5ª Sessão Extraordinária - 09/04/2008
O SR. DEPUTADO PROFESSOR GRANDO - Sra. presidente e companheiros deputados, o companheiro Edison Andrino falou de algo de 40 anos atrás, de algo muito importante que foi 1968, ano de luta. Lembro-me de que quando presidente do Grêmio Nilo Peçanha, na Escola Técnica Federal, já naquela época lutávamos não somente pelas questões estudantis, mas lutávamos pela educação contra o acordo MEC/Usaid.
Lembro quando o companheiro Edison Andrino, representando os universitários de Santa Catarina, foi detido em São Paulo, isso em outubro de 1968. E no dia 13 de dezembro, no dia em que foi baixado o AI-5, nós fomos presos, sendo o primeiro catarinense preso enquadrado no AI-5, porque estávamos organizando o congresso da UNE, uma vez que o de Ibiúna fora dispersado e determinado que deveria ser feito regionalmente.
Se desde aquela época lutávamos pela democratização e pela educação, sabemos que nunca se pode destruir a história de um homem ou de uma mulher. Os regimes de exceção, como o fascismo, o nazismo, o comunismo - e agora, recentemente, fala-se na globalização, de que a história acabou... Ao contrário, a história é a força motriz de um povo.
Para construir a história, o movimento dos trabalhadores tem um processo do qual não pode abrir mão, que é a questão democrática do processo, a questão da crítica e da autocrítica, quando se fizer necessária.
Nós tivemos recentemente em nosso estado uma greve decretada pelos professores. Essa greve não teve êxito. Por que a greve não teve êxito? Porque não se analisa como deve ser, como nós fizemos quando começamos a primeira greve estadual em 1980, quando fui presidente da Alisc, onde tantos companheiros nos sucederam na luta, passando, inclusive, pelos professores Julio Wiggers, Mauro Vieira, Élvio Prevedello, Ideli Salvatti e Ana Maria de Aquino! Sempre através de consulta vinham as nossas decisões.
Tivemos conquistas, sim, e muitos êxitos: o quadro de carreira, o Plano Estadual de Educação, o aumento salarial, as eleições diretas para diretores de escolas, que chegamos a ter em Santa Catarina. Quando fui prefeito de Florianópolis mantive esse processo e, mais do que isso, o meu primeiro ato foi dar anistia aos professores que tinham falta injustificada no governo anterior - e nós sabemos qual foi esse governo que nós sucedemos na prefeitura -, porque com falta injustificada se perdia a licença-prêmio. Somente nós sabemos como foi a repressão e quantos professores foram prejudicados.
Se o atual movimento não teve êxito, significa que temos que ter um processo de avaliação na questão da Educação. Por que não conseguiram arregimentar para essa causa, dos 36 mil professores, pelo menos três mil? Não conseguiram porque as propostas não estavam indo ao encontro da base dos professores. Aqueles que estavam em sala de aula, que são a maioria absoluta, querem, sim, ter uma política de ganho maior.
O que significa um ganho maior? Significa que neste momento nós temos que diminuir a diferença entre quem ganha mais e quem ganha menos. Isso é lutar por justiça social, é ter posicionamento. Por quê? Porque, meus amigos, para quem ganha R$ 1 mil deram um abono de R$ 200,00, sendo R$ 100,00 agora e R$ 100,00 em agosto, o que significa um aumento muito grande de R$ 200,00. Agora, se for concedido 5% para todos, ou 4%, ele terá um aumento de R$ 40,00 ou R$ 50,00, mas o preço do gás, do quilowatts/hora, o preço do ônibus, do feijão, do arroz e do pão é o mesmo para todos. Não podemos continuar mais fazendo a política de quem ganha mais, continua ganhando mais e quem ganha menos, continua ganhando menos.
