34ª Sessão Extraordinária - 03/12/2008
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Muito obrigado, sr. presidente, por seguir fielmente o que determina o nosso Regimento Interno, de forma que na tarde de hoje este parlamentar, que já falou por dez minutos, poderá falar por outros dez.
Eu quero falar de sensibilidade. Em algumas manifestações que eu fiz na semana passada e nesta eventualmente alguém pode ter pensado que estava faltando sensibilidade por parte deste parlamentar.
A principal demonstração da sensibilidade que temos foi a suspensão temporária das manifestações que estavam previstas em nosso cronograma de mobilização, com vistas ao recebimento da parte que falta pagar da Lei n. 254.
Nós tínhamos um cronograma, uma série de reuniões já agendadas e todo um processo construído ao longo dos últimos 50 dias, e na manhã da segunda-feira passada suspendemos temporariamente, justamente para que nossos companheiros policiais e bombeiros pudessem ir para a linha de frente lá nas áreas atingidas pelas enxurradas, por toda a tragédia que atingiu o litoral norte de Santa Catarina e a região dos vales.
Então, suspendemos as mobilizações justamente para que toda a energia da nossa categoria, toda a capacidade de combate estivesse voltada para defender e salvar a vida do nosso povo e para minimizar os efeitos dos traumas. E nós esperamos a mesma sensibilidade por parte do governo.
(Procede-se à exibição de fotos.)
Temos aí algumas imagens que pudemos ter do final de semana, quando estivemos em Blumenau e região, justamente mostrando o trabalho que está sendo feito por voluntários, por servidores públicos para amainar os estragos causados por essa tragédia lá na região. Isso é para demonstrar exatamente que os nossos companheiros, todo o contingente da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, estão voltados integralmente para acudir a população nesse momento de crise e de dificuldade.
Esperamos que a sensibilidade do governo exista de forma irrestrita e possa, sim, dar continuidade às negociações, porque tão logo nós suspendemos as mobilizações, mesmo avisando que seria temporariamente, o governo cancelou todas as reuniões. E não falo apenas do governador pessoalmente, que por certo tem muitas atribuições, mas falo dos secretários, inclusive daquelas pastas que não têm, necessariamente, que estar lá na região; dos técnicos das secretarias. Inclusive os técnicos suspenderam as reuniões que estavam marcadas para discutir a questão da Lei n. 254, o que mostra que o governo só se mexe quando há mobilização das categorias, e isso é um absurdo porque é preciso sensibilidade em todos os sentidos nesse momento.
O nosso pessoal continua lá no meio do povo, trabalhando junto, convivendo nas mesmas circunstâncias, com as mesmas dificuldades. Tivemos grupos de praças que vieram lá do extremo oeste, de São Miguel d'Oeste, e foram levados por helicópteros para a comunidade e lá ficaram quatro dias junto com ela, isolados, convivendo nas mesmas circunstâncias.
Portanto, estamos dedicando esse esforço à nossa população. Esperamos também que possamos continuar, aqui na capital, as negociações para que esses servidores continuem empenhados nessa tarefa. E vão continuar, porque é dever de ofício, porque é a vocação, esforçando-se, sacrificando-se e, se necessário, dando a própria vida para defender o nosso povo. Nós temos sensibilidade e estivemos lá para ver, conferir, ouvir, e estaremos novamente, já a partir de amanhã.
Também sabemos que os prejuízos são enormes, que muitas empresas, inclusive daquela região, deixaram de existir, principalmente pequenas e médias empresas. Mas não há como não avaliar o seguinte: quem mais foi prejudicada foi a população pobre. É claro que a classe média, é claro que algumas pessoas de condições econômicas bastante avantajadas, vamos dizer assim, também perderam tudo, mas em se tratando da classe empresarial, alguns perderam e outros ganharão. E isso não é insensibilidade, essa é a lógica própria dessa sociedade.
E até falava ontem para uma colega parlamentar desta Casa que, se eu fosse empresário ou se eu tivesse a vocação para ser empresário e tivesse R$ 100 milhões para investir em algum lugar do mundo, eu investiria na região atingida pelas cheias porque tudo terá que ser reconstruído. Assim, irá precisar de muito trabalho; as pessoas que foram atingidas terão de comprar tudo de novo, de uma forma ou de outra. E muitos não terão dinheiro para comprar, é evidente. Mas se apenas 1/3 dessas pessoas tiver condições de remobiliar a sua casa, de refazer a sua vida com normalidade nos próximos meses, já será uma quantidade enorme de eletrodomésticos que serão vendidos nesse período, e ainda antes do Natal.
Então, é muito comum ouvir agora a reclamação de que são necessários muitos recursos, é verdade, eu concordo. É preciso muito recurso e os esforços dos governos e da infra-estrutura industrial têm que estar voltados para fazer funcionar, no primeiro momento possível, toda a capacidade produtiva da região atingida, porque isso gera emprego e desenvolvimento.
Assim, eu não tenho dúvida de que, nos próximos meses, a região que vai precisar de mais trabalho, de mais força produtiva e que, portanto, vai gerar mais riqueza nova é justamente a região atingida.
Portanto, se há todos esses recursos destinados a Santa Catarina para essa região, é preciso pensar a forma de fazer essa aplicação; é preciso pensar os mecanismos estruturais que vão fazer com que esse dinheiro possa atender efetivamente a população atingida para que as pessoas recuperem o seu emprego, para que as pessoas possam adquirir as condições de ter de volta a sua casa, o seu carro, a sua condição de viver com dignidade. E isso gera desenvolvimento, infelizmente essa é a lógica da sociedade. E as vidas que se perderam, mais de 100 - e talvez se chegue perto de 150 -, não serão recuperadas jamais, e a dor vai ficar para sempre, principalmente a dor dos familiares e amigos mais próximos.
Temos relatos de companheiros policiais e de bombeiros que estavam lá nos momentos mais dramáticos que são de arrepiar. Mas é preciso recolocar a sociedade do vale de Itajaí, do litoral norte, em marcha para a reconstrução. É preciso, evidentemente, ainda tomar cuidado com possíveis epidemias. E um veterinário me mandou uma mensagem dizendo que é preciso vacinar todos os animais daquela região porque se estão alimentando com capim contaminado pelas águas que se alastraram em toda aquelas vastas regiões.
Então, esses cuidados precisam existir; o abastecimento precisa chegar lá na ponta; precisa-se tomar cuidado com riscos de epidemias que afete o ser humano ou que afete os animais e que depois possam, inclusive, afetar o homem.
Mas não temos dúvida de que o estado tem a obrigação de se fortalecer como estado. E fortalecer-se como estado é contratar mais servidores públicos para fazer a segurança lá em São Bento do Sul, Blumenau, Itajaí e toda a região, porque quem está mantendo o nível de civilidade e a sociedade organizada, mesmo nas condições precárias, é o esforço dos servidores públicos da área da Segurança, tanto os estaduais, quanto os municipais e os federais, no caso, o Exército Brasileiro.
Assim, não temos dúvida disso e isso não pode servir de argumento para desleixar o tratamento e o fortalecimento do serviço público, inclusive os salários dos servidores e a Lei n. 254, por conta da tragédia.
E aproveitamos estes últimos segundos para registrar a presença, aqui no nosso Parlamento, do vice-prefeito eleito de São José, o nosso companheiro pedetista Telmo Vieira. Queremos parabenizá-lo pelo resultado da eleição e dizer-lhe que este Parlamento estará à disposição da cidade de São José, a nossa cidade.
Muito obrigado!
(SEM REVISÃO DO ORADOR)