grande Florianópolis.

Haveremos de dizer que realmente a tradição gaúcha não é só do Rio Grande do Sul, mas que hoje faz parte de Santa Catarina.

Muito obrigado!

(Palmas)

(SEM REVISÃO DO ORADOR)