114ª Sessão Ordinária - 20/11/2012
O SR. DEPUTADO SARGENTO AMAURI SOARES - Sr. presidente, sras. deputadas, srs. deputados, quem nos acompanha pela TVAL e Rádio Digital ou aqui nesta tarde de terça-feira especialmente trabalhadoras e trabalhadores da saúde pública no estado de Santa Catarina, tenho cinco minutos para fazer uma análise desta greve neste momento.
O governo criou a greve quando ameaçou a cortar a hora/plantão dos servidores, porque tinha contratado mais 300 funcionários. O governo conseguiu uma liminar dizendo que 70% dos serviços deveriam funcionar. Os trabalhadores estavam nos hospitais fazendo funcionar até mais do que 70%, mesmo se considerando em greve.
O governo entrou na Justiça, novamente, pedindo a outra liminar para que os grevistas ficassem a 200 metros, pelo menos, do hospital. E somente dez dias depois, porque o sindicato estava evitando fazer isso, sabia do drama que ia se criar, passaram a cumprir a segunda liminar, para ficar a 200 metros dos hospitais. É óbvio que faltou gente para fazer o serviço. Não poderia ser diferente. E nós, aqui, nesta tribuna, antes mesmo de o sindicato receber a intimação da segunda liminar, avisamos que era contraditória com relação à primeira e que provocaria o caos, que era irresponsável. Inclusive, a palavra que usei aqui foi insana, que a segunda liminar do governo era insana. E o governo continuava propagandeando que não tinha greve ou que a greve era contornável, tentando acabar com o movimento pelo cansaço.
O governo continua investindo na direção errada, inclusive fazendo contratos temporários, precários, com pessoas inexperientes e colocando no local de trabalho. Com uma diferença, paga o dobro nesses contratos precários do que pagaria para um desses trabalhadores que estão aqui há décadas, servindo a população catarinense.
Paga o dobro para o "fura greve", sem falar no peculato na distribuição de HP para aqueles que estão lá se sujeitando às direções, no peculato em termos de pagamento de sobreaviso, mais horas de sobreaviso do que tem num mês. Serviços gerais ganha sobreaviso - até parece que tem terremoto toda semana em Santa Catarina. E agora partiu para coerção ilegal, abuso de poder.
No domingo à tarde, cinco servidores tiveram que ir à delegacia dar depoimento por causa da greve. Na tarde de hoje, 40 servidores tiveram que ir à delegacia, no começo desta tarde, dar depoimento por causa da greve. A maioria desses 40 servidores intimados, se é possível, e o deputado Maurício Eskudlark sabe que não é possível, como delegado que é, uma intimação por telefone.
Delegado-geral Aldo D'Ávila, delegado regional da Grande Florianópolis, delegado da primeira delegacia, todos nós sabemos que não existe intimação por telefone. A intimação tem que ser assinada pela pessoa intimada, que terá 72 horas, posteriormente, para ir à delegacia. É abuso de autoridade o que se está cometendo contra os servidores da Saúde, evidentemente para agradar ao governo, para dizer que a greve não existe, para tentar amedrontar os trabalhadores. Faz tempo que os trabalhadores estavam com vontade de sair dos hospitais, e o governo pede uma liminar dizendo para sair.
(Manifestações das galerias)
Governador Raimundo Colombo, recorro a v.exa., acredito que as informações estão chegando distorcidas até v.exa., para ser mais claro, estão mentindo para o senhor a respeito do caráter, da essência e da força dessa greve.
Governador Raimundo Colombo, peça para alguém da sua confiança pessoal analisar se não se vai se cometer ainda erros mais graves, provocando situações mais traumáticas. Quem está há décadas trabalhando no serviço público não precisa ser desaforado ou ouvir desaforo de autoridade que chegou ali na semana passada e pensa que pode humilhar e ofender.
(Manifestações das galerias)
Eu recorro às autoridades do governo do estado com a dor de quem vê servidores chorarem por causa da greve. Mas que não pode sair da greve sendo ofendido por chefes de ocasião.
Governador Raimundo Colombo, dê uma saída honrosa para esse conflito. É tudo que se precisa para superar e voltar ao trabalho.
Muito obrigado!
(Manifestações das galerias)
(SEM REVISÃO DO ORADOR)