66ª Sessão Ordinária - 06/08/2008
O SR. DEPUTADO NILSON GONÇALVES - Sra. presidente, sras. deputadas e srs. deputados, nesta quarta-feira de manhã, quando não é muito comum termos sessão ordinária, nós, dentro do horário destinado aos Partidos Políticos, gostaríamos de fazer uma pequena reflexão sobre o momento eleitoral que vivemos.
Ontem, quando utilizei esta tribuna, fiz uma análise sobre o segmento político, que vive um momento de bastante descrédito. E acabei alongando-me na minha análise e não pude concluí-la. Aproveito esta oportunidade para fazer a conclusão daquilo que no dia de ontem comentava desta tribuna.
Eu dizia que o descrédito que ora vive o segmento político na verdade é fruto de todo um contexto. E se fizermos uma análise mais calma e profunda, vamos chegar a uma conclusão muito fácil e muito simples: praticamente o descrédito e os problemas acontecem em todos os segmentos da sociedade, não só na política. E acontece que os políticos, de uma maneira geral, estão muito mais expostos. Eu diria que estão numa vitrine e, por estarem nela, estão mais à vista. Por conta disso acabam sendo um alvo mais fácil e acontece exatamente tudo aquilo que nós vemos praticamente quase todos os dias: denúncias de toda a ordem relacionadas à classe política. Num estado ou em outro, as pessoas sempre têm notícias ruins envolvendo políticos neste país.
Mas se prestarmos um pouco de atenção, veremos que no Poder Judiciário também existe o mesmo problema. No Poder Executivo talvez muito mais ainda do que no Poder Legislativo. Se nós formos analisar com mais calma, veremos que no Poder Executivo nós temos talvez quatro vezes mais problemas do que no Poder Legislativo, até porque lá se mexe com dinheiro, mexe-se com o vil metal. E o ser humano, desde que Jesus foi trocado por 30 moedas, nunca mais deixou de gostar do tal dinheiro. E onde há o tal dinheiro, há ambição, há muitas vezes corrupção e o chamado desvio de conduta. E onde há dinheiro, há também muita gente interessada em administrá-lo, tanto é verdade que nós estamos agora num processo eleitoral para o Executivo, principalmente - temos o Legislativo e o Executivo, que são os vereadores e os prefeitos.
Muita gente deixa de ser, inclusive, senador para ser prefeito da sua cidade. E às vezes eu fico me perguntando: Meu Deus do céu, o que há de tão especial dentro de uma prefeitura?
Eu estava lendo dias atrás, inclusive, sobre um determinado senador que é candidato a prefeito de uma cidadezinha pequena. O que há de tão especial numa prefeitura pequena que leva um senador, que é uma eminência parda da política neste país, do poder deste país - depois do presidente e do vice-presidente, imediatamente já vem o senador -, a deixar de ser senador para administrar o seu município? Que amor tão grande é esse que tem pela sua cidade? Que apego é esse que tem pelo bem-estar da sua população?
Mas se nós formos olhar um pouquinho mais a fundo, veremos que, na verdade, é a vontade de administrar o vil metal. Esta é a verdade: é a vontade absoluta de administrar o vil metal. É como dizem: "Lá tem caneta"! Mentira, mentira! Lá tem o cofre, essa é a verdade. Lá não tem caneta, lá tem o cofre!
Eu estou generalizando. Não estou aqui querendo dar nome para "a" ou "b", em absoluto. E não vou longe. Esta Casa é um exemplo absoluto. Temos aqui deputados que já foram prefeitos em suas cidades, e excelentes prefeitos, e que deixaram saudades quando deixaram a prefeitura de seus municípios, porque trabalharam de maneira correta, de maneira sóbria, sem aquela história famosa que todos nós conhecemos de distribuir benesses para todo mundo.
Então, existem as exceções, mas a verdade é que onde há dinheiro, o ser humano também tem vontade de estar junto, de estar perto. É uma coisa, como eu falei, que remonta ao tempo de Jesus Cristo, quando foi vendido por 30 moedas.
Eu tenho, no meu município, vários candidatos a prefeito, e tenho comigo que todos estão bem intencionados. Alguns são oriundos desta Casa e todos estão bem intencionados. Temos visto, dentro daquilo que eles têm passado na televisão, nas entrevistas, as suas boas intenções, a vontade de bem administrar o município de Joinville.
Mas eu recebi questionamentos de inúmeras pessoas do meio político, que vieram perguntar-me: "Deputado Nilson Gonçalves, o senhor não quer administrar o município de Joinville? Aquilo lá é o maior faturamento do estado! Arrecada R$ 1 bilhão por ano! O senhor não quer administrar aquela cidade com todo aquele dinheiro?"
Então, vejam bem, isso vem exatamente ao encontro daquilo que estou falando: o vil metal. O desejo que uma boa parte da classe política e das pessoas em geral têm de estar perto do cofre, se possível ter a chave dele para poder administrá-lo. Portanto, as pessoas vêm questionar-me: "Deputado, o senhor não quis administrar Joinville, a maior arrecadação do estado"? E eu posso dizer para essas pessoas, de cabeça em pé, que não é esse o meu princípio. E pode ser que algum dia eu saia candidato a prefeito de Joinville, mas a cabeça está voltada para outras coisas e não para o vil metal, essa é que é a grande verdade!
Muito obrigado, sra. presidente!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)