Quando há uma proposta, existem formas de luta. E este é o nosso compromisso, o professor que ganha menos começa a ganhar mais porque está em sala de aula. Isso é um avanço na luta. Por quê? Seja com o nome de prêmio ou abono, o próximo passo, e não podemos abrir mão, porque já foi criada a brecha para incorporar esse direito e não o negar.
Por isso nós estranhamos que em determinado momento o sindicato tenha aberto mão da incorporação do abono e lutado por 4% ou 5%. Sei também que quando o movimento sai derrotado, como já aconteceu muitas vezes, a tendência das lideranças, para não se desgastarem, é radicalizar, fazendo greve de fome, atentando contra a própria vida, o que não educa dentro do processo, ou tentando aprisionar funcionários dentro da secretaria de Educação, como aconteceu, ou tentando descaracterizar com o pior que existe. Somente no fascismo e no nazismo isso acontece, que é a fulanização, ou seja, desgastar as pessoas que estão no poder.
Não tem que fulanizar, tem que explicar por que o movimento não teve êxito. Daí a importância de saber avançar. Nós queremos avançar na incorporação seja Prêmio Educar ou abono. Esse é o nosso compromisso porque temos experiência de luta. Nós não representamos uma minoria, com segmentos de idealização ou fulanização. Nós queremos valorizar o professor para que todos tenham o mesmo nível de formação, não importando se trabalha com as primeiras séries, com o primeiro ou com o segundo grau, a importância é a mesma.
Nós queremos que o professor aposentado, que não estava em discussão, mas que foi utilizado com oportunismo, obtenha o seu ganho. Quando o governador diz que irá enviar um projeto a esta Casa e vai terminar os estudos até o dia 12, por que achar que isso não está ocorrendo? Isso está acontecendo e o aposentado terá o seu aumento, sim, e nós estamos aqui na luta para avançar e não negar, numa forma oportunista.
Nós vimos aqui casos de tal oportunismo que houve deputado que delatou companheiros que não tinham nada a ver, até porque existem companheiros que votaram com a maioria dos professores, que são os que continuaram trabalhando, que querem o abono e que têm o direito de discordar de uma minoria dentro do movimento dos professores. Isso é democracia! Isso é construir proposta mais justa! Depois esse deputado me pediu desculpas em público, mas não pediu para os demais companheiros. Espero que faça isso. Imagina se essa pessoa estivesse vivendo na época que vivemos, de ditadura, correndo risco de morte?! Quem é que ele não iria delatar, ou tentar delatar, ou tentar jogar contra de forma oportunista?!
Mas quero dizer algo que os senhores têm que aprender pela nossa história. Nós viemos do Partidão, o Partido Comunista; assumimos, fomos discriminados, perseguidos, companheiros morreram, mas sempre lutamos conta a direita e contra o oportunismo da esquerda, contra a doença infantil. Como disse Lênin em seu livro, que muitos têm que ler e discutir o esquerdismo, doença infantil do comunismo. Por quê? Porque quando não há essa visão política, a direita e a esquerda, que não medem conseqüências, fazem o mesmo jogo e servem de escada para a direita subir. É como dizia o nosso amigo velho, Brizola: "Não quero que as nossas águas movam o moinho da direita". Muitas vezes certos setores do esquerdismo se prestam a isso na mais nobre causa, mas não analisam as correlações de força. Quem quer participar do movimento dos trabalhadores tem que analisar.
Por isso a nossa luta a favor do aposentado continua, a nossa luta a favor da pessoa que tem direito à licença maternidade e à licença por doença. O que nós queremos é a incorporação do abono. Esse é o posicionamento claro de uma pessoa que lutou e sabe o lado do bom combate em toda a sua história. Em toda a minha história estive com a maioria dos professores, porque se não fosse a maioria, a greve não teria êxito.
Por que a maioria não aderiu? Porque as lideranças não corresponderam à realidade. Só é revolucionário e só transforma quem é realista, quem consulta as suas bases e vê as conseqüências. Não aqueles que de forma oportunista partidarizam e tentam desgastar...
(Discurso interrompido por término do horário regimental.)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)