3ª Sessão Ordinária - 23/02/1999
O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Sr. Presidente e Srs. Deputados, ontem o Deputado Neodi Saretta, se não me engano, falava aqui sobre um tema muito atual, qual seja, o tema que a Confederação dos Bispos do Brasil adotou este ano: o desemprego no Brasil.
Abri o jornal Diário Catarinense de hoje e, embora não seja da região de Blumenau, vi com grande tristeza um exemplo do desemprego e da crise que vem ocasionando essa quebradeira de empresas tradicionais, como é o caso da Moellmann, de Blumenau.
Cito aqui esta empresa mais para relembrar a quebradeira de empresas do ramo do carvão na nossa região, na nossa cidade, devido a este regime imposto pelo FMI, pelo neoliberalismo, que é o capitalismo mais selvagem que foi imposto ao nosso País, e muitos dos nossos políticos vêm, em conivência, aceitando essa imposição à nossa sociedade.
Por exemplo, na minha cidade, Criciúma, há uma empresa na área siderúrgica, a Sidesa, que hoje está tentando sobreviver, pois está à beira da falência para poder manter 140 empregados. E assim foram muitas. Inclusive, a própria sede da Cecrisa fechou no centro da cidade; a cerâmica mais antiga do centro de Criciúma também está fechada, está lá o seu pavilhão entregue aos ratos e às baratas.
Srs. Deputados, nas suas cidades também deve existir empresas tradicionais e antigas conduzidas por famílias, por gente de bem, como é o caso em Criciúma. A empresa Sidesa foi fundada por imigrantes italianos; a empresa Moellmann, em Blumenau, é o símbolo daquela cidade, e teve que pedir auto-falência em virtude de uma crise que não provocaram, uma empresa de mais de cem anos!
E eu pergunto: quantas destas empresas existem em Santa Catarina? E nós, políticos, somos responsáveis, não pela proteção de empresas, de famílias, porque são famílias tradicionais ou empresas antigas, nós temos a responsabilidade de defender o emprego que elas representam. Essas empresas são de catarinenses genuínos ou de pessoas que adotaram Santa Catarina e o Brasil como sua Pátria, como seu lugar para viver.
Portanto, precisamos, de forma urgente, começar a pensar em Santa Catarina, começar a pensar na proteção das nossas empresas, pelos empregos que elas representam, porque a cada empresa catarinense que se fecha nós perdemos centenas de empregos, os quais garantem o sustento e o equilíbrio da família catarinense. E na maioria dos casos, são eleitores nossos, que nos conduziram a esta Assembléia.
Por isso, eu coloco aqui a V.Exas. que se comece a pensar numa forma de garantir isso. A Igreja Católica já lançou neste ano a Campanha da Fraternidade, numa luta contra o desemprego.
Nós, Deputados, somos representantes da totalidade do povo catarinense, porque o Executivo não representa a totalidade, representa uma parte, um percentual apenas dos eleitores e da população catarinense. Nós representamos aqui todos os Partidos, todos os segmentos, todos os pensamentos da sociedade catarinense.
Por isso, Srs. Deputados, gostaria que nós pudéssemos nos unir. Inclusive, na Comissão de Trabalho, poderíamos pensar em alguma forma de apresentar sugestões, como fazer um fórum contra o desemprego capitaneado pela Assembléia Legislativa. E que nós nos preocupássemos, neste fórum, em levantar as nossas questões regionais e formas de salvar as nossas empresas, para que elas não se afundem mais; em recuperar o emprego, criando alternativas na agricultura, no turismo, enfim, em diversos segmentos. O mercado nos oferece diversas oportunidades, haja vista que Santa Catarina é um Estado rico, cheio de condições na área ecológica, pelo seu meio ambiente, pela sua natureza, pela capacidade do seu povo.
Não é possível que tenhamos pessoas com grande capacidade desempregadas, como é o caso de diretores de empresas, de trabalhadores técnicos na área de siderurgia, na área de mecânica. Temos que criar alternativas para que o trabalho seja garantido e restabelecido em Santa Catarina, já que é um Estado de pequenas dimensões territoriais, porém com um povo de grande capacidade.
Por isso, eu faria um pedido encarecido à Mesa e aos Deputados: que juntos déssemos uma demonstração a Santa Catarina e ao povo catarinense, em especial aos desempregados e aos que possivelmente estarão desempregados em breve, porque esta situação é nacional e internacional.
Mas nós não podemos esperar que alguém vá resolver a ingerência do Fundo Monetário Internacional na economia brasileira. Não podemos esperar que se resolva a situação desses países nem essas questões para que Santa Catarina, um dia, em hipótese, venha a resolver os seus problemas.
Dizem aqueles que são adeptos à defesa do neoliberalismo que o mercado deve se acomodar e que é natural o desemprego nos países, que isso é conseqüência da livre iniciativa, e a economia vai se acomodando.
Não podemos aceitar este tipo de imposição, porque nós estaremos colocando o nosso povo numa condição... Vamos ter, talvez, uma geração inteira sem trabalho, sem escola, sem condições de preparo para um futuro melhor.
Por isso, fica aqui a minha proposta aos Deputados e à Mesa: que se faça um fórum catarinense, comandado por esta Casa, para se discutir a questão do desemprego e achar soluções para se resolver isso.
O Sr. Deputado Rogério Mendonça - V. Exa. me concede um aparte?
O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Pois não!
O Sr. Deputado Rogério Mendonça - Deputado Ronaldo Benedet, parabenizo-o por essa sua preocupação com a questão do desemprego, que, como foi dito, atinge todos os setores da nossa economia, da nossa sociedade.
É triste vermos os nossos filhos com saúde, com vontade, com disposição para o trabalho - muitos saindo até mesmo dos bancos universitários, na maioria das vezes havendo um esforço muito grande da família e de toda a sociedade - e não encontrarem emprego.
A agricultura é a maior geradora de empregos que existe, mas estamos vendo os nossos agricultores abandonar suas propriedades, talvez em função da falta de uma política agrícola, de crédito rural, de assistência técnica, de pesquisa agropecuária, em nome inclusive de uma globalização.
Por isso, Deputado, tenho certeza que essa sua preocupação é também a preocupação da sociedade e de todos nós, Deputados. Temos, sim, a responsabilidade muito grande de encontrar uma saída para essas pessoas, que precisam dos seus empregos.
O SR. DEPUTADO RONALDO BENEDET - Até como valorização, Sr. Presidente e Srs. Deputados, deste Poder, temos que demonstrar a nossa responsabilidade e a nossa preocupação com os desempregados neste Estado.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)